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  3. A planificação de Siedlung Siemensstadt. Movimento e centralidade na obra de Hans Scharoun / por Óscar M. Ares Álvarez

A planificação de Siedlung Siemensstadt. Movimento e centralidade na obra de Hans Scharoun / por Óscar M. Ares Álvarez

A planificação de Siedlung Siemensstadt. Movimento e centralidade na obra de Hans Scharoun / por Óscar M. Ares Álvarez
A planificação de Siedlung Siemensstadt. Movimento e centralidade na obra de Hans Scharoun / por Óscar M. Ares Álvarez, Vista de la casa Schiminke. Löbau. Alemania 1930-33. Image © Arch Scharoun
Vista de la casa Schiminke. Löbau. Alemania 1930-33. Image © Arch Scharoun

O arquiteto espanhol Óscar M. Ares Álvarez compartilhou conosco este material sobre a obra de Hans Scharoun, arquiteto alemão e um dos maiores expoentes da arquitetura orgânica. Entre suas obras mais reconhecidas destacam-se a Sala de Concertos da Filarmômica de Berlim e a Casa Schminke em Löbau.

“A planificação urbana realizada por Scharoun é uma mostra de criatividade e heterogeneidade. O arquiteto de Bremen buscou romper a monotonia da ordenação em linhas definida pelo Movimento Moderno e categorizada no II CIAM celebrado em Frankfurt realizando um autêntico “tour de forcé” formal: combinou trechos curvos e retos, blocos curtos com outros exageradamente longos e definiu algumas unidades perpendicularmente em relação a outras". Leia o texto completo a seguir.

Vista parcial de habitações realizadas por Hans Sachroun em Jungfernheide. Imagem Cortesia de Óscar Miguel Ares
Vista parcial de habitações realizadas por Hans Sachroun em Jungfernheide. Imagem Cortesia de Óscar Miguel Ares

Em 1928, o stadtplanung de Berlim, o arquiteto Martín Wagner, convenceu a municipalidade sobre a conveniência de empreender o desenvolvimento de um programa que contemplasse a criação de grandes bairros residenciais. Os quinze milhões que conseguiu para o empreendimento serviram para desenvolver dois dos maiores siedlung da República de Weimar: Charlottenburg-Nord em Siemensstadt (conhecido simplesmente como Siemensstadt por sua proximidade com a fábrica Siemens) e Weiss Stadt (Cidade Branca)  em Reinickendorf.

Para a planificação de Siemensstadt foi convocado um concurso interno entre os arquitetos modernos alemães agrupados em torno do movimento Der Ring; que teve como vencedor Hans Scharoun (1893-1972). Os números mostram o calibre da intervenção: 1.370 alojamentos [1], sobre uma superfície de quase 14 hectares dos quais 11,10 eram ajardinados. A execução das obras aconteceria em duas fases: uma primeira, de 1929 a 1930; e uma segunda, imediatamente posterior, de 1930 a 1931.

Planta principal de Siedlung Siemensstadten.. Image © Arch Scharoun
Planta principal de Siedlung Siemensstadten.. Image © Arch Scharoun

A planificação urbana realizada por Scharoun é uma mostra de criatividade e heterogeneidade. O arquiteto de Bremen buscou romper a monotonia da ordenação em linhas definida pelo Movimento Moderno e categorizada no II CIAM celebrado em Frankfurt realizando um autêntico “tour de forcé” formal: combinou trechos curvos e retos, blocos curtos com outros exageradamente longos e definiu algumas unidades perpendicularmente em relação a outras. Scharoun apostava em um urbanismo visual, menos intelectual, despojado dos postulados mais racionais como o que Mart Stam desenvolveu para Siedlung de Hellerhof (Frankfurt, 1929-32), ou Ernst May em Westhausen (Frankfurt, 1929-31).

Vista parcial de habitações realizadas por Otto Barning, também chamado o “longo lamento”, em Goebel Strasse. Imagem Cortesia de Óscar Miguel Ares
Vista parcial de habitações realizadas por Otto Barning, também chamado o “longo lamento”, em Goebel Strasse. Imagem Cortesia de Óscar Miguel Ares

A distribuição das massas de edificações atendendo a critérios de percepção foi uma das estratégias de projeto que fundamentaram a obra do arquiteto alemão. As arquiteturas que povoaram Siemensstadt foram realizadas por arquitetos próximos ao Der Ring, como o próprio Scharoun, Walter Gropius, Hugo Häring; Otto Bartning, Fred Forbat e Paul Rudolf Henning.

Planta principal de Siedlung Siemensstadt en la que se indica a quién pertenece la realización de cada una de las viviendas. Image © Arch Scharoun
Planta principal de Siedlung Siemensstadt en la que se indica a quién pertenece la realización de cada una de las viviendas. Image © Arch Scharoun

No final da década de 20, o movimento da massa e o desenvolvimento do espaço central haviam sido convertidos nos princípios da arquitetura de Shcaroun, que se refletem em duas de suas realizações mais importantes da época: a residência para a exposição Werkbund da Polônia (Wrolaw, 1928-1929) e sua conhecida casa Schminke (Löbau,1930-33). Siemensstadt seria um campo propício para o desenvolvimento de ambos conceitos.

A forma de funil que precede a entrada pela Rua Jungfernheide deve ser entendida a partir de abordagens visuais e não conforme critérios de distribuição funcional. A inflexão do bloco de habitações situado à direita do acesso serve para ocultar a via de trem que passa por trás dele. É de acordo com a mesma lógica que se deve entender a disposição da grande linha de blocos, zeilenbau, que Scharoun colocou em Goebel Strasse e que construiria Otto Bartning.  A localização desses blocos de habitação não atende a uma ordem funcional conforme as diretrizes definidas no II CIAM de Frankfurt, celebrado apenas um ano antes - mas a uma predisposição visual, perceptiva e sensorial. Ocultar o tráfego ferroviário e a emissão de ruídos no espaço urbano é a diretriz que marca a ordenação formal; embora pudesse prejudicar as habitações próximas a esta via.

Vista parcial de habitações realizadas por Paul R.Henning em Heckerdamm. Imagem Cortesia de Óscar Miguel Ares
Vista parcial de habitações realizadas por Paul R.Henning em Heckerdamm. Imagem Cortesia de Óscar Miguel Ares

A preocupação com o visual se reflete na articulação dos edifícios. Diante das organizações monótonas que podemos encontrar em outras siedlung – principalmente em Frankfurt – Scharoun deslizou alguns blocos em relação a outros com a finalidade de evitar a visão do bloco repetitivo; gerando pontos de fuga e perspectivas que contribuíram para enriquecer o espaço urbano.

Na área central de Siemensstadt Scharoun projetou um grande parque. Os blocos situados nessa parte se relacionam perpendicularmente com este espaço-jardim - blocos que foram projetados por Häring e Paul R. Henning - organizando em seu interstício áreas arborizadas de menor escala que facilitam a transição para o espaço central. Para o arquiteto alemão o parque deveria ser o princípio de organização formal, uma grande área sobre a qual devia se desenvolver a vida em comunidade. A centralidade seria um dos recursos empregados com mais frequência na arquitetura posterior à segunda guerra mundial; sendo Siemensstand um espaço com a possibilidade de experimentá-lo em escala urbana. O recurso do espaço central na casa Baensch (Berlim, 1934-35) ou na Casa Schminke (Löbau, 1930-33) antecipam projetos em que seu emprego é parte que define sua formalização, como seriam posteriormente a Filarmônica de Berlim (1956-63) ou a Biblioteca Nacional (Berlim, 1964-1978).

Imagem do grande parque central de siedlung. Imagem Cortesia de Óscar Miguel Ares
Imagem do grande parque central de siedlung. Imagem Cortesia de Óscar Miguel Ares

Siemensstadt seria um dos primeiros ensaios que avançam na necessidade de realizar mudanças na vida comunitária reivindicando a necessidade de projetar uma área central como espaço destinado à vida comum. Por sua vez, o movimento das massas de edificação é reproduzido em uma escala urbana com o propósito de melhorar a qualidade urbana do bairro, provocando situações de singularidade frente a disposições usuais e repetitivas; excepcionalidade ao invés de implantação dos edifícios conforme o eixo heliotérmico.

Pátios intermediários entre os blocos realizados por Hugo Häring. Imagem Cortesia de Óscar Miguel Ares
Pátios intermediários entre os blocos realizados por Hugo Häring. Imagem Cortesia de Óscar Miguel Ares

A planificação urbana de Siemensstadt antecipa uma concepção alternativa ao modo de entender a cidade por aqueles que praticavam a modernidade; despojada da ortodoxia dos congressos CIAM. Scharoun, através de dua prática urbana, reivindica as distintas tendências e a rejeição à uniformidade com que, apesar do que está escrito nos livros, foi construído o Movimento Moderno.

[1] de 1+1/2 habitação ( 30% do total); 2 habitações (50%); 2+1/2 habitações (10%); e 3  habitações (10%)

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Cita: Cabezas, Constanza. "A planificação de Siedlung Siemensstadt. Movimento e centralidade na obra de Hans Scharoun / por Óscar M. Ares Álvarez" [La planificación de la Siedlung Siemensstadt. Movimiento y centralidad en la obra de Hans Scharoun / por Óscar M. Ares Álvarez] 08 Mar 2014. ArchDaily Brasil. (Trad. Baratto, Romullo) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/181550/a-planificacao-de-siedlung-siemensstadt-movimento-e-centralidade-na-obra-de-hans-scharoun-slash-por-scar-m-ares-alvarez> ISSN 0719-8906