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Clássicos da Arquitetura: Residência Nivaldo Borges / João Filgueiras Lima

Clássicos da Arquitetura: Residência Nivaldo Borges / João Filgueiras Lima
Clássicos da Arquitetura: Residência Nivaldo Borges / João Filgueiras Lima, © Joana França
© Joana França

© Joana França © Joana França © Joana França © Joana França + 34

Por Adalberto Vilela e Sylvia Ficher

Passeando, ainda que de carro, por um bairro exclusivamente residencial da cidade, avistamos ao longe a Casa dos Arcos. Assim é conhecida a residência Nivaldo Borges, placidamente espraiada na topografia suave de um imenso terreno, inconfundível por sua coloração avermelhada. A tentação é grande; paradoxalmente, a ausência de grades ou portões nos intimida. Como não há como anunciar a chegada, ignoramos a desconfortável sensação de invadir propriedade alheia e seguimos em frente.

© Joana França
© Joana França

Da rua até a porta de entrada, o clima é de antecipação para os penetras, felizmente recompensada pela recepção calorosa do atual proprietário, que nos convida para uma promenade completa.

Modelo original. Image © Lelé. Cortesia de Adalberto Vilela
Modelo original. Image © Lelé. Cortesia de Adalberto Vilela

Antes de aplacar a curiosidade nossa e dos leitores, examinemos com mais vagar as abóbadas de tijolos, presença inconteste por todos os espaços – à exceção do corpo central, onde foram substituídas por caissons pré-moldados de argamassa armada. Afinal o sistema construtivo é o tema dominante, escolhido graças à possibilidade de se contar com construtor altamente qualificado para executá-las, o mestre espanhol e amigo da família Tião. Enquanto o tijolo foi explorado na plenitude de sua potencialidade construtiva e plástica, os vãos de três e meio metros determinaram o módulo de conjunto.

Planta baixa
Planta baixa

Adentramos um vestíbulo discreto, que impressiona pela sobriedade quase monástica, sentimento reforçado por seu isolamento e silêncio. Tentando desvendar o porquê de seu caráter, percebemos que a modéstia é proposital, fruto da intenção do arquiteto de concentrar a atenção no espaço central da residência, monumental e solene, com seus quase oito metros de pé-direito, qual uma nave românica. Nele estão o estar íntimo e a sala de estudo, entremeados por jardins e espelho d’água. Como que completando a tipologia histórica, é franqueado por alas laterais que se estendem longitudinalmente, uma voltada para o sul, reservada a dependências de serviço e sala de jantar, e outra para o norte, onde se reúnem os quartos e o estar principal.

© Joana França
© Joana França

Embora tal configuração nos remeta às antigas basílicas latinas, onde naves secundárias permitem a circulação dos fiéis sem interferir nas celebrações, esse espaço possui um atributo que o distingue definitivamente daqueles templos: a luz. Como nos desenvolvimentos góticos posteriores, o aspecto sombrio aqui foi totalmente abandonado em prol de uma profusa iluminação através de verdadeiros clerestórios.

Mas deixemos de lado analogias religiosas e examinemos uma segunda espacialidade, aquela que diz respeito às perspectivas profundas garantidas pela continuidade espacial das alas laterais. Apesar de perpendiculares ao sentido das abóbodas, estes dois eixos, de pé-direito mais baixo, são reforçados pelo enquadramento de cena obtido pelo alinhamento dos pilares, pela base da viga de concreto e por uma sucessão de texturas distintas. Uma das características mais marcantes dos ambientes a que servem é a forte integração com o exterior, decorrente de extensos panos de vidro encerrando as fachadas nordeste, sudoeste e noroeste. Transparência esta que contrasta com o aspecto robusto e opaco do tijolo, dualidade presente, em maior ou menor escala, por toda a residência.

© Joana França
© Joana França

A sala de jantar e os serviços – copa, cozinha, despensa, dormitórios de empregados, lavanderia e quarto de costura – estão dispostos no mesmo alinhamento, numa sequência de cômodos que se abrem, ora para dentro, ora para fora da casa. Talvez uma perda significativa dentre as pequenas modificações introduzidas no projeto original tenha sido a supressão dos pátios a eles contíguos, cujos fechamentos evitariam a sua excessiva exposição.

© Joana França
© Joana França

Como de se esperar, os espaços mais reservados são os sete dormitórios, todos com suítes e – à exceção do quarto do casal, que é duplo – dimensionados em função do vão das abóbodas. Alongados, são adentrados por um corredor em paralelo ao banheiro, iluminado apenas por pequena claraboia, até o quarto propriamente, acolhedor e luminoso. Como proteção solar, seus caixilhos envidraçados são recuados da fachada, criando um jardim privativo para cada unidade.

Dormitório. Image © Lelé. Cortesia de Adalberto Vilela
Dormitório. Image © Lelé. Cortesia de Adalberto Vilela

Já íamos saindo, acreditando que o passeio chegara ao fim, porém mais surpresas nos aguardavam. Quando da encomenda do projeto, Nivaldo Borges deixou claro a Lelé que a sua deveria ser uma residência grande, onde pudesse reunir a família nos finais de semana. E que respondesse a algumas excentricidades: para contemplar sua paixão por carros e cinema, foi incluído ainda uma pequena oficina mecânica e uma sala de projeções com cinquenta lugares. Ambientes que, juntamente com generoso salão de jogos, constituem um bloco de lazer voltado para a piscina.

© Joana França
© Joana França

Tendo percorrido esta desmedida e tresloucada mansão, o que nela sobressai é a unidade conceitual da concepção, fruto do controle exercido pelo arquiteto sobre o sistema construtivo adotado, de modo a garantir sua clareza estrutural e compositiva.

© Joana França
© Joana França

Referência: Adalberto Vilela, A casa na obra de João Filgueiras Lima, Lelé, Dissertação de Mestrado, FAU/UnB, Brasília, 2011.

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Sobre este escritório
João Filgueiras Lima
Escritório
Cita: Igor Fracalossi. "Clássicos da Arquitetura: Residência Nivaldo Borges / João Filgueiras Lima" 18 Nov 2013. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/154649/classicos-da-arquitetura-residencia-nivaldo-borges-slash-joao-filgueiras-lima> ISSN 0719-8906