Construindo sobre o construído: reuso adaptativo da arquitetura industrial no Brasil

No âmbito mundial, as primeiras fábricas tiveram origem na segunda metade do século XVI, abrigando principalmente as oficinas tipográficas. Com o passar do tempo, suas funções foram abarcando ateliês de carpintaria, tapeçaria e porcelana. Entretanto, os edifícios industriais, tais quais conhecemos hoje, só foram consolidados no século XVIII, intimamente relacionados às transformações advindas da Revolução Industrial. A substituição da mão de obra humana pelas máquinas mudou definitivamente a escala dessas edificações, transformando-as em enormes galpões.

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Três séculos se passaram desde então e ainda hoje convivemos com legado arquitetônico da história fabril de nossas cidades, com suas grandes estruturas fagocitadas pelo desenvolvimento urbano, inseridas na dinâmica e no cotidiano dos habitantes. Nesse processo, enquanto algumas fábricas continuam em pleno uso original, outras foram abandonadas à própria sorte ou então receberam intervenções que conferiram aos espaços uma nova vida.

Essa última opção, em especial, tem recebido cada vez mais protagonismo nos últimos tempos. Por estar alinhada ao desenvolvimento sustentável das cidades, a prática conhecida como reuso adaptativo contribui para a redução das emissões de carbono geradas pela indústria civil nos processos de demolição e construção, ajudando a mitigar o impacto adverso das mudanças climáticas. Nesse quesito, as construções industriais se destacam por suas características físicas específicas que permitem a acomodação de inúmeros programas, sendo a maioria delas composta por amplos vãos, estruturas e instalações aparentes, iluminação zenital e flexibilidade nos arranjos internos.

Em um país no qual uma das maiores referências projetuais é justamente a reutilização de um complexo fabril, o clássico Sesc Pompeia de Lina Bo Bardi, que por sua vez inspirou outras grandes obras como Teatro Erotídes de Campos – Engenho Central dos “descendentes arquitetônicos” diretos da Lina, Brasil Arquitetura, não é de se surpreender que existam muitos exemplos interessantes de projetos que se desafiam a mediar as novas interações e as pré-existências, reutilizando antigas arquiteturas fabris.

Continue lendo para conhecer alguns desses exemplos.

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Clássicos da Arquitetura: SESC Pompéia / Lina Bo Bardi. © Pedro Kok

Espaço Bediff / Estudio BRA arquitetura

"Um antigo conjunto industrial situado na zona sul da capital paulista é o local de produção de uma estamparia e oficina de produtos personalizados. Propiciar um espaço adequado para a exposição dos itens e recepção de clientes e convidados foi o objetivo do projeto, composto por um showroom fechado, uma sala de reuniões e um bar anexo. O resultado é um diálogo de materiais, originais e propostos, que afirmam a identidade industrial do ambiente".

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Espaço Bediff / Estudio BRA arquitetura. © Maíra Acayaba
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Espaço Bediff / Estudio BRA arquitetura. Planta Baixa

MALHA / Tadu Arquitetura

"Situado em São Cristóvão - região que concentra fábricas de grandes marcas da indústria da moda – às margens da Linha Vermelha, o galpão tem sua relação com o entorno estabelecida principalmente pelas múltiplas atividades exercidas em seu interior. O ponto de partida para a estratégia de ocupação foi a utilização do container como elemento construtivo principal que possibilitaria a distribuição do programa pelo galpão, além de uma obra rápida e limpa".

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MALHA / Tadu Arquitetura. © Ilana Bessler
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MALHA / Tadu Arquitetura. Cortes

Thyssenkrupp GSS / Arquitetura Nacional

"O terreno localizado na movimentada Av. Sertório, ocupado por um edifício de dois andares em sua parte frontal e um pavilhão de armazenamento aos fundos, foi o local escolhido pela empresa thyssenkrupp para estabelecer sua divisão GSS – Global Shared Services – na América Latina".

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Thyssenkrupp GSS / Arquitetura Nacional © Marcelo Donadussi
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Thyssenkrupp GSS / Arquitetura Nacional. Corte

Futuro Refeitório / Felipe Hess Arquitetos

"O projeto teve como desafio a implantação de um restaurante e café em um galpão localizado em um miolo de quadra, no bairro de Pinheiros. O galpão, por ter sido inicialmente ocupado por uma fábrica de fundição e posteriormente por um estacionamento, nos possibilitou trabalhar com diversos elementos originais que, logo de partida, foram mantidos".

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Futuro Refeitório / Felipe Hess Arquitetos. © Fran Parente
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Futuro Refeitório / Felipe Hess Arquitetos. Corte

Fábrica de Gaiteiros / Emily Borghetti

"Este pavilhão de 1932, já abrigou diversas atividades (fábrica de barcos, farinha e até bailão). A Barra do Ribeiro possui muitos pavilhões industriais deste período voltados para o Lago Guaíba, resquício de um período próspero da navegação no estado. A fábrica-escola possui 03 salas de aula também voltadas para a circulação, com esquadrias internas que remetem às esquadrias tradicionais de escolas".         

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Fábrica de Gaiteiros / Emily Borghetti. © Marcelo Donadussi
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Fábrica de Gaiteiros / Emily Borghetti. Planta

Loja Boobam / Felipe Hess Arquitetos

"O ponto de partida do projeto foi a apropriação de um antigo galpão na Vila Madalena buscando manter sua linguagem e estrutura, contrapondo-se com intervenções pontuais e precisas. O projeto propõe uma arquitetura e interior neutros funcionando como um plano de fundo para receber a variedade de produtos com diferentes cores, funções e dimensões".

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Loja Boobam / Felipe Hess Arquitetos. © André Klotz
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Loja Boobam / Felipe Hess Arquitetos. Corte

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Sobre este autor
Cita: Camilla Ghisleni. "Construindo sobre o construído: reuso adaptativo da arquitetura industrial no Brasil" 26 Nov 2023. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/1009506/construindo-sobre-o-construido-reuso-adaptativo-da-arquitetura-industrial-no-brasil> ISSN 0719-8906

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