Casarão 28 / Naia Alban

Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Sala de Jantar, Mesa, Janela, Viga, CadeiraCasarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Cozinha, Mesa, Janela, Cadeira, Bancada, VigaCasarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Mesa, Madeira, VigaCasarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Dormitório, Janela, VigaCasarão 28 / Naia Alban - Mais Imagens+ 36

  • Arquitetos: Naia Alban
  • Área Área deste projeto de arquitetura Área:  900
  • Ano Ano de conclusão deste projeto de arquitetura Ano:  2023
  • Fotógrafo
    Fotografias:Manuel Sá
  • Fabricantes Marcas com produtos usados neste projeto de arquitetura
    Fabricantes:  Arquivo, Só Piso Bahia
  • Responsável: Naia Alban
  • Equipe E Colaboradores: Sete43 Arquitetura, Estúdio Anagrama, Griselda Klüppel, Marcelo Rangon, Yoanny Calvo, Sergio Alencar, Zilton Cavalcante, Moacyr Gramacho, Mariangela Bastos e Rodrigo Sena
  • Projetos Complementares: DOTO Engenharia
  • Consultoria De Reuso: Arquivo
  • Fachada: ConstruiNova Engenharia
  • Construtores/Artesãos: Agnaldo Moreira (Mestre Encanador), Antônio Arouca-Tozinho (Mestre Serralheiro), Bobô (Carpinteiro), Carlos Amorim (Mestre execução projeto estrutural), Fábio (Carpinteiro), Gustavo Pinto (Eletricista), Jacinto Pinto (Mestre Eletricista), Juquinha (Carpinteiro), Lobato (Pedreiro), Marcelo (Só Piso Bahia), Sergio Arouca (Mestre Pedreiro), Seu Antônio Oliveira (Mestre Carpinteiro), Erivaldo Correia (transporte), Valnei Santos (Pedreiro), Zezinho (Encanador), Bobô (Carpinteiro), Leno (Eletricista), Antônio Cosme (Servente/Almoxarife), Marcelino (Impermeabilização), Rosangela Chagas ( Apoio Administrativo)
  • Cidade: Salvador
  • País: Brasil
Mais informaçõesMenos informações
Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Exterior, Urbano
© Manuel Sá

Introdução
O Casarão 28 aborda a sustentabilidade a partir de uma perspectiva menos clichê. O exagero da cor verde, os elementos de alta tecnologia e o foco desproporcional no carbono operacional (aquele produzido durante a etapa de uso de uma edificação), que dominam o discurso sustentável contemporâneo, ocultam o fato de que, em uma emergência climática, as emissões de carbono relacionadas aos materiais e à etapa de construção inicial são mais significantes do que aquelas da etapa de uso.

Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Cozinha, Mesa, Janela, Cadeira, Bancada, Viga
© Manuel Sá

Buscar uma maior durabilidade de edifícios (reduzindo assim a quantidade de novas construções) e, quando necessário, construir o novo a partir de elementos de reuso são as principais saídas ao problema do carbono incorporado. Essa intenção guia o projeto do Casarão 28, reforma de um edifício do século XVIII, localizado no Centro Histórico de Salvador, Bahia. A obra se alimenta dos restos de mais de 15 reformas e demolições realizadas na região metropolitana da cidade.

Casarão 28 / Naia Alban - Imagem 30 de 41
Planta - Térreo
Casarão 28 / Naia Alban - Imagem 37 de 41
Corte BB

Breve Contexto
Datado da segunda metade do século XVIII, o casarão localizado na Travessa Vidal da Cunha, no coração da cidade de Salvador, pertencia a Santa Casa de Misericórdia da Bahia e estava em ruínas quando foi adquirido pelos proprietários em um leilão organizado pela instituição em 2005.

Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Exterior, Janela, Fachada, Urbano
© Manuel Sá

Situado sobre a escarpa que define o frontispício de Salvador, está inserido na poligonal de tombamento do Centro Histórico instituída pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1984 e reconhecida como Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em 1985.

Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Mesa, Madeira, Viga
© Manuel Sá

À época da sua aquisição, era o último edifício do trecho entre a Praça Municipal, núcleo fundacional da primeira capital do Brasil, e a Praça Castro Alves, local emblemático no imaginário da capital baiana, cuja leitura das suas características originais ainda estava relativamente preservada, por isso o projeto passou por um longo processo de análise junto aos órgãos de patrimônio até sua aprovação.

A reestruturação do casarão procura conciliar a preservação da memória arquitetônica da cidade com as adequações necessárias à qualificação para o uso contemporâneo da habitação.

Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Cozinha, Mesa, Cadeira, Janela, Viga
© Manuel Sá

Projeto
Os apartamentos que compõem o projeto, possuem áreas de 70m² e 55m² e são pensados a partir de uma planta aberta que prioriza a vista para o Forte de São Marcelo e a Baía de Todos os Santos. Um mínimo de elementos compõem a intervenção que, sempre que possível, utiliza os recursos fornecidos pela preexistência. No primeiro apartamento, um grande pano de esquadrias garante a ventilação natural, no segundo, a espessura do muro de pedra da fachada original garante inércia térmica. A ausência de forros (um recursos incomum por expor a laje pré-fabricada) e a tubulação elétrica exposta tem intenção estética e ecológica: o projeto é feito pensando em uma possível desmontagem futura. O conceito de design para desconstrução leva à escolha da carpintaria como ofício principal da obra (poucas uniões químicas e uma grande possibilidade de reaproveitamento futuro).

Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Cozinha, Mesa, Cadeira, Viga
© Manuel Sá
Casarão 28 / Naia Alban - Imagem 32 de 41
Planta - 1o Subsolo
Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Cozinha, Mesa, Cadeira, Janela, Balcão
© Manuel Sá

A materialidade encontrada no casarão histórico é peça fundamental do projeto. Desde as texturas das alvenarias centenárias até parte dos materiais originais que ainda apresentavam certo grau de integridade e que compunham sua estrutura mural vem sendo incorporados ao projeto que conta também com a inserção de elementos de reuso advindos de outras edificações.

Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Sala de Jantar, Mesa, Janela, Viga, Cadeira
© Manuel Sá

A madeira, que tinha um papel estruturante, tanto nos andares como na cobertura, vem redefinindo os espaços internos. Também os tijolos, ladrilhos hidráulicos, grades antigas, portas e marcos, com suas ferragens, estão sendo ressignificados em um demorado e cuidadoso processo de transformação.

Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Cadeira, Mesa, Prateleira, Janela, Viga
© Manuel Sá
Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Janela, Viga
© Manuel Sá

O trabalho artesanal de carpinteiros e serralheiros permite a recuperação dos elementos encontrados. Ao invés de uma obra necessariamente econômica, o que se propõe é uma inversão do orçamento de arquitetura tradicional – gastar mais com trabalho, e menos com materiais e suas extrações. Os interiores, nesse sentido, apresentam um protótipo do que seria possível em um ideal de economia circular.

Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Viga
© Manuel Sá

Reuso
O reuso de materiais nos apartamentos do Casarão 28 permitiu reduzir as emissões relacionadas ao transporte. A maioria dos elementos reutilizados no projeto percorreram distâncias inferiores a 10km entre desmontagem e reinserção (seus equivalentes novos provavelmente percorreriam trajetos interestaduais ou internacionais, considerando que grande parte dos elementos industrializados é produzido na Ásia). Os custos ambientais relacionados aos processos industriais também foram reduzidos (algo que não aconteceria caso houvesse optado por elementos reciclados); menos matérias-primas foram extraídas e, finalmente, reduziu-se a quantidade de descarte em uma escala urbana (ao permitir um novo ciclo de vida ao que seria lixo). O fornecimento de materiais para obra, assim como a consultoria para solucionar parte das reinserções foram feitos pela Arquivo – empresa que desde 2020 tem se dedicado à desmontagem de imóveis e à comercialização de elementos viáveis para reuso.

Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Tijolo, Janela
© Manuel Sá
Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Tijolo, Viga
© Manuel Sá

O resultado da intervenção fala sobre uma cidade que descarta muito (e praticamente não recicla). Os materiais reutilizados não são tecnicamente inferiores – pelo contrario, o “lixo"da cidade é frequentemente nobre. As esquadrias incorporadas à fachada do primeiro apartamento a ser finalizado, por exemplo, vieram do retrofit da fachada de um edifício nobre da cidade, construído nos anos 70 e permitir um novo ciclo de vida a essas esquadrias de peroba rosa (uma madeira de corte proibido atualmente) com menos de 50 anos de uso era imperativo. O mesmo pode ser dito do tabuado do palco de um dos principais teatros da cidade, reincorporado nos dois decks que elevam a vista dos moradores para uma relação mais próxima com o mar; para além da perspectiva ecológica, trabalhar com reuso permitiu resgatar também parte da memória de uma cidade em transformação.

Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Viga
© Manuel Sá
Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Janela, Viga
© Manuel Sá
Casarão 28 / Naia Alban - Imagem 41 de 41
Mapa - Materiais
Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Dormitório, Janela, Viga
© Manuel Sá
Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores, Dormitório, Janela, Viga, Corrimão
© Manuel Sá

Sempre que possível, o projeto optou pelo reuso. Essa decisão implicou em uma mudança no modo de pensar a arquitetura, uma vez que as imagens prontas (renders) tiveram que abrir espaço a desenhos que permitissem uma flexibilidade de execução a partir do que fosse encontrado. A Arquivo foi responsável por encontrar elementos que se enquadrassem no “projeto-base”, a exemplo das grades de um antigo teatro que foram reinseridas como divisão entre a garagem e a circulação dos apartamentos. Onde opções de reuso não foram encontradas (o revestimento dos pisos é o principal exemplo) novos materiais tiveram de ser inseridos.

Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Interiores
© Manuel Sá

Materiais novos custam. A extração de matérias-primas, os processos industriais, os trechos de transporte – entre extração, fábrica, fornecedor e obra – e a instalação tem impactos ambientais significativos. Como, ao contrário das emissões relacionadas ao consumo de energia, o custo ambiental dos elementos é pago “à vista”– acontece antes da etapa de ocupação – o carbono incorporado (aos elementos) termina tendo mais relevância quanto mais jovem for um edifício. Emissões de carbono incorporadas representam, para um edifício de 10 anos, 73% dos lançamentos totais. Em um planeta que, nos próximos 30 anos, precisa zerar suas emissões, reduzir a produção de elementos é essencial.

Casarão 28 / Naia Alban - Fotografia de Exterior, Urbano, Fachada, Janela, Arco
© Manuel Sá

Galeria do Projeto

Ver tudoMostrar menos
Sobre este escritório
Cita: "Casarão 28 / Naia Alban" 26 Mar 2023. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/997680/casarao-28-estudio-anagrama> ISSN 0719-8906

¡Você seguiu sua primeira conta!

Você sabia?

Agora você receberá atualizações das contas que você segue! Siga seus autores, escritórios, usuários favoritos e personalize seu stream.