Conheça os vencedores do concurso para o reuso da ruína romana da Piscina Mirabilis

Conheça os vencedores do concurso para o reuso da ruína romana da Piscina Mirabilis

Piscina Mirabilis é um reservatório subterrâneo construído pelo imperador Augusto no século I d.C. com o principal objetivo de armazenar água potável para abastecer o quartel-general do exército romano. Conformado por uma série de galerias, pilares e arcos, a estrutura regular da Piscina Mirabilis foi escavada em uma montanha de rocha calcária localizada próxima ao porto de Nápoles. Assemelhando-se à um labirinto, mas composta por uma estrutura ortogonal de forma retangular, o reservatório abobadado possui 15 metros de altura total, 72 metros de comprimento, 25 metros de largura e 48 pilares.

Segundo Lugar - Alessandro de Cadilhac, Lorenzo Gaveglio. Imagem Cortesia de Re-Use Italy
Segundo Lugar - Alessandro de Cadilhac, Lorenzo Gaveglio. Imagem Cortesia de Re-Use Italy

Como uma grande cisterna escavada na rocha, a Piscina Mirabilis foi construída justo ao lado do Lago Miseno, aonde a armada romana ficava estacionada. Localizada na margem leste do lago, a estrutura do reservatório foi escavada no topo de um antigo vulcão que não está mais ativo. Durante a erupção do Vesúvio — não muito distante dali — em 79 d.C., Plínio o Velho, escritor e naturalista romano assim como seu filho, Plínio o Jovem, estavam ancorados no famoso Lago Miseno, lugar utilizado também como cenário para a rodagem do filme Ben Hur.

“Re-use as Ruínas Romanas” foi um concurso organizado pela Re-Use Italy, no qual eles convidaram os participantes a repensar este espaço subterrâneo, transformando-o em um novo Museu de Arte Contemporânea.

Os projetos selecionados pelo júri, como vencedores do concurso “Re-use as Ruínas Romanas”, demonstraram um profundo conhecimento sobre este magnífico artefato histórico, provando ter consciência da sua complexidade e respeito por sua importância histórica e cultural. As propostas vencedores nos mostram que, até mesmo através de uma intervenção contemporânea, é possível tanto contemplar a preservação do passado quanto a construção de uma nova narrativa que seja capaz de trazer a estrutura subterrânea da Piscina Mirabilis de volta à vida.

Primeiro Lugar - Simone Baccaglini, Marco Agosti. Imagem Cortesia de Re-Use Italy
Primeiro Lugar - Simone Baccaglini, Marco Agosti. Imagem Cortesia de Re-Use Italy

Composto por uma equipe multidisciplinar, o júri do concurso contou com a participação do Fala Atelier (Filipe Magalhães, Ana Luisa Soares e Ahmed Belkhodja), DNA Architecture (Xu Tiantian), KooZA / rc (Federica Sofia Zambeletti), Openfabric (Francesco Garofalo), Fernando Guerra, Enorme Studio (Carmelo Rodríguez e Rocío Pina ), Peter Guthrie, SET Architects (Lorenzo Catena, Onorato di Manno e Andrea Tanci) e claro, nós do ArchDaily (Diego Hernandez). A classificação  final enumera 206 projetos dignos de nota, uma lista composta por equipes de mais de vinte países diferentes.

Terceiro Lugar - Maura Pinto, Piervito Pirulli. Imagem Cortesia de Re-Use Italy
Terceiro Lugar - Maura Pinto, Piervito Pirulli. Imagem Cortesia de Re-Use Italy

A proposta deste concurso, fundamentalmente preocupada em ressignificar esta estrutura histórica de quase dois mil anos de idade, foi pensada para mostrar ao mundo que sim, é possível dar um novo uso para a Piscina Mirabilis, sem no entanto, abafar o seu valor histórico e cultural. Em seu artigo “Construir, Habitar, Pensar”, Martin Heidegger defendeu — através de uma abordagem fenomenológica — que a finalidade principal de um edifício é ser habitado e que as estruturas construídas pelo homem adquirem sentido através de seu uso e apropriação. Isso significa dizer que, um edifício está vivo somente e quando ele serve à um propósito. Desta forma, a ideia de re-utilizar o passado nasce de um desejo nosso de trazer estas ruínas de volta à superfície. No que se refere à estrutura da própria Piscina Mirabilis, este reservatório foi tão bem construído que, apesar de ter sido abandonado à séculos ele continua de pé, impressionando a todos por sua beleza. Uma estrutura complexa que nos permite preenchê-la novamente, não com água, mas com novos usos que a façam perdurar por mais séculos e séculos, servindo — ou adaptando-se — às novas necessidades da vida contemporânea. É por isso que, em nosso ponto de vista, é preferível re-utilizar uma ruína do que construir um anexo à ela — obviamente, sempre quando possível. Reutilizar ruínas com novas funções, respeitando suas características originais e respondendo às necessidades de nosso tempo e espaço, é aquilo que a nossa geração pode fazer de melhor por uma estrutura como esta..

Este concurso foi organizado pela Re-Use Italy

Primeiro Lugar - Simone Baccaglini, Marco Agosti

Primeiro Lugar - Simone Baccaglini, Marco Agosti. Imagem Cortesia de Re-Use Italy
Primeiro Lugar - Simone Baccaglini, Marco Agosti. Imagem Cortesia de Re-Use Italy

Segundo Lugar - Alessandro de Cadilhac, Lorenzo Gaveglio

Segundo Lugar - Alessandro de Cadilhac, Lorenzo Gaveglio. Imagem Cortesia de Re-Use Italy
Segundo Lugar - Alessandro de Cadilhac, Lorenzo Gaveglio. Imagem Cortesia de Re-Use Italy

Terceiro Lugar - Maura Pinto, Piervito Pirulli

Terceiro Lugar - Maura Pinto, Piervito Pirulli. Imagem Cortesia de Re-Use Italy
Terceiro Lugar - Maura Pinto, Piervito Pirulli. Imagem Cortesia de Re-Use Italy

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Sobre este autor
Cita: Hernández, Diego. "Conheça os vencedores do concurso para o reuso da ruína romana da Piscina Mirabilis " [The Winners of Re-use The Roman Ruin: Piscina Mirabilis ] 17 Set 2020. ArchDaily Brasil. (Trad. Libardoni, Vinicius) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/947485/conheca-os-vencedores-do-concurso-para-o-reuso-da-ruina-romana-da-piscina-mirabilis> ISSN 0719-8906

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