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Clássicos da Arquitetura: Caixa D’água de Olinda / Luiz Nunes

Clássicos da Arquitetura: Caixa D’água de Olinda / Luiz Nunes

Uma caixa, branca, atravessa o céu de Olinda.

Sobre o topo da colina, no local escolhido para fundação da cidade, de onde se avista toda o sítio urbano e o mar, num espaço vacante entre a Sé e a Casa de Câmara, foi plantada uma semente da arquitetura moderna no Brasil.

© João Serraglio © João Serraglio © João Serraglio © João Serraglio + 7

Um grande prisma de planta retangular serve de base ao conjunto, retificando o terreno delicadamente desnivelado. Esse desnível se acumula, permitindo que na cota mais baixa do terreno aberturas ofereçam acesso ao interior do sólido, onde funcionam banheiros públicos, que servem aos usuários do espaço do sítio histórico.

© João Serraglio
© João Serraglio

Nesse ponto, a solidez monolítica do edifício é negada, quando as aberturas dos banheiros fluem para a praça, o que nos leva a desconfiar que o edifício tenha sido implantado dessa forma para delimitar o vazio que o rodeia.

© João Serraglio
© João Serraglio

Sobre esse volume, um espaço aberto, tal qual praça elevada, artifício que viria a ser reiterado pelo modernismo brasileiro.

Na sequência, em direção ao céu, elevado da base por pilotis de planta retangular, se eleva a caixa.

Reservatório d'Água de Olinda <a href='http://www.arquigrafia.org.br/photos/724'> © Carlos Alberto Cerqueira Lemos via Arquigrafia </a> Licença CC BY-NC 3.0
Reservatório d'Água de Olinda © Carlos Alberto Cerqueira Lemos via Arquigrafia Licença CC BY-NC 3.0

Trata-se de um cubo branco com altura equivalente a um edifício de seis pavimentos. Duas fachadas cegas servem como moldura para as fachadas protegidas por cobogós. As fachadas cegas protegem as escadas que dão acesso aos pavimentos, enquanto nas outras fachadas, todo o prisma, com exceção do primeiro piso, tem vedação através desses blocos vazados, que protegem corredores internos que circulam as paredes da caixa d’água propriamente dita.

O caráter de monólito da torre é atenuado pela pele de cobogós, que dá permeabilidade a fachada.

© João Serraglio
© João Serraglio

Esse intervalo entre a fachada externa e a parede da caixa-d’água evita a incidência direta da radiação solar nas paredes do reservatório e garante a ventilação natural, recuperando o objetivo do mashrabiya árabe: o de armazenar a água em local protegido da luz, mas ventilado, buscando manter o seu frescor.

No ponto mais alto do sítio histórico, ainda mais alto que as torres das catedrais, os homens do nosso tempo inscreveram essa máquina-caixa, manifestação do respeito pelos sistemas que fazem possíveis as cidades e a vida, num estado assolado pela falta d’água em toda a região do semi-árido.

Tem uma caixa d’água sobre os telhados de Olinda.

Olinda, Brasil
  • Arquitetos Autores deste projeto de arquitetura Luiz Nunes

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Localização do Projeto

Endereço: R. Bpo. Coutinho, 126, Olinda - PE, 53120-130, Brasil

Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato.
Sobre este escritório
Cita: João Serraglio. "Clássicos da Arquitetura: Caixa D’água de Olinda / Luiz Nunes" 20 Ago 2018. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/900315/classicos-da-arquitetura-caixa-dagua-de-olinda-luiz-nunes> ISSN 0719-8906

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