
O Que Eu Sou constitui a segunda apresentação da Coleção de Arte Fundação EDP no MAAT. Dentro de um ciclo de olhares temáticos sobre peças significativas da arte portuguesa contemporânea, esta nova seleção leva o público a entrar na vida e na obra dos artistas, revelando os espaços mais íntimos e menos conhecidos do processo criativo e demonstrando como os mundos objetivo e subjetivo contaminam a arte. Aponta-se, deste modo, para temáticas inerentes à relação complementar e paradoxal entre a definição do «Eu» autobiográfico e da identidade, as ligações entre percurso biográfico e artístico, mas também para ideias de arte, vida e suas respetivas intersecções. Adotando o título de um poema de Teixeira de Pascoaes (1877-1952), a exposição proporciona novas leituras sobre a dimensão autobiográfica e autorreferencial da criação artística, focando tanto o momento presente, como as ressonâncias que advêm da relação histórica entre a arte e a vida.
O Que Eu Sou apresenta mais de 40 obras organizadas em núcleos permeáveis. Algumas das obras aqui reunidas mostram encenações do corpo do artista e performances para a câmara que, num jogo ambíguo e sedutor entre realidade e ficção, exploram relações entre perceção, identidade e autorrepresentação. Outras peças confirmam a interdependência entre a construção do «Eu» e a memória autobiográfica. Álbuns de família, diários visuais e registos do espaço do atelier ou do quotidiano citadino, são utilizados para construir narrativas e ficções, contadas e vivenciadas na primeira pessoa. Outros trabalhos revelam uma dimensão onírica e um inconsciente ancorado num vocabulário singular, entre o visível e o invisível, o universal e o particular. Histórias de mundos reinventados, autobiografias contaminadas pela ficção e vice-versa, ecos da infância e a banalidade do quotidiano surgem aqui como um território privilegiado para experiências estéticas e artísticas.
