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Clássicos da Arquitetura: Residência Recife / Severiano Porto

Clássicos da Arquitetura: Residência Recife / Severiano Porto
Clássicos da Arquitetura: Residência Recife / Severiano Porto, © Humberto Barata Neto
© Humberto Barata Neto

© NPD-Núcleo de Pesquisa e Documentação da UFRJ © Humberto Barata Neto © Humberto Barata Neto © Humberto Barata Neto + 18

Por Marcos Cereto

O lote em esquina obtusa localiza-se na Avenida Mário Ypiranga (antiga rua Recife, 1762) com a Alameda Luis Mendes em Manaus. Com poligonal irregular, o terreno deriva da união de um leque com dois retângulos com área aproximada de 650 m2. O edifício estava locado na orientação norte-sul na porção ortogonal junto ao limite Oeste. Na porção irregular do lote ao Leste, vegetação. O volume estava organizado em três partes: um paralelepípedo com dois pavimentos no Leste, outro térreo no Oeste e um Átrio que articulava a composição. No volume ao Leste do terreno, dez colunas colossais em itaúba com 0,40m de diâmetro distantes 4,20m no sentido norte-sul por 5,20m sustentavam a coberta em uma água com telhas Brasilit. Na fachada Leste, um beiral de 2,50m protegia as réguas horizontais em cedro que uniam as colunas. No volume térreo ao Oeste, o bloco de serviços em alvenaria de tijolos cerâmicos com cobertura em uma água e beiral de 1,20m.

O acesso ocorria via Alameda Luis Mendes pela fachada Norte após cruzar o pilotis e o Abrigo para Carro definido pelo intercolúnio. Ao ingressar no Hall, à esquerda, a Sala de Estar, em frente à Escada e o Pátio Interno com Jardim. Com um giro de 90 graus para direita, nove peças de maçaranduba lavrada com 0,30m em seção quadrada e espaçadas com basculantes em vidro amarelo de piso a teto e a conexão com a Sala de Jantar, com a Varanda Íntima e o Bloco de Serviços. A Sala de Estar, com 3,0m de largura por 9,80m de profundidade, em piso cerâmico amarelo queimado 0,30x0,15m. Junto ao Leste, 3 nichos para armários e mais 18 peças de maçaranduba lavrada com basculantes de vidro amarelo de piso a teto. No fundo da Sala de Estar, uma porta de correr com três folhas em madeira integrava a Varanda. A Escada de madeira com dois lances em sentidos opostos separados entre si tinha uma das colunas colossais da coberta. Os 7 degraus sem espelho distribuídos em cada lance com largura de 1,00 m, estavam inseridos em duas peças laterais que distribuíam os lances no patamar e nos pavimentos. As seções eram robustas. O patamar dobrado apoiado no muro de pedra  delimitava a área com o Estar Íntimo e era apoiado por 3 pilares em itaúba com altura variada e menor com o mesmo diâmetro das colunas colossais. Na sequência, o Pátio Interno descoberto com um jardim unia visualmente as partes do edifício. Outra coluna colossal estava no jardim que estava entre os caibros. No fechamento do Pátio Interno, três painéis com 22 fiadas por oito de elementos vazados de concreto de 0,20x0,20m separados entre si por pilares de concreto. Após passar pela Escada, a Sala de Jantar em pé-direito duplo. Na sequência, a Varanda Íntima com 2,50m de largura por 7,50m de profundidade com elementos vazados de concreto em parte da fachada oeste e conexão com o exterior por porta de correr com três folhas em madeira. Na direita, Lavabo, Cozinha, Depósito, Área de Serviço com Banheiro e Quarto de Empregada.

Planta de Situação. Image © NPD-Núcleo de Pesquisa e Documentação da UFRJ
Planta de Situação. Image © NPD-Núcleo de Pesquisa e Documentação da UFRJ

No segundo pavimento, contrastes entre o aberto e o fechado, o coberto e o descoberto, o claro e o escuro, definiam as três partes da planta. Uma faixa com duas Suítes ao Leste, outra com Sala Íntima para Oeste e uma Passagem (passarela) junto a Escada e o Pátio Interno que conectava as duas partes. Nas Suítes sobre a Sala de Estar, a reclusão e a tradição. A compartimentação em espaços reduzidos adequados ao uso reduzia a necessidade do ar condicionado e permitia a utilização da rede de armar. Os ventos predominantes no quadrante nordeste permitiam a desejada ventilação cruzada no clima equatorial. As vedações eram artesanais em pranchas de sucupira preta, amarela e vermelha. Os pilares e vigas em maçaranduba com seção quadrada de 0,30m com piso em tábuas de aguano de 0,75x0,30 m. Alvenaria de tijolos cerâmicos e lajes de concreto somente nos banheiros. Na Sala Íntima, sobre a Varanda Íntima, as relações visuais em níveis distintos permitiam a amplitude espacial da casa com hierarquia. A vedação era em Alvenaria de tijolos cerâmicos com pilares e vigas em maçaranduba e o piso em tábua de aguano. No Átrio entre as duas faixas, a integração espacial e a modernidade. A ventilação cruzada era permanente. A luz filtrada pelos elementos vazados no Sul, a luz direta do zênite pelos caibros da coberta e a luz amarela das venezianas de vidro no Norte eram transformadas em distintas paletas de cores nas madeiras empregadas, no piso amarelo e na vegetação do jardim. A casa recebeu o Prêmio Marcello Roberto pelo IAB-GB em 1971 e ampliou o debate sobre a diversidade da arquitetura moderna brasileira.

A casa foi vendida pelo arquiteto para a Construtora Cristal Engenharia e demolida em 2003. As peças em madeira e os elementos vazados de concreto foram desmontados, catalogados e registrados pela construtora e doados para o IAB-AM para a construção da futura sede. O IAB -AM não sabe informar onde estão as peças da casa. Os arquitetos Roberto Moita, Marcos Cereto, Laurent Troost, Marcelo Borborema e Vitor Pessoa iniciaram um grupo para a viabilizar a reconstrução.

Marcos Cereto é professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Tecnologia da Universidade Federal do Amazonas (FT-UFAM)

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Cita: Marcos Cereto. "Clássicos da Arquitetura: Residência Recife / Severiano Porto" 19 Out 2016. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/797549/classicos-da-arquitetura-residencia-recife-severiano-porto> ISSN 0719-8906