O site de arquitetura mais visitado do mundo
Tudo
Projetos
Produtos
Eventos
Concursos
  1. ArchDaily
  2. Projetos
  3. Museu
  4. Estados Unidos
  5. Peter Eisenman
  6. 1989
  7. Clássicos da Arquitetura: Centro de Artes Wexner / Peter Eisenman

Clássicos da Arquitetura: Centro de Artes Wexner / Peter Eisenman

Clássicos da Arquitetura: Centro de Artes Wexner / Peter Eisenman
Clássicos da Arquitetura: Centro de Artes Wexner / Peter Eisenman, © Flickr user OZinOH
© Flickr user OZinOH

Antes mesmo de ser concluído, o crítico do New York Times, Paul Goldberger apelidou o Centro de Artes Wexner como "O Museu que a teoria construiu." [1] Levando em conta o seu arquiteto, esse epíteto não foi uma surpresa ;Peter Eisenman, responsável pelo projeto, tinha passado a maior parte de sua carreira destilando a forma arquitetônica em uma ciência teórica. Foi com enorme expectativa que este edifício, a primeira obra pública importante da carreira de Eisenman, foi inaugurado em 1989. Para alguns, o projeto anunciou uma validação do desconstrutivismo e teoria, enquanto os seus problemas forneceram munição para outros que viam teoria e prática como atividades complementares, mas divergentes. A recepção popular do edifício foi igualmente mista, mas sua influência e intriga na comunidade acadêmica foi tão pronunciada e inconfundível como o próprio projeto.

© Flickr user joevare © Flickr user plemeljr © Flickr user joevare © Flickr user joevare + 12

Localizado na margem leste do campus da Universidade do Estado de Ohio, o Centro Wexner foi construído para acomodar um espaço multidisciplinar para a exploração e exposição de arte contemporânea. A comissão de U$ 43 milhões foi objeto de um concurso em 1983 que contou com Eisenman, Michael Graves, Cesar Pelli, Kallmann McKinnell & Wood, e Arthur Erickson como os finalistas. Para surpresa de muitos, Eisenman venceu a competição. Apesar de sua relativa inexperiência com edifícios de grande escala, sua escolha resultou em publicidade para o museu. Seu nome, amplamente respeitado, apoiou, por si só, a abertura do museu, que nem sequer apresentou obras de arte com o intuito de não distrair a arquitetura. [2]

© Flickr user joevare
© Flickr user joevare
© Brad Feinknopf
© Brad Feinknopf

Em seu conceito e processo, o Centro Wexner é uma ilustração exemplar da abordagem única de Eisenman à arquitetura. Embora não totalmente desconectado de seu contexto, o edifício é na sua maior parte uma obra de auto-realização e autônoma, criando o seu próprio processo metodológico único e auto-suficiente e seu vocabulário arquitetônico. O museu pretende não fazer apologias por suas heterodoxias; citações históricas referenciam as tradições arquitetônicas apenas para rejeitá-las corajosamente. Dispositivos formais privados de propósito funcionais negam convenções espaciais. E uma série de momentos deliberadamente estranhos e discordantes complicam a intersecção de espaço construído com sua ocupação humana. Para Eisenman, estes estão entre os grandes sucessos do edifício, uma vez que manifestam o discurso de emancipação desconstrutivista de forma atualizada.

© Flickr user joevare
© Flickr user joevare

Como em grande parte da obra de Eisenman, os fortes sistemas de grids dominam a linguagem formal do edifício. Os grids urbanos da cidade de Columbus e da universidade, ligeiramente decentralizados entre si, sobrepõem-se no âmbito do projeto. Os 12,5 graus de variação entre os dois resultam de uma rotação axial dentro do museu, com elementos tectônicos correspondentes criando momentos dissonantes de intersecção, enquanto os dois sistemas competem pela supremacia. As collages de Eisenman, preparadas para descrever visualmente o projeto, ilustram a tensão dos grids concorrentes e deleitam-se com uma ambiguidade intersticial que encontra imitação no próprio edifício. Como uma campanha de marketing, tudo isso equivale a uma interação inteligente do campus com a comunidade, mas também como uma estratégia de arquitetura, criando uma alegoria formal, a partir da qual vários sistemas do edifício são capazes de emergir.

Collage © Peter Eisenman
Collage © Peter Eisenman
Collage © Peter Eisenman
Collage © Peter Eisenman

Através do núcleo do edifício está a característica mais reconhecível do Centro Wexner: uma estrutura de andaime de 165 metros de comprimento que extruda o sistema planar em uma matriz tridimensional. Expostas e parcialmente descobertas, deliberadamente aparentam estarem incompletas, repudiando ideias preconcebidas de sólidos e vazios, assim como propriedades fixas de arquitetura. Enquanto isso costura as funções do edifício como um eixo de circulação, desempenha um papel espacial mais importante ao delinear e projetar a organização em todo o lote. As inter-relações resultantes encontram expressão nos contornos das estruturas adjacentes e no paisagismo, surpreendentemente recordando as construções esquemáticas do contemporâneo Centro Getty, em Los Angeles, de Richard Meier.

© Flickr user joevare
© Flickr user joevare
Perspectiva Axonométrica © Peter Eisenman
Perspectiva Axonométrica © Peter Eisenman

Outro destaque no museu é um conjunto de torres de tijolos vermelhos que se chocam dramaticamente com a estética hiper-moderna dos andaimes. São alusões a um depósito de armas, de estilo medieval, que foi demolida para dar lugar ao museu, um tributo estranho para o lado destrutivo da construção. Mais significativamente para a arquitetura, são elementos fragmentados da historicidade, divididos e esculpidos para além de uma forma que renuncia a importância do precedente muito mais do que honra isso. Eles são uma parte da amálgama complexa de elementos e citações que dão ao edifício cada parte do sentimento de collage, refletindo nos desenhos de Eisenman.

© Flickr user Le Souris
© Flickr user Le Souris
© Flickr user plemeljr
© Flickr user plemeljr

Após a conclusão do museu, o edifício foi assolado com uma série de questões construtivas e de projeto que mancharam sua imagem pública. Infelizmente, para desconstrutivistas em toda parte, essas falhas pareceram ser o resultado de um projeto ambicioso com um desrespeito intencional às considerações práticas de arquitetos tradicionais - um axioma fundamental da doutrina. Em 2003, o edifício passou por uma reforma invasiva por três anos, apenas 14 anos após sua inauguração. Após mais de 25 anos, parece que a maioria desses problemas foram superados. A história, no entanto, deve continuar a lembrar-nos no contexto deste grande museu como um testamento para o preço da tradução entre teoria e realização.

Implantação © Peter Eisenman
Implantação © Peter Eisenman

[1] Goldberger, Paul. “The Museum That Theory Built.” The New York Times, 5 Nov. 1989. Retirado em 05 de outubro de 2014 de http://www.nytimes.com/1989/11/05/arts/architecture-view-the-museum-that-theory-built.html?src=pm&pagewanted=2.

[2] Id.

Ver a galeria completa

Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato.
Sobre este escritório
Cita: Langdon, David. "Clássicos da Arquitetura: Centro de Artes Wexner / Peter Eisenman" [AD Classics: Wexner Center for the Arts / Peter Eisenman] 15 Ago 2016. ArchDaily Brasil. (Trad. Souza, Eduardo) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/793327/classicos-da-arquitetura-centro-de-artes-wexner-peter-eisenman> ISSN 0719-8906

¡Você seguiu sua primeira conta!

Você sabia?

Agora você receberá atualizações das contas que você segue! Siga seus autores, escritórios, usuários favoritos e personalize seu stream.