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Projeto brasileiro recebe menção honrosa no Concurso ''Pensar la Vivenda, Vivir la Ciudad''

Projeto brasileiro recebe menção honrosa no Concurso ''Pensar la Vivenda, Vivir la Ciudad''
Projeto brasileiro recebe menção honrosa no Concurso ''Pensar la Vivenda, Vivir la Ciudad'', Masterplan - Perspectiva Área. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Masterplan - Perspectiva Área. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

Um grupo de estudantes da Universidade Federal do Paraná foi a única equipe brasileira premiada no concurso ''Pensar la Vivenda, Vivir la Ciudad'', promovido pela ONU HABITAT - Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos. Com um projeto que discute como o morar, o produzir e o consumir podem conviver juntos desde a escala da cidade até a habitação, os alunos foram premiados com uma Menção Honrosa.

concurso "se desenvolve no âmbito dos debates contemporâneos acerca das cidades e o problema central de hábitat, promovendo a busca de estratégias que incorporem modelos urbanos inovadores de moradia com maior densidade, sustentabilidade e qualidade de vida. Encoraja o intercâmbio e a promoção de projetos acadêmicos formulados por estudantes de universidades latino-americanas, que contribuam com ideais novas para a cidade e para as formas que adota seu desenvolvimento na região."

Apresentamos, a seguir, o projeto dos alunos Andre da Soler, Gustavo Cândido de Jesus Paris, Julia Brasil Queiroz, Leticia Domingos Vellozo, Luca De Rossi Fischer, Lucas de Carvalho Turmena e Mônica Alessandra Guerios, orientados por Mariana Bonadio. 

VIVER UMA CIDADE DO FUTURO

Área de Intervenção. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Área de Intervenção. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

O inchaço populacional nas cidades é, dentre outros fatores, propulsor da periferização das camadas sociais mais pobres. Esta característica, além de alienar parte da população urbana da infraestrutura e recursos básicos para sobrevivência, também impulsiona o aumento da demanda por alimentos e, consequentemente, por terras cultiváveis. Não há, no entanto, relação de complementariedade entre os meios rural e urbano, mas sim de dualidade competitiva. Assim, apesar da produção mundial de alimentos ultrapassar a demanda total, estes produtos não chegam à mesa das populações mais pobres. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2013, 20,5% dos lares urbanos brasileiros convivem com algum tipo de insegurança alimentar. Para além do Brasil, calcula-se que, atualmente, 800 milhões de pessoas sofram de fome crônica. Esta situação expõe a incapacidade dos sistemas alimentares atuais em sanar os problemas de abastecimento.

Masterplan - Cidade X Campo. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Masterplan - Cidade X Campo. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

Como resposta a estes problemas, propõe-se aqui um espaço urbano onde convivam o morar, o produzir e o consumir, e em que a relação entre comunidade, cidade e meio ambiente ocorra de maneira equilibrada.

Pespectiva Centro de Distriubuição. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Pespectiva Centro de Distriubuição. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

A estratégia de enfrentamento às questões mencionadas é abordada em diferentes escalas: habitação, assentamento e município. O elemento articulador utilizado é a agricultura urbana, através do conceito de CPUL – Continuous Productive Urban Landscapes –, que propõe a utilização do desenho urbano como gerador de uma paisagem produtiva contínua, conectando espaços públicos e privados por meio da produção de alimentos e incentivando a criação de sistemas locais de economia circular.

Masterplan - Princípios. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Masterplan - Princípios. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

Ao analisar a paisagem da cidade de Curitiba, escolhida para aplicação da proposta, foram identificados elementos que permitissem a criação de uma rede de áreas verdes produtivas, capaz de articular todo o município. Tais localidades são leitos de rios, faixas de domínio de vias férreas e rodovias, espaços sob linhas de alta tensão, etc. Ao propor uma cidade integrada por um sistema de áreas verdes, o meio urbano assume o caráter de um complexo ecossistema, onde os recursos retornam de maneira cíclica para o meio ambiente, revertendo a lógica das cidades atuais. Assim, se possibilita a descentralização de sistemas de abastecimento da vizinhança, apelando para seu atendimento local. Na escala da vizinhança, valoriza-se o senso de comunidade desta a partir de seu controle sobre a cadeia produtiva, o que lhes garante soberania sobre o espaço e sua alimentação. A aproximação da população com estes processos propicia um uso mais racional dos recursos, reduzindo deslocamentos e gastos bioenergéticos, resultando em uma cidade mais compacta, sustentável e acessível.

Masterplan - Economia Circular. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Masterplan - Economia Circular. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

MASTERPLAN

Macrozoneamento. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Macrozoneamento. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

O local escolhido para detalhamento da proposta foi a Vila Torres, situada às margens do Rio Belém e a apenas 3 Km do centro de Curitiba. O acesso físico aparentemente facilitado, porém, não ameniza a barreira social entre a comunidade e seu entorno, caracterizando sua situação de enclave urbano. A aplicação da proposta na região justifica-se no sentido de alcançar a melhoria da qualidade de vida das famílias que lá residem sem que haja um processo de remoção e de gentrificação, além de promover a recuperação ambiental do Rio Belém e entorno.

Masterplan - Plano. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Masterplan - Plano. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

Para o estabelecimento da habitação coletiva na região através dos princípios norteadores do projeto, foi desenvolvido um Masterplan para a Vila Torres, reorganizando a ocupação atual e propondo um novo modelo de habitação. O desenho da rede viária parte da malha existente nos bairros vizinhos, conectando-se com as principais ligações da cidade, criando integração física e abrindo eixos visuais. A verticalização dos blocos habitacionais libera o solo para produção de alimentos, realização de feiras, instalação de vias cicláveis e transporte coletivo sobre trilhos, bem como para  implantação de wetlands para o tratamento e reutilização de águas e biodigestores para produção de energia a partir de material orgânico. Além disso, essa solução permite maior adensamento populacional na área, fazendo com que a infraestrutura proposta e existente seja plenamente utilizada. Ainda, a instalação desses novos edifícios deve acontecer em etapas, permitindo realocações das famílias dentro da própria região, evitando remoções.

Gráficos e Dados. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Gráficos e Dados. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

Idealmente, a participação plena da comunidade desde o início do processo é premissa para o projeto. Para tanto, como primeiro passo, propõe-se a instalação de um Centro de Distribuição – equipamento multifuncional que assume papel fundamental para a integração comunitária, contemplando espaços para exposição do projeto, reuniões públicas para tomadas de decisão, oficinas para produção de alimento e a própria distribuição destes, sendo todas essas atividades de caráter permanente.

DA CIDADE À HABITAÇÃO, UM SÓ SISTEMA

Vista Geral. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Vista Geral. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

Os mesmos princípios norteadores que conformam o desenho urbano são utilizados no projeto do edifício, o qual soma-se à paisagem através da lógica de fechamento de ciclos de produção e consumo.

Planta Geral. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Planta Geral. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

A fim de garantir a continuidade da população original e o acolhimento de novos moradores para a região, foram desenvolvidos blocos habitacionais que comportassem a nova densidade pretendida. A redução de deslocamentos também é enfatizada pelo compartilhamento do espaço por diferentes usos:  não há restrição para que as unidades do edifício também sejam total ou parcialmente convertidas em usos não habitacionais. A convivência de diferentes atividades se aproxima das relações sociais estabelecidas nos assentamentos informais ou irregulares, dando à comunidade a autonomia para definir as funções necessárias nesse espaço.

Corte Geral. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Corte Geral. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

O princípio de soberania, além da definição de usos, também se expressa no restante do projeto. A planta é originada a partir de um módulo mínimo e de baixo custo, o qual pode ser dividido ou associado a outros módulos livremente, gerando uma vizinhança heterogênea em suas formas e conteúdo social. A cobertura e o térreo não têm funções previamente determinadas, mas seguem as necessidades e desejos da população do edifício. Desta forma, por exemplo, ao nível da rua, tanto podem ser estabelecidos espaços comerciais, recreativos e outros, assim como vagas de estacionamentos para aqueles que precisarem (idosos, pessoas com mobilidade reduzida etc).

Diagrama Soberania do Espaço. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Diagrama Soberania do Espaço. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

Esses espaços oferecem a possibilidade da produção agrícola na escala individual e da família, através de hortas em varandas, na circulação compartilhada e principalmente na cobertura do edifício, onde são estabelecidas hortas comunitárias e estufas, tornando-se a extensão do espaço público e continuidade em menor escala das paisagens produtivas contínuas propostas na escala urbana.

Diagrama Tipologias de Produção. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Diagrama Tipologias de Produção. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

Os espaços livres internos à quadra, além de estabelecer intermédio entre o público e privado, pressupõem a instalação de infraestrutura verde que alie a produção de alimentos, o manejo de águas de reuso e o uso recreativo.

Diagrama Edifício. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Diagrama Edifício. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

O tratamento local de águas servidas se soma à captação de água da chuva, fornecendo a maior parte da água necessária às residências e também à produção de alimentos. Essa descentralização dos sistemas que alimentam o edifício também se expressa na produção local de energias renováveis (através do biogás e painéis solares), abastecimento de alimentos, coleta e tratamento de lixo orgânico. Dessa forma, o projeto prevê maior sustentabilidade à medida que considera todo o ciclo de produção e operação como partes integradas.

Corte Pespectivado. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Corte Pespectivado. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

Na concepção do edifício foi considerada a redução da necessidade de iluminação artificial e de aquecimento através da orientação norte dos módulos habitacionais. Há também o aproveitamento de varandas como anteparos para bloquear o sol no verão, previsão de terraço verde para diminuição de cargas térmicas indesejáveis. A inércia térmica das paredes em alvenaria adequam-se  ao clima curitibano. Por fim, painéis móveis instalados nas varandas proporcionam redução do ofuscamento solar em fins de tarde e no inverno.

Planta Detalhe. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Planta Detalhe. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Corte Detalhe. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Corte Detalhe. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

O uso de materiais pré-fabricados torna a execução da obra mais rápida e com baixo índice de perda de materiais, além de poder utilizar os resíduos de demolição do assentamento prévio como agregado para calçadas e pisos. Essas características são essenciais para todo o projeto, que traz como base conceitual a sustentabilidade e a preocupação em apresentar soluções rápidas e viáveis para a questão da habitação. Para as vedações, o uso do tijolo ecológico proporciona facilidade no assentamento e dispensa uso de argamassa, sendo apenas encaixado.

Masterplan - Esquemas Gerais. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer
Masterplan - Esquemas Gerais. Image Cortesia de Luca De Rossi Fischer

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Cita: Amanda Ferber. "Projeto brasileiro recebe menção honrosa no Concurso ''Pensar la Vivenda, Vivir la Ciudad''" 17 Jul 2016. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/791440/projeto-brasileiro-recebe-mencao-honrosa-no-concurso-pensar-la-vivenda-vivir-la-ciudad> ISSN 0719-8906