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Um passeio virtual pela House #8 de Charles e Ray Eames

  • 07:00 - 21 Agosto, 2015
  • por Frederic Schwarz & Adam Jasper, Archilogic
  • Traduzido por Camilla Sbeghen
Um passeio virtual pela House #8 de Charles e Ray Eames
Este artigo de Realidad Virtual é patrocinado por:
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Eames Case Study House #8, conhecida popularmente como Residência Eames, é apresentada como um caleidoscópio de detalhes. Até hoje é considerada uma das residências mais funcionais da história da arquitetura, sendo seus residentes, os designers Charles e Ray Eames, arquitetos responsáveis pela obra. Eles registraram o dia a dia como uma celebração, os rituais cotidianos de trabalho e a hospitalidade através do uso do vídeo e da fotografia. Este espetáculo da vida oculta mostra que a casa dos Eames era estruturalmente em si mesma uma espécie de teatro. Ao examinar a residência com um modelo Archilogic 3D interativo é possível revelar certos detalhes que passam desapercebidos inclusive para os mais familiarizados com esta obra.

“House: After Five Years of Living (1955).” Imagem via YouTube.com
“House: After Five Years of Living (1955).” Imagem via YouTube.com

A interpretação padrão da Residência Eames foi feita através da sua busca pela humanização do detalhe. O filme “House: after five years of living,” feito pelos Eames em 1955, está centrado nas flores, conchas do mar, obras de arte, tecidos, objetos naturais e artefatos artesanais que enfatizam materiais orgânicos, texturas e rastros do uso pessoal. Criando um contraste com a percepção geral de que as estruturas pré-fabricadas são "frias" e impessoais - uma solução a produção em massa de moradias exigida após a Segunda Guerra Mundial - o filme é "cálido", íntimo, doméstico e tátil. A ênfase na improvisação e na urgência é salientada pela trilha sonora de jazz feita por Elmer Bernstein.

Um passeio virtual pela House #8 de Charles e Ray Eames, Imagem Cortesia de Archilogic
Imagem Cortesia de Archilogic

O filme dos Eames obteve tanto êxito em estabelecer um tom para a interpretação da residência que ainda domina nas leituras que esta possui hoje. O filme oculta a estrutura e se centra na coleção de lembranças, flashes de detalhes em vez de considerar as relações espaciais. Talvez é ainda mais significativa a forma na qual os Eames exploram a capacidade paradoxal da fotografia para capturar a temporalidade. Além de texturas, buscam também sombras, o jogo de luz através das aberturas e os reflexos sobre o vidro polido. O que estranhamente omite este filme é a característica puramente estrutural da casa Eames.

Imagem Cortesia de Archilogic
Imagem Cortesia de Archilogic

Por esta razão, recorrer a uma versão reduzida da Residência Eames em uma realidade virtual se apresenta como um verdadeiro choque. De fato, a estrutura interior da residência é similar a câmera reflex que os Eames utilizavam, inclusive para tirar as fotos da própria casa. 

Livre dos detalhes, a residência se revela como uma estrutura racional. Javier Berzal de Dios* recentemente descreveu como os primeiros teatros renascentistas foram desenhados para que o público dedicasse a mesma atenção ao espetáculo e ao local - essencialmente existem dois cenários, o dos atores e o dos espectadores. A disposição da Casa Eames é similar. Existem dois espaços de pé-direito duplo nos quais se realizam atividades de trabalho e as cotidianas, que podem ser lidos como cenários teatrais. São espaços fotogênicos e visíveis de quase todos os ângulos. Surpreendentemente, os mezaninos chamados de "espaços de armazenamento" do estúdio e do dormitório também funcionavam como espaços teatrais, flutuando sobre o cenário principal. Ambos são palcos para a celebração da vida diária, mesmo o cômodo sendo mais exclusivo, graças ao discreto corrimão da escada caracol que conduz à ela, em contraste com as escadas mais públicas subindo até o mezanino do estúdio. Inclusive os painéis alternados de cores claras e brilhantes instigam o visitante a continuar em um estado de voyeurismo. 

Imagem Cortesia de Archilogic
Imagem Cortesia de Archilogic

Mas, para quem era este teatro? Para os hóspedes do arquiteto. Como disse Charles Eames, "o papel do arquiteto ou do designer é ser um bom anfitrião, cujas energias vão tratar de antecipar as necessidades dos seus clientes"**.Contrariamente, quando atuava como anfitrião, Eames também atuava como um designer. Uma parte na criação de uma arquitetura persuasiva era a atuação da arquitetura para os hóspedes. Na casa Eames, o espaço da vida doméstica reflete o estúdio, a cozinha atua como um doppelgänger no cômodo escuro. Ambos são espaços habitáveis que reúnem atividades cênicas de trabalho, onde as experiências são preparadas a fim de que possam ser relembradas e gravadas simultaneamente: consumida e compartilhada, estimada e distribuída, pública e privada. A Casa Eames era estruturalmente moderna, mas era conceitualmente avançada no seu tempo.

A qualidade teatral é acentuada pelo fato de que a edificação foi utilizada em várias ocasiões como um set para sessões fotográficas de revistas como Life e Vogue. Existe inclusive um curta-metragem pelo Ice Cube que celebra a casa.

"Ice Cube Celebrates the Eames." Imagem via YouTube.com
"Ice Cube Celebrates the Eames." Imagem via YouTube.com

Os Eames não foram os únicos que se deram conta de que a casa de um arquiteto deveria ser um teatro para a arquitetura. A "Glass House" de Philip Johnson, sem dúvida também tinha o mesmo efeito, a arquitetura alterava entre ser o objeto escultórico, flutuando na paisagem e uma moldura para a vista da própria paisagem. A privacidade era uma terceira preocupação, finalmente isto levou Johnson a mudar-se de casa e viver na dos hóspedes, longe da sensação de exibicionismo imposta pelas paredes de vidro. 

Imagem Cortesia de Archilogic
Imagem Cortesia de Archilogic

Do mesmo modo, o sistema "bi-nuclear" de Breuer se desenvolveu a fim de que uma residência doméstica poderia ter um sistema duplo de circulação, um completamente privado (uma série de pequenos cômodos e banheiros) e outro semi-público (cozinha e sala de jantar). A Casa Eames se situa tanto cronologicamente e estruturalmente em um exitoso meio-termo entre Breuer e Johnson. Os dois espaços (anfitriões e privados) estão separados por um pátio, em vez de estar completamente separados estruturalmente (como no caso da casa de vidro e a casa de hóspedes de Jonhson).

Utilizando o modelo desenvolvido por Michael Peguero, em Archilogic, desenvolveu-se um nova leitura visual da Casa Eames que torna a forma mais compreensível. Ao passar da fotografia para a animação 3D, é possível ver a Casa Eames em de uma maneira completamente nova.

Comece o tour pelo modelo acima ou através deste link. A animação guiará você através dos diferentes espaços da obra e finalmente lhe deixará mobiliar sua própria Casa Eames. 

  • No canto inferior esquerdo da tela, o ícone de níveis permitirão escolher entre os dois níveis. 
  • O ícone da câmera repetirá a animação. 
  • O ícone da planta baixa, 'dollhouse' e o ícone da pessoa muda o ângulo de visão 
  • A barra de tarefas do menu a direita contém a conta, o interior e o menu para compartilhar.

Referências:
* Javier Berzal de Dios, “The Question of the Apparato: Plurality and Enclosure in Renaissance Theatrical Environments” (College Art Association, New York, Quarta-feira, Fevereiro 11, 2015)
† Digby Diehl, “Charles Eames: Q & A”, Los Angeles Times West Magazine, 8 Outubro 1972, p14 

Sobre este autor
Frederic Schwarz & Adam Jasper, Archilogic
Autor
Cita: Frederic Schwarz & Adam Jasper, Archilogic. "Um passeio virtual pela House #8 de Charles e Ray Eames" [A Virtual Look Into The Eames Case Study House #8] 21 Ago 2015. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/771945/um-passeio-virtual-pela-house-number-8-de-eames> ISSN 0719-8906