
A intersecção entre neurociência e arquitetura/design vem apresentando inovações no ato de projetar espaços. Recentemente, a relevância do design inclusivo e regenerativo ganhou destaque, abordando a necessidade de criar ambientes que acolham a diversidade humana, incluindo idosos e pessoas com neurodiversidade. Este enfoque não só amplia a acessibilidade como também promove a regeneração ambiental e o bem-estar dos usuários.
A neuroarquitetura, um termo cunhado para descrever a aplicação de conhecimentos neurocientíficos à geração de espaços, busca entender como diferentes ambientes afetam o cérebro e, por consequência, o comportamento e as emoções humanas. O design inclusivo refere-se à criação de espaços acessíveis e acolhedores para todos, independentemente de idade, capacidade ou condição. Já o design regenerativo vai além, visando não apenas evitar danos, mas ativamente melhorar o ambiente e a saúde dos seus ocupantes. Neurodiversidade, um conceito que reconhece e valoriza as diferenças cerebrais como variações normais da humanidade, juntamente com o envelhecimento e as práticas específicas de aging-design (ou gero-design), orientam o desenvolvimento de espaços que suportem as necessidades de uma população diversificada. Conceitos como design biofílico, que incorpora elementos naturais nos ambientes, e design salutogênico, focado na promoção da saúde, são fundamentais nesta discussão.
A neurociência pode fundamentar o design aplicado à ambientes que promovam o bem-estar de pessoas com idade mais avançada, assim como de pessoas neurodiversas. Peter Zeisel, em "Inquiry by Design" (2006), um neurocientista cognitivo com vasta experiência em psicologia ambiental, argumenta que o espaço físico pode ter impactos profundos na cognição e no bem-estar emocional dos indivíduos. Sua pesquisa enfatiza a importância de entender as interações entre o ambiente construído e a saúde mental. Portanto, a produção arquitetônica pode se beneficiar da aplicação de práticas baseadas em evidências científicas sobre como os princípios da neuroarquitetura podem ser aplicados para gerar espaços inclusivos e regenerativos. Através da análise de estudos de caso e teorias relevantes, busca-se oferecer soluções práticas e inovadoras para os desafios contemporâneos do design de espaços, focando na melhoria da qualidade de vida de populações frequentemente negligenciadas pelo design tradicional.




