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Bienal de Veneza 2012: Yucún ou habitando o deserto / Peru

Bienal de Veneza 2012: Yucún ou habitando o deserto / Peru
Bienal de Veneza 2012: Yucún ou habitando o deserto / Peru, © Nico Saieh
© Nico Saieh

Para a Bienal de Veneza, um grupo de 20 arquitetos peruanos (sem o apoio estatal) apresentou uma reflexão sobre um dos projetos territoriais mais interessantes na América do Sul. Depois de 80 anos na construção civil, um túnel de 20 km ligando a Amazônia à região seca do Andes-Pacífico foi concluído, um projeto de infra-estrutura enorme que vai transformar essa região em uma nova terra fértil.

© Nico Saieh

O “Projeto Transandino Olmos” estará pronto no início de 2013, e irá atrair mais de 250.000 pessoas com empregos na agricultura (que você pode ver mais em Build It Bigger). No entanto, apesar dessa migração maciça eminente, não há projeto de planejamento urbano na agenda do país, deixando uma grande questão ainda a ser respondida: como este território, com a sua nova qualidade urbana, deveria ser? Isso é o que um grupo de 20 arquitetos de diferentes origens e idades prepararam para apresentar na exposição “Yucun ou Habitando o Deserto” na Bienal.

Cada escritório trabalhou em um local de 25ha, durante três meses, em coordenação com os seus “vizinhos” para criar um tecido urbano unificado, que é representado com modelos na escala 1:1000.

A parte mais importante da pesquisa das firmas era a sua investigação histórica sobre a antiga cultura da região Moche, uma civilização que construiu cidades de abobe surpreendentes, assim como os primeiros sistemas de irrigação, há 2.000 anos. Inspirado pelas tradições Moche, as firmas geraram um planejamento que poderia dar um futuro sustentável para este novo território.

© Nico Saieh

Mais informações dadas pelo curador da exposição, a seguir:

Em 2012, um túnel de 20 km cruzou a Cordilheira dos Andes pela primeira vez, canalizando água da bacia Amazônica para o deserto árido do Pacífico no norte do Peru. O mega projeto hidráulico Olmos estende a fronteira agrícola em uma vasta área de terra que exige 250 mil obras – e a construção de uma nova cidade. Este é o caso que 20 empresas de arquitetura tinham que refletir. Como é esta cidade no meio do deserto à ser buscada, e com o que a sua arquitetura deve parecer-se?

Nós tivemos que entrar em acordo com um território que tinha sido ocupado por pessoas de mais de cinco mil anos, e onde extraordinárias culturas pré-incas, como os Mochica (100 AC-700 dC), e mais tarde os Chimu (1000-1200 CE ), uma vez prosperaram. Estas manifestações artísticas destas diferentes culturas – cerâmica, têxteis, metalurgia e arquitetura – bem como a sua capacidade de trabalhar a terra foram analisados a fim de entender como as pessoas conseguem se adaptar e evoluir em regiões desérticas.

Nossa proposta coletiva é o resultado final muitas riquíssimas semanas de discussões nas oficinas na Universidade de Lima. Propomos uma forma de ocupar o território de acordo com as formas ancestrais reunidas pela cidade moderna. Cada uma das empresas participantes propôs a sua própria interpretação de uma cidade, e estas foram então misturadas em uma colagem onde o projeto final coletivo é conseguido graças à interação e sobreposição de propostas que procuram aproximar-se.

© Nico Saieh

Da mesma forma, cada uma das empresas colaborou com o artista Carlos Runcie Tanaka para transformar suas reflexões arquitetônicas em huacos (objetos de cerâmica). Estes huacos são exemplos da tradição cerâmica antiga de diferentes culturas pré-incas, que os usavam para expressar sua vida cotidiana e retratar sua caça, pesca, festas, sexualidade e até mesmo a arquitetura. O projeto da cidade foi interpretado pelo artista Cristina Colichon como uma paisagem tecida, criando uma construção de padrões de entrelaçamento e sobreposição no território.

Acreditamos que esses esforços isolados são como as finas partículas de poeira (que os moradores chamam Yucun) que, quando elas se acumulam ao longo do tempo, formam montes que enchem o deserto. Nossa proposta de habitar o deserto é, portanto, a massa que vai continuar a ocupar um espaço que os peruanos vem domesticando a mais do que mil anos.

- Enrique Bonilla Di Tolla

ENCARREGADO:
José Orrego Herrera

CURADOR:
Enrique Bonilla Di Tolla

EXPOSITORES:

Artadi Architects
Baracco Asociados
Barclay & Crousse
Bragagnini Arquitectos
Carlos Palomino – Arquitectos del Norte
Carlos Pestana Arquitectos
Claudia Uccelli + OUA
David Mutal
García Milla – León Arquitectos
Gonzalez Moix Arquitectos
K + M Arquitectura y Urbanismo
Llosa Cortegana Arquitectos
Longhi Architects
Metropolis / José Orrego
Nómena
OB+RA architects
Poggione + Biondi Arquitectos
Seinfeld Arquitectos
Vicca Verde
51-1 / Supersudaca

ARTISTAS COLABORADORES:

Cerâmicas: Carlos Runcie- Tanaka

Têxtil: Cristina Colichon

Video: Alfonso Casabonne

Sobre este autor
Cita: Leonardo Márquez. "Bienal de Veneza 2012: Yucún ou habitando o deserto / Peru" 10 Nov 2012. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/79835/bienal-de-veneza-2012-yucun-ou-habitando-o-deserto-peru> ISSN 0719-8906

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