Ampliação e Conservação do Cemitério de Sendim / Luísa Valente

O Cemitério Municipal de Sendim tem uma zona de expansão a nascente que permite a sua ampliação conforme solução do projecto, prevendo a criação de duas plataformas distintas mas complementares.

© Rui Correia

A primeira reforça a ampliação do cemitério, respeitando a continuidade da malha do cemitério existente reforçada nos percursos pedonais. A sustentabilidade do espaço cemiterial é garantida na solução dos nichos de decomposição aeróbia.

Na segunda plataforma o projecto prevê um complexo funerário, o primeiro Tanatório a ser implantado em Portugal, um espaço ecuménico preparado para receber rituais de todos os cultos e que se pretende ser um novo elemento na cidade.

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1 – Implantação

O tanatório de Matosinhos será construído paralelo à Rua de Sendim, em terreno limitado a Norte pela rua Dr. José da Silva, a Nascente por um caminho pedonal, a Sul pela Rua de Sendim e a Poente pelo Cemitério de Sendim, em terreno autónomo a este. O terreno disponível tem cerca de 8.789 m2 e a área de implantação do edifício – Tanatório – é de 1515 m2.

Planta

2 – Programa

O tanatório responde em pormenor a um programa preliminar nas diversas funções que lhe estão inerentes. Distribui-se por três blocos ligados entre si por uma galeria/ nave principal, designados nomeadamente por Bloco A onde se localizam os Serviços Administrativos e Serviços de Apoio: Cafetaria e respectiva zona de serviços e Florista; no Bloco B, Ante-Câmaras e Capelas de Velório (3 capelas) Capela dos Sentidos, Capela da Memória e Capela do Infinito) apoiadas por uma Sala de Tanatopraxia e Sala de Repouso / Sala de Apoio Psicológico; no Bloco C – Sala de Estar/ Espera, Sala de Entrega de Cinzas (Sala do Renascer) e Sala de Despedida com capacidade para 120 pessoas e uma galeria no piso superior que se destina às várias fases do processo de cremação enriquecendo a capacidade de uso da mesma, um espaço que se pretende polivalente.

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A sala da despedida tem uma relação importante com o mar, linha do horizonte e céu através de um vão de vidro que permite a sua leitura. A urna desloca-se através desse mesmo eixo, desaparecendo nessa “linha do horizonte” e desce posteriormente ao piso técnico numa plataforma hidráulica, solução estudada de forma a não ser visualizada pelas pessoas.

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No piso inferior localiza-se a parte técnica de apoio à cremação – Forno Crematório, máquina de introdução de urnas, Pulverizador e cabine de tratamento das cinzas. Localiza-se ainda uma sala de Refrigeração, sala de etiquetagem/ pantógrafo – fornecimento da taxa de identificação da urna e vestiários /instalações sanitárias de apoio aos funcionários.

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No espaço envolvente os elementos verdes são predominantes, uma extensão linha de verde de bambus reafirmam o eixo da galeria principal, além de percursos e locais de estadia aprazíveis.

Este edifício foi projectado tendo em consideração a satisfação das exigências de conforto térmico nomeadamente necessidades de aquecimento, arrefecimento e ventilação sem dispêndio excessivo de energia. Relativamente às necessidades de aquecimento das águas quentes sanitárias e seguindo o mesmo principio foi considerado a instalação de colectores solares devidamente dimensionados para a instalação em causa.

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3 – Relacionamento com o Existente

A intervenção insere-se numa mancha urbana não consolidada e a solução proposta confere à galeria central o papel de pólo aglutinador e de ligação com os restantes corpos, cabendo aos três corpos de ligação a aproximação à escala existente. Tende a garantir o seu equilibrado enquadramento enquanto Edifício Público, parte constituinte da paisagem urbana.

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A solução define um eixo que potencia a unidade do conjunto pela disposição dos seus elementos e, pelo seu desenho e contorno, desenvolve perspectivas de percurso e escalas de uso do espaço colectivo, criando assim a diversidade e a riqueza do lugar na relação com as zonas verdes propostas.

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 4 – Jardim da Memória / Columbário

Os principais objectivos do Jardim centram-se na obtenção de um espaço depurado e de desenho minimalista que contribui para enquadrar, valorizar e enriquecer a experiência sensorial da envolvente imediata ao Tanatório. Resulta da inspiração ou experiência do ambiente perceptível que nos rodeia, da paisagem e da fabulação de um lugar virtual perfeito, o Paraíso.

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O projecto considera a íntima relação do jardim ao edifício tirando partido das vistas sobre a paisagem envolvente. Tal como a sala da despedida do edifício, o jardim tem uma relação importante com o mar, linha do horizonte e céu que permite a sua leitura.

Pretende-se que o Jardim da Memória seja simultaneamente simbólico e espiritual. É um lugar de meditação e de reencontro que se traduz numa alegoria ao ciclo da vida, onde se encontra representado o Nascimento, a Maturidade e a Morte através de uma sequência de circunferências suavemente modeladas e organizadas em tamanho e altura consoante a evolução desse ciclo. Por entre as circunferências dispersas na gravilha surge uma forma ondulante suavemente modelada, em relvado, simbolizando o percurso sinuoso e difícil da vida, formando uma união de todos os elementos presentes, culminando num reencontro com a paz.

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No apoio ao processo da cremação/ Crematório, a urna com as cinzas é entregue na respectiva sala e daí conduzida para o Jardim da Memória. As cinzas poderão ser depositadas na terra, na zona arbóreo- arbustiva que se encontra no círculo relvado que designa a morte, directamente ou dentro de uma urna biodegradável.

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Esta área relvada será enquadrada por um maciço de Magnóleas de flor branca pontuada por Ciprestes, considerada como a árvore do paraíso, sendo uma das principais simbologias, a sua ligação à imortalidade. Ainda nesse local propõem-se plantações em mancha compostas por Pittosporum tobira “Nana”, formando bordaduras de folhagens intensas, resultando numa dinâmica sazonal contribuindo para o aumento da diversidade cromática, de grande interesse sensorial.

No apoio ao processo da cremação/ Crematório, a urna com as cinzas é entregue na respectiva sala do Renasncer e daí conduzida para o Jardim da Memória ou para um Cendrário.
O Columbário é um conjunto de compartimentos – Cendrários, semelhantes aos dos ossários para depósito de urnas.

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5 – Acessos

O acesso à plataforma de implantação deste complexo é feito a sul, pela Rua de Sendim por um percurso pedonal, perpendicular à mesma e que reafirma o eixo da galeria principal por um percurso/ rampa de acesso ao parque de estacionamento com capacidade de 83 lugares e acesso aos serviços existentes no piso técnico.

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Ficha técnica:

  • Arquitetos:Luísa Valente
  • Ano:
  • Área construída: 1515 m²
  • Endereço: Matosinhos Porto Portugal
  • Tipo de projeto: Equipamento Urbano
  • Status:Construído
  • Materialidade: Concreto e Vidro
  • Estrutura: Concreto
  • Localização: Matosinhos, Porto, Portugal
  • Implantação no terreno: Isolado

Sobre este escritório
Cita: Jorge Alves. "Ampliação e Conservação do Cemitério de Sendim / Luísa Valente" 08 Mai 2012. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/01-47516/ampliacao-e-conservacao-do-cemiterio-de-sendim-luisa-valente> ISSN 0719-8906

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