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Homs: O mais recente de arquitetura e notícia

Espaços públicos: lugares de protesto, manifestação e engajamento social

Por definição, “espaço público” é uma terminologia que aborda a noção de propriedade da terra, sugerindo que esse não pertence a ninguém em particular, mas ao próprio estado e portanto, a todos e cada um de nós. Isso significa que a manutenção destes espaços é uma obrigação que recai sobre as administrações públicas, seja em âmbito municipal, estadual ou federal. Abertos, gratuitos e acessíveis, espaços públicos encontram a sua relevância não apenas em suas definições legais, mas principalmente quando assumem um papel ativo em direção à mudança.

Espaços públicos são lugares de protestos e manifestações – poderosas ferramentas de expressão social e transformação política. Desde a marcha em Washington por melhores oportunidades e liberdade de expressão em 1963, passando pela Primavera Árabe em 2010 até a mais recente onda mundial de manifestações em defesa da vida e contra toda forma de discriminação racial, historicamente, espaços públicos operam como uma importante ferramenta de transformação social. Em momentos como esse, enquanto ainda precisamos “ir às ruas” para lutar por nossos direitos, para nos fazer ouvir e sermos vistos, os espaços públicos finalmente voltam à estar no centro das atenções – lançando uma nova luz sobre o seu importante papel na construção da identidade coletiva e como ferramenta de expressão social.

Zócalo, México City. Image © Santiago ArauMartyrs' Square, Beirut. Image © Rami RizkPlaza Alfredo Sadel, Caracas. Image via Shutterstock/ By EddvlpPuerta del Sol in Madrid during the 2011 Spanish protests. Image via Wikipedia By Fotograccion under CC BY-SA 3.0+ 16

Marwa Al-Sabouni explica como a arquitetura síria estabeleceu as bases para a guerra

Em 2014, a arquiteta síria Marwa Al-Sabouni venceu a categoria Síria no concurso de habitação coletiva da UN Habitat com um sistema de habitação que ela desenvolveu para a cidade de Homs, sua cidade natal. Agora, mais de dois anos depois, a Thames and Hudson publicou seu livro Battle for Home: The Vision of a Young Architect in Syria. Durante todos estes eventos, al-Sabouni permaneceu na Síria, e como disse o The Guardian: "Com bombas caindo em torno dela, a arquiteta síria Marwa Al-Sabouni permaneceu em Homs durante a guerra civil, fazendo planos para construir esperança a partir da carnificina."

Nesta palestra TED, Al-Sabouni argumenta "que, embora a arquitetura não seja o eixo em torno do qual toda a vida humana orbita... ela tem o poder de... direcionar a atividade humana". Ela acredita que as antigas cidades islâmicas da Síria foram, outrora, harmoniosas entidades urbanas que advogavam pela co-habitação e tolerância através de seus tecidos. No entanto, ela afirma que durante do último século, começando com a colonização francesa, as antigas cidades eram vistas como não modernas e foram gradualmente "melhoradas" com elementos da modernidade: "blocos de concreto brutos e sem acabamentos, devastação estética e divisões comunitárias que zonearam as comunidades por classe, credo ou ascendência." Essa condição urbana, ela argumenta, é o que criou as condições para a revolta que se tornou guerra-civil.