Barbara Porada

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR

Podem árvores fluorescentes substituir a iluminação urbana?

"Não vivemos mais na natureza - colocamos caixas ao redor dela. Mas agora podemos projetar a natureza para atender às nossas necessidades. Tudo que temos de fazer é projetar o código e ela se desenvolve por conta própria. Se pudermos encapsular nossas visões em uma semente elas crescerão e se realizarão". - Andrew Hessel em uma recente entrevista ao Archdaily.

"Projetar a natureza para atender às nossas necessidades" é exatamente o que o Glowing Plant Project pretende fazer. O biólogo Omri Amirav-Drory, cientista botânico Kyle Taylor e o líder do projeto Antony Evans estão trabalhando para elaborar uma "planta bioluminescente usando técnicas de biologia sintéticas que poderiam substituir a iluminação urbana tradicional" - e talvez mesmo criar árvores que pudessem suplantar os postes comuns.

Como isso é possível? A resposta a seguir.

Dez modos de transformar as cidades através de placemaking e espaços públicos

Em 2011, Un-HABITAT e Project for Public Spaces (PPS) assinaram uma cooperação de 5 anos que pretende chamar a atenção internacional sobre a importância dos espaços públicos nas cidades, fomentar trocas de ideias e educar uma nova geração de planejadores, projetistas, ativistas comunitários e outros líderes civis sobre os benefícios daquilo que chamamos "metodologia de placemaking". Esta parceria está ajudando no desenvolvimentos de cidades onde pessoas de todas as classes sociais e idades possam viver em segurança social e econômica. Para alcançar este objetivo, foram publicados 10 passos informativos sobre as medidas que as cidades e comunidades podem tomar para melhorar a qualidade de seus espaços públicos. 

Continue lendo para saber mais a respeito destes passos.

Um olhar de esperança para o esquecido Ponte Tower em Johannesburg

O Ponte Tower é um arranha-céu residencial em Joanesburgo, África do Sul, com uma história única e agora com um futuro promissor. Foi projetado pelo arquiteto Manfred Hermer, na década de 1970, para ser um dos lugares mais desejáveis para se viver na cidade, icônico, com o interior vazio, apartamentos de três andares e banheiras na cobertura. Com o tempo, porém, o edifício caiu em desuso e, em vez de servir como um ícone da extrema riqueza e prosperidade, tornou-se um ícone da pobreza e da indiferença. Na, ainda radicalmente dividida, África do Sul, este foi o marco da saída dos brancos e a chegada da população essencialmente negra, caindo todo o conceito de propriedade. Isto foi associado com altas taxas de criminalidade, falta de condições sanitárias e até suicídios, graças ao núcleo oco do edifício.

Aerotropolis: Cidade-aeroporto - a chave para uma cidade próspera do século XXI?

Cortesia de Evolve Media & Dr. John Kasarda
Cortesia de Evolve Media & Dr. John Kasarda

"A rápida expansão de instalações comerciais relacionadas a aeroportos está fazendo os portões aéreos de desenvolvimento metropolitano do século XXI onde viajantes distantes e locais podem realizar negócios, trocar conhecimentos, fazer compras, comer, dormir e ter opções de entretenimento sem se distanciar mais de 15 minutos do aeroporto. Essa evolução espacial e funcional está transformando muitos aeroportos de cidades em cidades-aeroportos " - Dr. John Kasarda

Os principais aeroportos internacionais tem se desenvolvido ao longo do tempo em nós chave numa produção global e sistemas corporativos através da agilidade, velocidade e conectividade. Esses núcleos de transporte são capazes de estimular dramaticamente as economias locais atraindo uma grande gama de negócios relacionados com a aviação para suas periferias e resultando no que John Kasarda, um acadêmico estadunidense que estuda e aconselha governos em questões de planejamento urbano, apelidou de "Aerotropolis". Como qualquer outra cidade tradicional, a Aerotropolis consiste de um núcleo central com anéis de desenvolvimento que permeiam este núcleo; mas diferente de outra cidade qualquer, o núcleo central desta cidade é um aeroporto e todo desenvolvimento vizinho dá suporte, e por sua vez é suportado pela indústria da aviação. Muitos aeroportos ao redor do mundo evoluíram organicamente para essas comunidades dependentes dos aeroportos, gerando enorme lucro econômico e criando milhares de empregos, mas o que Kasarda está argumentando é um apelo mais organizado e propositivo para o desenvolvimento destas Aerotropolises - o que acredita ser o futuro modelo de uma cidade de sucesso.

Leia mais a seguir para mais sobre a Aerotropolis.

Novo SimCity: Não apenas para crianças

Cotesia de Co.Exist
Cotesia de Co.Exist

Você se lembra de ter passado horas da sua juventude fugaz na frente da tela do computador, construindo cidades animadas e complexas, com bairros vibrantes, escolas, centros comerciais, indústrias, usinas de energia... só para todos serem destruídos por um asteroide imprevisto ou um OVNI?

Mais segurança requer melhores espaços públicos

Copenhagen, Superkilen
Copenhagen, Superkilen

É possível que um bom espaço público induza o comportamento social e possa fazer uma cidade mais segura? É possível contribuir com um problema tão complexo e urgente de diferentes perspectivas disciplinares? Algumas pessoas argumentam que arrumando  rapidamente as "janelas quebradas" e repensando as ruas são as melhores políticas preventivas.

Em 1969, Philip Zimbardo, professor na Universidade de Stanford, realizou um experimento no âmbito de suas pesquisas em psicologia social. Ele colocou um carro não licenciado com o capô levantado em uma rua negligenciada no bairro do Bronx, em Nova Iorque, e um carro similar em um bairro rico de Palo Alto, Califórnia. O carro no Bronx foi atacado em menos de dez minutos. Seu aparente estado de abandono permitiu o ataque. O carro de Palo Alto não foi tocado por mais de uma semana. Foi então que Zimbardo resolveu quebrar a janela do carro. Quase imediatamente, transeuntes começaram a pegar coisas do carro. Em algumas horas, o carro estava completamente danificado. Em ambos os casos, muitos dos que atacaram os carros não pareciam ser pessoas perigosas. Esse experimento levou os professores de Harvard George Kelling e James Wilson a desenvolver em 1982 a Teoria das Janelas Quebradas: "Se uma janela quebrada é deixada sem reparos, as pessoas concluirão que ninguém liga para ele e que não há ninguém o vigiando. Então mais janelas serão quebradas e a falta de controle se espalhará dos edifícios para as ruas, mandando um sinal que 'vale tudo' e que não há autoridade".

Seguindo isso Kelling foi contratado – muito antes que Rudy Giuliani e a sua Política de Tolerância Zero - pela Acessoria do Metro de Nova York, onde reinavam a insegurança e o crime. Seu primeiro desafio foi convencer o prefeito progressista da cidade, o democrata Ed Koch, que a solução não era reforçar o policiamento e fazer mais prisões, mas sim limpar e sistematicamente prevenir pixações no interior e no exterior dos vagões, garantir que todos pagassem seus bilhetes e erradicar a vadiagem no metro. Apesar das críticas, a transformação do Metro de Nova York começou através de símbolos concretos e detalhes que foram bastante visíveis e que re-estabeleceram ordem e autoridade. Até o célebre designer Massimo Vignelli, autor da sinalização, decidiu inverter as cores dos pôsters para tipografia branca sobre fundo preto para desencorajar as pixações. Hoje é um modelo de espaço público seguro e eficiente, além de um emblema que os nova-iorquinos não estão dispostos a se comprometerem novamente.

A idéia é simples mas poderosa: os maus hábitos se espalham rapidamente, mas os bons hábitos, com força e continuidade, podem desbancar os ruins. Como muitas coisas ao nosso redor estão em um estado crítico graças à nossa indiferença aos primeiros sinais de que algo não está certo? Quantas janelas quebradas nós vemos cada dia? Isso tem relação com a marcação de limites e a extinção dos maus hábitos com estratégias situacionais e preventivas que envolvem não só as autoridades mas também a comunidade na resolução de problemas através de participação ativa. É também o fato de revindicar o papel do Estado na regulação e controle de uma área onde interesses gerais sempre devem ter prioridade, pequenos ou grandes, com ou sem justificação. Em contraste ao que muitos clamam como perspectivas libertárias errôneas, coexistência democrática no domínio público requer a restrição de liberdades individuais para maximizar o bom uso e o disfruto coletivo dos espaços públicos