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Clássicos da Arquitetura: Prefeitura de Córdoba / S.E.P.R.A.

Clássicos da Arquitetura: Prefeitura de Córdoba / S.E.P.R.A.
Clássicos da Arquitetura: Prefeitura de Córdoba / S.E.P.R.A., © Arq. Gonzalo Viramonte
© Arq. Gonzalo Viramonte

Por Arquiteto Martín R. López (FAUD-UNC).

AS FORMAS DO PÚBLICO

CONCURSO

No ano de 1953 a prefeitura de Córdoba lançou o concurso nacional de anteprojetos para a construção de sua nova sede [1]. O local escolhido foi um terreno triangular com 4.652 m², com uma fachada sobre o arroio La Cañada e outra sobre o Paseo Sobremonte, reformado no mesmo ano pelo arquiteto Carlos David. Em frente ao Paseo, localiza-se o Palácio de Justiça [2].

Os trabalhos foram apresentados em 14 de agosto, resultando ganhadora a proposta do estúdio SEPRA, de Buenos Aires [3], sobre um total de 50 participantes. O programa proposto contava com uma área coberta total de 11.500 m². Segundo comentários do arquiteto La Padula, jurado do concurso, o segundo lugar [4] foi definido rapidamente, liberando a discussão entre a proposta de SEPRA e a que finalmente ganhou o terceiro prêmio, dos arquitetos Claudio V. Caveri e Eduardo J. Ellis.

© Arq. Gonzalo Viramonte © Arq. Gonzalo Viramonte © Cortesia de Esteban Guillermo Urdampilleta © Cortesia de Esteban Guillermo Urdampilleta + 40

 

CONTEXTO

Talvez a condição de construtor e calculista tenha permitido que o prefeito da cidade de Córdoba, M. M. Federico, apoiasse firmemente uma proposta que, para a época, era avançada em um meio muito atado às tradições. Seu ímpeto jovem para descentralizar o Município também explica a localização estratégica da nova sede. Alguns testemunhos da época evidenciam quão controversa foi a escolha do projeto vencedor, a qual o prefeito respaldou fortemente: "Sem qualquer desejo de polemizar e com o único propósito de ilustrar a opinião saudável e independente desta cidade, eu responderei por esta nota para aqueles que de uma forma ou outra manifestaram sua preocupação ante o que vêem como um ataque à história, tradição, cultura e o urbanismo pelo fato de que os arquitetos do projeto do Edifício Municipal tenham previsto uma remodelação do Paseo Sobremonte." [5]

Imagens de Referência
Imagens de Referência

O PROJETO

O estúdio foi formado em 1936, e em 1949 adquiriu o escritório de um arquiteto americano [6], incorporando, assim, uma ampla carteira de clientes, em sua maioria empresas vinculadas aos Estados Unidos. Dessa forma, no início da década de 70 constroem aproximadamente 1.000.000 m². Entendeu-se que o escritório era um dos mais profissionais e capacitados para levar adiante tal programa de construção. O grande manejo do detalhe construtivo, um olhar universal, renovação tecnológica permanente, e o papel dominante da estrutura de concreto aparente caracterizou o trabalho do estúdio [7].

© Cortesia de Esteban Guillermo Urdampilleta
© Cortesia de Esteban Guillermo Urdampilleta

Se tomarmos como referência o projeto para o Edifício de ENTEL (1951), percebemos muitas das características que o palácio 6 de Julho apresentaria dois anos mais tarde. A escala monumental de suas estruturas de transição nas plantas livres, a articulação na fachada de seus brises e o tratamento da face sul de ambos os edifícios, utilizando-se como recurso projetual linhas guia para ordenar e dimensionar a estrutura e os fechamentos opacos e envidraçados.

Situação, Planta e Corte
Situação, Planta e Corte

O partido define originalmente um edifício de escritórios para os empregados e outro volume que aloja os funcionários, conectados por um corredor e assentados sobre uma esplanada, que configura o subsolo, elevando-se assim do nível da calçada e unificando ambos os prismas. Os volumes, de proporções muito cuidadosas, implantam-se no lote negando a geometria do mesmo e estabelecendo dois eixos de composição, um paralelo à rua Caseros e outro perpendicular a ela. Essa situação gera um acesso leste um pouco forçado, sendo que o acesso mais usado é o posterior no lado oeste que se apresenta como um terraço pódio ao Paseo Sobremonte, exaltando o edifício Palácio da Justiça e oferecendo uma perspectiva ampla e única. No corpo administrativo, que define o caráter do edifício por sua escala e sua marca brutalista [8], organiza-se um núcleo de circulação central que se move em ambas as direções, permitindo assim um espaço flexível e adaptável às ​​mudanças de programas típicos desses recintos.

© Cortesia de Esteban Guillermo Urdampilleta
© Cortesia de Esteban Guillermo Urdampilleta

A linguagem é definida entre um contraponto para ambas as peças edificadas. O bloco administrativo é caracterizado pela composição reguladora de linhas horizontais que anunciam cada um dos oito níveis que são assentados sobre o pé-direito duplo do acesso, a presença de brises reticulados em uma grade de concreto aparente nas faces norte, leste e oeste, as colunas exuberantes no piso térreo [9] e a pedra como embasamento, buscando algum romantismo à materialidade local. Essa obsessão de buscar a expressão estrutural foi uma constante em SEPRA,  além da mencionada ligação com a arquitetura brutalista de Le Corbusier.

© Arq. Gonzalo Viramonte
© Arq. Gonzalo Viramonte

Além disso, o bloco executivo é definido em uma linguagem mais associada à modernidade clássica de autores como Mies van der Rohe, sem ser uma tradução direta deste autor. Isso é expresso na proporção cuidadosa que apresenta rasgos mais cuidadosos e seu vizinho que expressa tensão gravitacional entre o volume superior "... achatado", nas palavras de Liernur [10], que pousa sobre as grandes pernas estruturais. No bloco executivo destaca-se a grande cornija de concreto que coroa a base, unificando o perímetro e configurando, com o recuo do bloco superior, uma galeria que se liga ao exterior, ritmada por uma série de pilotis que sustentam a laje do coroamento.

© Arq. Gonzalo Viramonte
© Arq. Gonzalo Viramonte

TRANSFORMAÇÕES, INTERRUPÇÕES E ADIÇÕES

Durante a administração do prefeito Luis Juez foi gerida, planejada e construída uma peça arquitetônica em metal que resolveu o meio de egresso para a população trabalhadora instalada, atendendo assim às exigências de higiene e segurança. O núcleo vertical, ainda que distorça as proporções do prisma retangular do órgão de administração, acerta na escolha de uma tectônica que procura desmaterializar este volume ante a gravidez da peça original. Seria assunto de outro artigo perguntarmos como, às vezes, essas condições normatizadas sobre objetos existentes que não foram planejados desde o início, irrompem de maneira inconveniente em termos compositivos com um resultado formal às vezes não muito apropriado. Talvez seja justo questionar se atualmente o edifício resiste à população instalada, ou encontrar um ponto crítico na falta de previsão de expansão de áreas do programa original.

Planta baixa (Reforma 2007)
Planta baixa (Reforma 2007)
© Arq. Gonzalo Viramonte
© Arq. Gonzalo Viramonte

CONCLUSÃO

A controvérsia que em seu momento disparou na escolha do projeto de SEPRA para a opinião pública, os jornais e algum setor da política, reflete debates que a cidade de Córdoba tem lutado durante grande parte da sua história [11]. Esta pulsão que oscila entre conservadorismo e progressismo, em termos propriamente arquitetônicos entre a tradição do século XIX entendida como a maneira unívoca de respeitar o caráter histórico da cidade, e as propostas mais ligadas às vanguardas envolvendo um ataque contra esse imaginário de identidade local, delinearam grande parte deste cenário que transparece na realidade, questões que extravasam o campo meramente disciplinar. Observando a produção de muitos dos edifícios institucionais do período, entendemos que o chamado brutalismo possibilitou, nas palavras de Liernur e Aliata: "... pés-direitos duplos ou triplos em lugares onde as condições metropolitanas exigiam um salto dimensional significativo" [12]. Portanto, entendemos que sem existir um manifesto ou dogma para a forma do público, o caráter do brutalismo na América Latina propiciou uma oportunidade para modernizar suas cidades, desde as suas instituições governamentais, tais como escolas, saúde, etc. Como entende Liernur: "... o brutalismo constituía uma saída tentadora da condição de semi-desenvolvimento, como da Argentina, porque, para desviar a atenção das premissas universais às condições singulares permitia relativizar a necessidade de vanguardismos técnicos e de premissas de repetição, estimulando respostas mais consistentes com as possibilidades locais limitadas. Assim, o brutalismo parecia apresentar-se como um meio termo entre a renúncia regionalista e o eficienticismo internacionalista". [13]

© Arq. Gonzalo Viramonte
© Arq. Gonzalo Viramonte

As boas condições do material aparente em ambientes onde os orçamentos de manutenção para obras públicas são apertados, sua nova dimensão monumental, sua expressividade tectônica, e alguma sensibilidade escultórica dos seus elementos estruturais, dão uma resposta próxima para o acerto dessa arquitetura em termos de obras públicas.

© Arq. Gonzalo Viramonte
© Arq. Gonzalo Viramonte

Hoje, o Palácio 6 de julho é o testemunho da convivência harmoniosa com seus vizinhos historicistas, com o eixo urbano importante do arroio La Cañada e com o espaço do Paseo Sobremonte, tornando-se um dos episódios urbanos mais relevantes, somado à Plaza Italia e à Plaza de la Intendencia. O Palácio Municipal renovou a paisagem urbana, construindo desde sua implantação, escala e atenção às condições climáticas locais, o diálogo com os ecos de sua história próxima, e discussões com um futuro por vir.

© Arq. Gonzalo Viramonte
© Arq. Gonzalo Viramonte
  • Arquitetos

  • Localização

    Avenida Marcelo T. de Alvear 120, Córdoba, Província de Córdoba, Argentina, Argentina
  • Arquitetos Responsáveis

    S. Sánchez Elía, F. Peralta Ramos, A. Agostini Arquitectos
  • Datas do Projeto

    1953 (Projeto); 1958-1961 (Construção); 2005-2007 (escada de emergência e reforma, projeto da Dir. de Arq. Municipal)
  • Textos

    Arq. Martín R. López (FAUD-UNC)
  • Agradecimentos

    Arq. Romina Antinori, Direção de Arquitetura da Prefeitura de Córdoba. Arq. Alejandro Cohen, FAUD-UNC.
  • Ano

    1958
  • Fotografias

© Arq. Gonzalo Viramonte
© Arq. Gonzalo Viramonte

  • [1] Em 1938 ele foi nomeado "Concurso Público de Planos" para a construção do Palácio Municipal. O júri integrada por Juan Kronfuss e Alfredo Villalonga, entre outros, atribuiu o primeiro lugar ao Arq. Francisco Squirm, o segundo ao Arq. Salvador Godoy, e o terceiro lugar para o Estúdio SEPRA. Este trabalho não foi levado adiante, mas 15 anos mais tarde este prêmio incentivou o estúdio a aparecer na nova chamada. Jurado, Miguel: Diez estudios argentinos: Estudio SEPRA. Arte Grafico Editorial Argentino S.A., Buenos Aires, 2008.
  • [2] Obra dos arquitetos José A. Hortal e Salvador Godoy, obtida por meio de concurso público em 1925. Schere, Rolando H.: Concursos 1825-2006. Edición SCA, Buenos Aires, 2008.
  • [3] O júri foi composto pelo prefeito Manuel M. Federico; um delegado do MOP; um representante das Obras Públicas Municipais; um professor da Escola de Arquitetura; os arquitetos La Padula e Alfredo Casares como representantes da SCA Cba. Ibid
  • [4] O segundo prémio foi outorgado ao projeto dos arquitetos J. L. Bacigalupo, A. L. Comastri, A. L. Guidali, J. O. Riopedre e H. Ugarte. Ibid
  • [5] Publicado no Boletim Municipal, em outubro de 1953, mensagem de M. M. Federico Mayor. Ibid.
  • [6] O escritório adquirido por SEPRA era propriedade de Lyman O. Dudley. Liernur, Francisco: Trazas de futuro. Episodios de la cultura arquitectónica de la modernidad en América Latina. Ediciones UNL, Santa Fe, 2008..
  • [7] Ibid.
  • [8] Entendemos brutalismo na arquitetura como as qualidades estéticas daquelas obras caracterizadas pelo papel expressivo da estrutura de suporte, a materialidade dos elementos arquitetônicos e sua infraestrutura de serviços, afirmando a presença volumétrica, tectonicidade e contundência da obra, mas despojada de toda vontade acadêmica de representação. Liernur, Jorge Francisco y Aliata, Fernando: Diccionario de Arquitectura en la Argentina, estilos, obras, biografías, instituciones, ciudades. Editorial AGEA, Buenos Aires, 2004
  • [9] Segundo os autores esses apoios são a evolução das planejadas no edifício de ENTEL, eliminando aqui o excesso de materiais aqui no nó com o pórtico, e colocando colunas inclinadas a trabalhar como tensores. Jurado, Miguel: Diez estudios argentinos. Op. Cit.
  • [10]Liernur, Jorge Francisco: Arquitectura en la Argentina del siglo XX. La construcción de la modernidad. Fondo Nacional de las Artes, Buenos Aires, 2008.
  • [11] Os trabalhos realizados por Sebastian Malecki investigam profundamente sobre as tensões e debates tanto culturais como políticos que o projeto provocou no meio local. Ver Malecki, Sebastián: Tesis de Doctorado en Historia: La ciudad dislocadaCórdoba, 1947-1975. Modernización y radicalización en la cultura urbana y arquitectónica. En finalización, Facultad de Filosofía y Humanidades UNC. 
  • [12] Liernur, Jorge Francisco y Aliata, Fernando: Diccionario de Arquitectura en la Argentina. Op. Cit.
  • [13] Liernur, Jorge Francisco: Arquitectura en la Argentina del siglo XX. Op. Cit.

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Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato. Cita: Duque, Karina. "Clássicos da Arquitetura: Prefeitura de Córdoba / S.E.P.R.A." [Clásicos de Arquitectura: Municipalidad de Córdoba / S.E.P.R.A.] 27 Abr 2016. ArchDaily Brasil. (Trad. Souza, Eduardo) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/786325/classicos-da-arquitetura-prefeitura-de-cordoba-sepra> ISSN 0719-8906