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Biblioteca de Muyinga / BC Architects

  • 14:00 - 1 Janeiro, 2015
  • Traduzido por Camilla Sbeghen
Biblioteca de Muyinga / BC Architects
Biblioteca de Muyinga  / BC Architects, Cortesia de BC architects
Cortesia de BC architects

Cortesia de BC architects Cortesia de BC architects Cortesia de BC architects Cortesia de BC architects + 35

  • Consultoria Material Local

    BC studies
  • Participação Comunitária e Organização

    BC Studies e ODEDIM Muyinga
  • Colaboração

    ODEDIM Muyinga NGO, Satimo Vzw, Sint-Lucas Architecture University, Sarolta Hüttl, Sebastiaan De Beir, Hanne Eckelmans
  • Suporte Financeiro

    Satimo Vzw, Rotary Aalst, Zonta Brugge, Província da Flandres Ocidental
  • Orçamento

    40 000 €
  • Mais informações Menos informações
Cortesia de BC architects
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ARQUITETURA

A primeira biblioteca de Muyinga parte de uma futura escola inclusiva para crianças surdas, em blocos de terra localmente comprimidos, construída com uma abordagem participativa.

Nosso trabalho na África começou no OpenStructures.net. BC quando fomos convidados para dimensionar o modelo de "estruturas abertas" para um nível arquitetônico. Um processo de construção envolvendo os usuários finais e as economias em segunda mão. Ciclos de vida dos produtos, ciclos de recursos hídricos e ciclos de energia estavam ligados a este processo de construção. Este modelo arquitetônico de estruturas abertas foi chamado de Estudo de Caso (CS) 1: Katanga, no Congo. Foi teórico, e totalmente baseado em pesquisa. Cinco anos mais tarde, a biblioteca de Muyinga, em Burundi se aproxima do término.

Cortesia de BC architects
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Inspirações Vernáculas

Um estudo aprofundado das práticas arquitetônicas vernáculas em Burundi foi a base do design do edifício. Dois meses de trabalho de campo na região e em torno das províncias nos deu uma visão do local, materiais, técnicas e tipologias construtivas. Estes resultados foram aplicados, atualizados, reinterpretados, enquadrando-se nas tradições locais de Muyinga.

A biblioteca é organizada ao longo de um espaço de circulação longitudinal coberto. Esta "varanda corredor" é um espaço que se encontra frequentemente no interior do alojamento tradicional de Burundi, pois proporciona um abrigo para fortes chuvas e sol. A vida acontece, em grande parte, nesta varanda corredor; encontros, descanso, conversa, espera - é um espaço verdadeiramente social, que constrói relações com a comunidade.

Cortesia de BC architects
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Esta varanda corredor é deliberadamente de grandes dimensões para tornar-se uma extensão da biblioteca. As portas transparentes entre as colunas criam a interação entre o espaço interior e varanda. Totalmente aberta, estas portas fazem com que a biblioteca abra-se para a praça adjacente com vistas deslumbrantes sobre as "Milles Collines" de Burundi (1000 montes).

Na extremidade longitudinal, a varanda corredor corre para a rua, onde, através das pequenas aberturas na fachada, é possível controlar o acesso. Estes rasgos são elementos arquitetônicos importante na fachada da rua, mostrando claramente quando a biblioteca está aberta ou fechada. Na outra ponta, a varanda corredor continua como o principal espaço de circulação e acesso.

Planta Baixa
Planta Baixa

Um elemento arquitetônico muito importante em Burundi (e, na África em geral) é a demarcação das linhas de propriedade. É uma tradição que remonta a práticas tribais de composição dos assentamentos familiares. Para a biblioteca de Muyinga, a parede foi considerada em um processo de co-design com a comunidade e com a ONG local. A parede facilita o assentamento da encosta como um muro de contenção na técnica de pedra seca, mais baixa sobre as praças e parque infantil do lado da escola e mais alta no lado da rua. Assim, a vista para o vale é descomprometida,  enquanto a segurança do lado da rua é garantida.

A forma geral da biblioteca é o resultado de uma lógica estrutural, derivada a partir da escolha do material (blocos compactados de terra, alvenaria e telhas de barro cozido). As telhas produzidas localmente eram consideravelmente mais pesadas do que chapas de ferro importadas. Isso inspirou o sistema estrutural de colunas espaçadas em intervalos de 1m30, que também atuam como contrafortes para as altas paredes da biblioteca. Esta repetição rítmica de colunas é uma característica reconhecível do edifício, no lado interno e externo.

Corte
Corte

A cobertura tem uma inclinação de 35% com uma saliência para proteger os blocos CEB não cozidos, o que contribui para a arquitetura da biblioteca.

As considerações climáticas inspiraram o volume e fachada: o interior alto com ventilação cruzada contínua ajuda a orientar o ar úmido e quente. Por isso, a fachada é perfurada de acordo com o ritmo dos blocos de terra compactos (CEB), conferindo à biblioteca uma visão luminosa à noite.

Cortesia de BC architects
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O pé-direito duplo do lado da rua tornou possível a criação de um espaço especial para os pequenos leitores da biblioteca. Este espaço infantil consiste em uma zona de estar de madeira no piso térreo, que torna as aulas de leitura mais acolhedoras. É coberto por uma enorme rede de corda de sisal como um mezanino, no qual as crianças podem sonhar com os livros que estão lendo.

A futura escola continuará a oscilar de forma inteligente com a paisagem do local, criando playgrounds e pátios para acomodar encostas e árvores existentes. Entretanto, a biblioteca vai funcionar como um edifício autônomo, como um projeto acabado.

Cortesia de BC architects
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UM PROJETO DA COMUNIDADE

A reintegração social: reconectar a comunidade surda e cega à sociedade geral.

Na cultura de Burundi muito informal e oral, as crianças surdas estão excluídas das histórias, informações, trocas e educação. Muitas vezes, as crianças surdas são isoladas, ou mesmo expulsas de um determinado grupo de pessoas. A biblioteca de Muyinga, ligado a um colégio interno, inclusive para crianças surdas, cria a possibilidade de pertencer a um grupo, de pertencer a uma comunidade mais ampla através de infraestruturas públicas.

Numa fase posterior, a escola vai integrar ainda mais os seus alunos surdos na sociedade através de oficinas de madeira e um futuro salão polivalente, servindo também para a comunidade geral de Muyinga.

Cortesia de BC architects
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Diálogo Intercultural e processos participativos

Há vários anos ou mesmo décadas, o design participativo assumiu um papel mais proeminente na arquitetura moderna. Algumas dessas iniciativas são muito inovadoras, mas muitas vezes não conseguem traduzir a teoria na prática da vida real. O BC arquitetos & estudos tem se concentrado desde o início na implementação de processos participativos na prática de construção.

Nós fazemos isso não apenas por meio da cooperação com as forças de trabalho locais, mas também através da participação de alunos, estagiários e jovens arquitetos, em um ambiente educacional mútuo.

Além disso, a organização da biblioteca é baseada neste princípio. O conselho de administração da biblioteca inclui todos os diretores das escolas vizinhas primárias e secundárias, facilitando o contato e cooperação entre os futuros alunos surdos e os ouvintes. A biblioteca também vai sediar cinemas noturnos para toda a comunidade de Muyinga.

Cortesia de BC architects
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Processos educativos durante a construção

Diferentes instituições de ensino contribuem com este projeto. A Escola de Verão com LUCA, universidade de arquitetura de Bruxelas: Todos anos, 3-6 estudantes juntam-se a nós para trabalhar em Burundi por pelo menos 6 semanas, apoiados por uma bolsa de estudos de VLIR-UOS.

A experiência de viagem para a Escola Zevenkerken: Todos os anos, cerca de 20-30 estudantes do ensino médio ampliam sua perspectiva durante uma estadia de 2 semanas em Burundi.

Cortesia de BC architects
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Estágios de Arquitetura: a cada ano 1-2 pessoas juntam-se a nós para o seu estágio de arquitetura durante pelo menos 1 mês.

Seja qual for o grupo, todo mundo se junta em pequenas oficinas que abordam diversos temas, tais como a produção de CEB, a produção de adobe, análise de terra, tecelagem de bambu, tecelagem de sisal, soluções de fundação, design de mobiliário, e assim por diante, em uma atmosfera de contato e respeito mútuo com artesãos locais, em que o conhecimento de todos os envolvidos é compartilhado. Estes workshops trazem uma compreensão dos efeitos sociais, culturais, ecológicos e econômicos diretos de determinadas ações em um mundo globalizado: ações de pequena escala importam.

Cortesia de BC architects
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Pequeno orçamento, troca de conhecimentos, capacidade construtiva

Todas as pesquisas sobre os materiais, as decisões de projeto e a organização do canteiro de obras visam manter uma cadeia de especialização, trabalho e fornecimento de materiais. Tentamos reforçar a economia local por meio dessa cadeia de abastecimento. Nós escolhemos o trabalho manual em vez do trabalho da máquina durante a organização dos trabalhos de terraplenagem; vamos contratar apenas trabalhadores locais e um arquiteto local como coordenador para evitar a interferência de um empreiteiro de Bujumbura ou Ruanda; vamos nos concentrar no uso de materiais locais, tais como a terra para a alvenaria e acabamento, argila para os telhados e pisos, sisal para a rede, eucalipto para a estrutura do telhado, e se temos que usar cimento, tentamos fazê-lo como mínimo possível, para comprá-lo na loja local.

Durante todo o processo de construção, nós tentamos criar boas condições para a transferência de conhecimento. Os construtores têm dominado a produção e construção. Nós dominamos a rede de tecelagem sisal, o piso e telhas detalhando através do trabalho dos construtores locais, e assim por diante. A transferência de conhecimento vai em todas as direções.

Modelo
Modelo

No final, o processo de construção da biblioteca terá construído capacidade. O coordenador está considerando a montagem de uma unidade de produção CEB para vender blocos CEB aos residentes de Muyinga; 12 trabalhadores terão feito isso para os ajudantes de pedreiro ou mesmo pedreiros durante o processo, que foi comemorado de acordo com as tradições locais; que aprendemos (e continuamos a aprender) como agir como arquitetos em um mundo globalizado; os estudantes de arquitetura e estagiários aprenderam projeto com materiais locais, aplicados em um contexto de construção ocidental também. O processo de capacitação é interminável e contínuo.

Cortesia de BC architects
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As colaborações internacionais

Para este projeto, os arquitetos do BC-AS trabalharam em parceria com a ONG da diocese de Muyinga Odedim (Organização Diocesana para o Desenvolvimento Integral de Muyinga).

Juntos, eles promovem uma abordagem holística no processo de construção em Burundi, com um foco específico no desenvolvimento de estruturas de ensino (escolas). Satimo, uma pequena organização belga sem fins lucrativos, dá apoio financeiro. Além disso, o projeto está ligado a CHS, uma ONG para ajudar as pessoas deficientes sensoriais na África.

Também o Rotary Aalst, Zonta Brugge, província da Flandres Ocidental, Abdijschool Zevenkerke e Vocatio receberam uma menção digna para seu apoio financeiro. Finalmente VLIR-UOS em combinação com a Faculdade de Arquitetura da KU Leuven, campus Sint-Lucas Bruxelas / Ghent, e o Hogeschool Ghent são parceiros acadêmicos deste projeto.

Cortesia de BC architects
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PESQUISA DE MATERIAIS LOCAIS

O desafio da escassez de recursos para este projeto tornou-se uma oportunidade. Conseguimos respeitar uma cadeia de fornecimento de materiais de construção e mão de obra, apoiando a economia local, nos orgulhando da construção de uma biblioteca com material dos pobres: terra.

Cortesia de BC architects
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Análise da terra: "Testes em campo e ensaios de laboratório" - a terra crua como material de construção é mais frágil do que outros materiais de construção convencionais. Portanto, algumas análises são importantes. Os testes podem ser feitos em campo para ter uma primeira ideia sobre a sua qualidade. Alguns outros testes devem ser feitos no laboratório para obter uma melhor compreensão do material e potencializar o seu desempenho.

CEB: "da mãe natureza" - Após uma extensa pesquisa de materiais em relação com o contexto, foi decidido usar tijolos de terra comprimidos (CEB) como o principal material para a construção do edifício. Tivemos a sorte de encontrar duas máquinas CEB intactas com menos de 15 anos de poeira. As máquinas Terstaram produziram blocos de terra de 29x14x9cm que são muito semelhantes aos tijolos que conhecemos no Norte, além do fato de que eles não são cozidos. Quatro pessoas trabalhando constantemente produzem até 1100 blocos / dia.

Cortesia de BC architects
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Eucalipto "madeira; a mais forte, a mais vermelha "- as vigas que estão sustentado o telhado são feitas de madeira de eucalipto, que é encontrado em Muramba. A madeira de eucalipto torna ácido o solo e dificultando o crescimento de outras espécies. Assim, uma visão clara de manejo florestal é necessária para controlar o uso dos mesmos nas colinas de Burundi. Quando corretamente controlado, o eucalipto é a melhor solução para abranger espaços e servir como madeira de construção, devido aos seus pontos fortes e crescimento rápido.

Telhas: "produtos locais de qualidade" - O telhado e pisos são feitos em um atelier local nos arredores de Muyinga. As telhas são feitas de barro cozido no vale Nyamaso. Após o cozimento, a sua cor torna-se um rosa bem claro, na mesma gama de cores dos tijolos. Cada superfície do telhado no projeto biblioteca é composta por cerca de 1400 telhas. Este telhado substitui chapas importadas de ferro e valoriza materiais locais como um elemento chave para infra-estrutura do telhado público.

Cortesia de BC architects
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Argila Interna: "simples, mas sensível" - argila do Vale do Nyamaso, a 3 km do local de construção, foi utilizada por suas qualidades puras e não expansivas. Depois de alguns testes mínimos com tijolos, uma mistura foi escolhida e aplicada sobre o interior da biblioteca. A argila é resistente ao uso normal do interior para uma função pública, e acabou bem.

Bamboo: "Tecendo luminárias" - o bambu local não é de qualidade, mas pode ser utilizado para design de interiores, ou filtros de luz. Em um workshop conjunto com locais e belgas, algumas técnicas de tecelagem foram exploradas, e no final, os bambus foram utilizados para as revestir as lâmpadas dentro da biblioteca.

Cortesia de BC architects
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Corda de sisal: "da planta para a rede" - a rede, feita a partir de fibras de sisal é uma das pequenas micro-economias que floresceram neste projeto. Foi um grande esforço encontrar a única pessoa idosa em torno Muyinga que domina a técnica de tecelagem com corda de sisal. Ele colhia a planta sisal no local e começou a tecer. No projeto piloto, ele ensinou quatro outros trabalhadores, que agora também dominam esta técnica, a usá-lo como uma habilidade para ganhar seu sustento. A rede resultante serve como espaço para as crianças brincar, relaxar e ler, em um mezanino acima do espaço da biblioteca.

Concreto "quando é a única maneira de sair" - Nós não queríamos que este projeto piloto corresse nenhum risco estrutural. A estrutura leve do esqueleto de concreto está dentro das colunas de CEB, de forma que ambos os materiais (CEB e concreto) são mecanicamente separados. As colunas ocas de CEB foram utilizadas como uma "forma" para os trabalhos de concreto. Este é o nosso objetivo, dada a nossa experiência com a fase 1, eliminar o uso estrutural de concreto para construções futuras.

Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato. Cita: "Biblioteca de Muyinga / BC Architects" [Library of Muyinga / BC Architects] 01 Jan 2015. ArchDaily Brasil. (Trad. Sbeghen Ghisleni, Camila) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/761419/biblioteca-de-muyinga-bc-architects> ISSN 0719-8906
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