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Arquitetos: cobr arquitetos
- Área: 127 m²
- Ano: 2025
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Fotografias:Mariana Koentopp

Descrição enviada pela equipe de projeto. A Casa Ímpar nasce da transformação de uma antiga residência dos nos 90, onde o térreo é reinterpretado para acolher um programa híbrido: um brechó referência em curadoria, peças de diversos produtores independentes e um café. A casa abandona o uso estritamente doméstico e passa a operar como espaço de encontro, permanência e troca, preservando a escala íntima que a constitui.

O layout original é reorganizado para responder às demandas comerciais sem fragmentar a experiência espacial. A arquitetura atua como mediadora entre usos distintos, dissolvendo limites rígidos e construindo uma leitura contínua dos ambientes, onde vestir, sentar, provar um café ou simplesmente observar acontecem de forma integrada.

A linguagem material é direta e essencial. Inox, concreto aparente e superfícies brancas estruturam a atmosfera do projeto, criando um ambiente de caráter urbano, funcional e preciso. Uma estética que valoriza o uso, o tempo e a apropriação cotidiana, sem recorrer a excessos formais.

Um dos gestos centrais do projeto nasce da relação com o exterior. A janela deixa de ser apenas abertura e se transforma em lugar: ao receber um banco contínuo, passa a articular interior e jardim, funcionando como apoio para o café, espaço de espera, prova ou pausa. O limite entre dentro e fora se dilui, e o cotidiano passa a integrar a arquitetura de maneira natural.


No jardim, o paisagismo reforça essa lógica de permanência. A arquibancada em concreto organiza o estar coletivo, amplia a capacidade de uso e consolida o espaço externo como um dos pontos mais ativos da casa, constantemente ocupado e ressignificado pelos usuários.

Internamente, a separação entre uso público e privado orienta decisões fundamentais do projeto. A escada principal é isolada e recebe acesso independente, permitindo que o pavimento superior permaneça como área íntima dos moradores. Essa reorganização garante o funcionamento simultâneo da casa como espaço comercial e moradia, mantendo a integridade de ambos os programas.

A Casa Ímpar se constrói como um espaço vivo, onde arquitetura, sustentabilidade e encontro se entrelaçam de forma cotidiana. Um lugar onde o uso precede o discurso e onde a arquitetura se afirma como suporte para relações, tempos e modos de ocupar.










