Clarisse Cunha Linke

Clarisse Cunha Linke trabalha em planejamento e implementação de políticas e programas sociais desde 2001, com experiência no Brasil, Moçambique e Namíbia. É mestre em Políticas Sociais, ONGs e Desenvolvimento pela London School of Economics and Political Science, onde recebeu o prêmio “Titmuss Examination Prize”. É também pós graduada em Terceiro Setor pelo Instituto de Economia da UFRJ. Durante o período de 2006-2011, ela fez parte do corpo de diretores da Bicycling Empowerment Network Namibia (BEN Namibia), onde foi uma das responsáveis pela expansão das atividades da organização, se tornando a maior rede de distribuição de bicicletas integrada à implementação de empreendimentos sociais na África sub-Saariana. Em 2010, foi premiada pela Ashoka no Desafio “Mulheres, Ferramentas e Tecnologia”. Clarisse Cunha Linke faz parte da equipe do ITDP Brasil desde janeiro de 2012. (foto)

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Por um futuro caminhável: para mudar a forma como vivemos nas cidades é preciso colocar os pés na rua

Ah, a urb!... O vaivém nas ruas, o signo pulsante da modernidade, o espaço público por excelência. No início do século XX, João do Rio, o cronista marginal, fez um inventário dos “tipos” que circulavam pela cidade em A alma encantadora das Ruas, um clássico nacional. Mais do que um livro sobre crônicas de costumes, a obra retrata as transformações urbanas que o Rio sofria no momento de autoestima elevada da Belle Époque, quando despontava como capital da república nascente.

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Índice de caminhabilidade permite avaliar ruas sob ótica do pedestre

Desde 1905 o escritor brasileiro João do Rio falava em ‘flanar’ pela cidade’. Quase 100 anos depois, o sentido de ‘flanar’ foi ressignificado, mas também trouxe um novo olhar de como podemos nos relacionar com nossa cidade. ‘Flanar’ hoje é um convite à caminhar, esbarrar, reconhecer e aprofundar-se na experiência urbana. Vivemos mesmo é na cidade, nos relacionamos com ela o dia todo, todos os dias.

Em sua origem, a rua não era apenas uma via de acesso a um local e, sim, o próprio local. Um espaço de convivência para se estar, passar o tempo, interagir com outras pessoas. Na segunda metade do século XX o planejamento urbano focou em infraestrutura para a circulação eficiente de veículos motorizados. Tal modelo tem sido questionado já há algumas décadas, por autores como Jane Jacobs e Jan Gehl, cujos trabalhos pioneiros valorizaram o pedestre e a vida urbana”, contextualiza Danielle Hoppe, gerente de Transportes Ativos e Gestão da Demanda por Viagens do ITDP Brasil.

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