
«In Conflict Vol. 1», publicado pela Circo de Ideias, com edição de depA architects, Carlos Azevedo, João Crisóstomo, Luís Sobral e Miguel Santos, apresenta a investigação realizada no âmbito da representação portuguesa na 17ª Exposição Internacional de Arquitectura da Bienal de Veneza. O livro responde à pergunta de Hashim Sarkis, curador-geral da Biennale Architettura 2021: ‘How will we live together?’, revisitando uma seleção de processos da arquitetura portuguesa em Democracia moldados por um amplo debate público entre o poder político, a imprensa e a sociedade civil.
A cidade e o território são construções coletivas onde o dissenso dá forma à produção arquitetônica. Através da exposição e de um ciclo de nove debates, In Conflict pensa o papel da arquitetura enquanto disciplina pública, política e ética, na expectativa de cumprir um futuro em comum. Este livro, o primeiro tomo de um catálogo pensado a duas partes, retrata a exposição patente no piso nobre do Palazzo Giustinian Lolin. Tal como ao longo das salas do Palazzo, revisitam-se nestas páginas sete processos vivos da arquitetura portuguesa que abordam a questão da habitação. Cada capítulo, apresentado cronologicamente, desdobra-se em quatro atos. Primeiro, uma peça tridimensional introduz cada um dos processos pela mão dos arquitetos convidados a regressar a estes projetos de habitação. As fotografias destes objetos expostos são acompanhadas de uma pequena memória inédita que sintetiza a perspectiva crítica dos autores sobre as obras.
Depois, uma seleção de páginas de jornal referentes a estes projetos dá notícia do envolvimento do poder político, imprensa e sociedade civil ao longo do tempo. No terceiro ato, os projetos de arquitetura que dão corpo a estes processos são apresentados através de peças convencionais (desenhos, esquissos, fotografias de maquete, fotografias da construção e finais). Estas são precedidas de um diálogo cruzado entre a equipa de curadoria e as obras, alguns dos seus autores, as suas populações e outros protagonistas.
Estes apontamentos agora partilhados são fruto de uma viagem ao longo de dois anos por Portugal, generosamente acompanhada por todos os interlocutores, fundamental para a concretização deste projeto. Este catálogo, é um atlas do que se fez e do que está por se fazer neste ‘viver em conjunto' inaugurado com o 25 de Abril. As reflexões aqui contidas espelham uma leitura subjetiva, que tenta pôr sobre a mesa outras formas de olhar para alguns problemas persistentes na história da arquitetura portuguesa recente e para desafios futuros à escala global.




