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Hotel Flutuante / Sabbagh Arquitectos

Hotel Flutuante / Sabbagh Arquitectos
Hotel Flutuante / Sabbagh Arquitectos, Cortesía de Sabbagh Arquitectos
Cortesía de Sabbagh Arquitectos

Cortesía de Sabbagh Arquitectos Cortesía de Sabbagh Arquitectos Cortesía de Sabbagh Arquitectos Cortesía de Sabbagh Arquitectos + 73

  • Arquitetos

  • Localização

    Guaitecas Archipelago, Guaitecas, Aysén, Chile
  • Autores

    Juan Sabbagh, Mariana Sabbagh, Juan Pedro Sabbagh, Felipe Sabbagh
  • Área

    2600.0 m2
  • Ano do Projeto

    2006
  • Colaboradores

    Hernán Sánchez, Sergio de la Cuadra
  • Cálculo Estrutural

    Ingevsa
  • Iluminação

    Mónica Pérez y Asociados
  • Construção

    Sitecna
  • Hotéis Flutuantes

    Innovación mar adentro
  • Proprietário

    Multiexport Foods
  • Superfície Construída

    4 hotéis flutuantes de 400 m2 mais 1 de 1.000 m2
  • Mais informações Menos informações
Cortesía de Sabbagh Arquitectos
Cortesía de Sabbagh Arquitectos

Descrição enviada pela equipe de projeto. A ideia de visualizar um hotel flutuando no mar se assemelha mais a um capítulo da Ilha da Fantasia do que às construções que botam sobre as águas de Aysén na XI Região do Chile. No entanto, o engenheiro de um grupo de estaleiros de Puerto Montt, o projeto do escritório Sabbagh Arquitectos e a engenharia adequada para manter flutuando os volumes de concreto, permitiram mudar a cara dos fiordes do extremo sul. Os sonhos transformam-se em realidade em forma de hotéis flutuantes pertencentes à companhia Multiexport Foods, a quinta produtora de salmão do mundo.

Mesmo que pareça uma história simples, o panorama inicial não parecia muito promissor. Evidente, pois a encomenda consistia em projetar hotéis que cumprissem com os padrões ambientais da empresa e, além disso, que oferecessem conforto aos usuários, que permanecem até duas semanas no mar. Tudo, sobre blocos de concreto de apenas 14x9 metros. Como cumprir essa tarefa? A inovação tecnológica, os desafios técnicos e o engenheiro tornaram-se elementos centrais para enfrentar o projeto.

Planta 1
Planta 1

Planta 2 Corte B Implantação Detalhe + 73

Após a construção do Edifício de Piscicultura em Puerto Fonk em 2005, os executivos da Multiexport Foods quiseram assumir novos desafios. Para tanto, resolveram contar novamente com os serviços do escritório de Juan Sabbagh para renovar a paisagem nos fiordes de Aysén. "A encomenda em termos de desenho arquitetônico é parecida ao Edifício de Piscicultura por tratar-se de conjugar a harmonia com a paisagem e, ao mesmo tempo, melhorar os serviços para os operários", relembra Juan Pedro Sabbagh, arquiteto sócio da Sabbagh Arquitectos.

Assim, os arquitetos se propuseram a projetar hotéis ou residências que, assim como o nome indica, entregam ótimas condições de uso para aqueles que estiveram em lugares remotos. Para assergurar-se de oferecer o melhor, a primeira ideia do projeto consistiu em desenvolver containers a partir de módulos prefabricados que se implantariam em terra. No entanto, a proibição de operar em áreas ambientais protegidas, obrigou o projeto a transferir as construções para o mar. Isso mesmo, para o mar.  

Cortesía de Sabbagh Arquitectos
Cortesía de Sabbagh Arquitectos

Com a concessão de um espaço marítimo, começaram os desafios técnicos e arquitetônicos. "Na região há outras pisciculturas que contam com casas flutuantes, mas essas são construções arquitetônica e técnicamente muito precárias", comenta Sabbagh. A empresa elevou suas exigências. "As instalações deveriam ser capazes de operar mar a dentro de forma a permitir um ótimo controle de nossa produção. Além disso, deveriam ser navegáveis, não só para deslocar-se mas também para poder alternar as zonas de cultivo, tal como requer o estrito padrão ambiental da empresa", garantem em Multiexport Foods.

Frente a tais requisitos, os arquitetos aproveitaram os volumes de concreto desenvolvidos pelos estaleiros de Sitecna, em Puerto Montt, e sobre estes propuseram o que resultou na grande revolução arquitetônica e de engenharia para a região.

Cortesía de Sabbagh Arquitectos
Cortesía de Sabbagh Arquitectos

No entanto, a operação não foi tão simples. Os profissionais precisaram começar pela imposição de critérios de de desenho para a construção. Assim, lembram que o primeiro hotel "foi feito com grande sacrifício", mas os duros esforços deram frutos porque primeira experiência trouxe interessantes ensinamentos.

Tudo bem. Falamos de um projeto que implicava a construção de hotéis de concreto flutuantes e que deveria instalar-se sobre lajes tipo caixões. Mas, em que consistem os caixões sobre os quais se instalam os hotéis? E mais, como eles se mantêm flutuando? Vamos passo a passo.

Modelos
Modelos

Os volumes, ou cascos de concreto, que fazem o papel da laje de construção, consistem em superfícies de concreto armado retangulares de 14x9 metros, suportadas por vigas do mesmo material. As estruturas que permanecem sobre a água são compostas por um material especial, concreto H30, de maior resistência e menor porosidade em relação a outros tipos de concreto, e que impede a passagem de água salina para a ferragem, evitando a corrosão.

Para evitar os danos à construção, as precauções tomadas foram levadas ao extremo. "Dispôs-se um revestimento importante, de pelo menos 10 centímetros antes das barras. A isso somou-se um especial cuidado nas áreas de contato com a superfície, que são mais vulneráveis à corrosão por presença de oxigênio", explica Eduardo Valenzuela, gerente geral da Ingevsa. Os cascos contam com uma escotilha para manutenções, revisões e ajustes pontuais.

Mas, a melhor parte dessa aventura é a construção dos volumes. Sim, porque os estaleiros os constróem em pela baía, a espera das marés altas que facilitam o deslocamento das estruturas, cujos ajustes se concluem no mar. Essa tarefa foi sendo refinada, já que o quinto espaço habitável, um centro de cultivo de 1000 m2 que se encontra em etapa de projeto, contará com estruturas exclusivas e não recicladas de antigas casas flutuantes, o que dará maior manejo do espaço aos arquitetos e construtores. 

Talvez você se pergunte como os cascos flutuam, especialmente considerando que sobre eles se instalarão os hotéis de 400 m2 cada. "Trata-se de um sistema similar a uma brinquedo de joão-bobo. Ou seja, concentra o peso na área inferior da construção, nesse caso na área de flutuação, e se torna mais leve na parte superior", explica Valenzuela.

Efetivamente, enquanto na parte inferior concentrou-se o concreto, a estrutura superior é metálica galvanizada, com perfis finos de 75x75 cm, que permitem aliviar as cargas ao fundo do mar. Pelo mesmo motivo, foram evitadas as lajes entre pisos, que obrigariam a fortalecer estrutura, encarecendo o projeto. Os galvanizados também impuseram condições. "O tratamento do aço é feito em piscinas galvanizadas, o que significa que as uniões devem ser rosqueadas, já que soldas danificariam o galvanizado", comenta Valenzuela.

O cuidado com a esbeltez precisou considerar o domínio do vento em termos do cálculo estrutural. Isso porque, diferentemente das estruturas maciças como o concreto, que são afetadas pelos sismos, os elementos mais leves são vulneráveis à ação dos ventos.

Cortesía de Sabbagh Arquitectos
Cortesía de Sabbagh Arquitectos

Com tudo isso, o cálculo se desenvolveu para suportar ventos de 180 km/h e se reforçou por meio de peças ou diagonais metálicas, projetadas para suportar as cargas laterais. Isso refere-se aos perfis esbeltos, localizados por trás das partições nas partes traseiras dos hotéis.

E tem mais. A estrutura apresenta alto nível de flutuabilidade devido ao cumprimento de uma norma muito simples que consiste em calcular o empuxo da água provocado pelo peso da construção. Assim, considerando o volume submerso pela densidade da água, obtém-se um valor que indica o deslocamento. "Se o peso do hotel resultasse maior que a água deslocada,  ele afunda", adverte Valenzuela. Compreendido. Agora examinemos o que há sobre o mar.

Cortesía de Sabbagh Arquitectos
Cortesía de Sabbagh Arquitectos

É necessário esclarecer que as lajes transportadas de Puerto Montt foram vinculadas às estruturas superiores por meio de um sistema seguro e inovador, com o objetivo de evitar qualquer pedido de desprendimento.

Assim, os cascos foram vinculados às estruturas por meio de peças de concreto. Por sua vez, sobre essas peças localizaram-se parafusos de união e, sobre esses, pilares a cada 15 centímetros, como se fossem dentes de um pente. "Se perfurou uma superfície sobre as peças às quais se aderiu um vínculo especial, logo foi introduzido um pilar com estrias, colocou-se as fôrmas, o concreto e finalizou-se tirando as fôrmas", enumera o engenheiro. O sistema foi reforçado com uma ponte aderente para assegurar a união do concreto à laje. Além disso, a laje permanece flutuando a 40 centímetros das peças e os hotéis se elevam a quase 80 centímetros sobre o nível do mar.

Cortesía de Sabbagh Arquitectos
Cortesía de Sabbagh Arquitectos

Para os arquitetos, o projeto interior e exterior dos hotéis mostrou-se fundamental. Eles mantiveram a cor institucional da companhia, cinza escuro, porque isso lhes permitiu harmonizar o projeto com a paisagem. Isso por meio de placas especialmente desenvolvidas para o projeto e permitem criar uma continuidade entre parede e cobertura.

A empresa pretendia dar um ambiente padrão aos trabalhadores, e para isso criou-se um ambiente visual interno o mais confortável e agradável possível. Isso foi atingido dando maior altura aos espaços, utilizando madeira como revestimento para criar aconchego e atribuindo importantes superfícies de janelas termo-panais para fornecer luz e manter a temperatura interna, o que diminui a sensação de enclausuramento.

Cortesía de Sabbagh Arquitectos
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Os arquitetos colocam que, tanto a luz, quanto o espaço mostraram-se imprescindíveis. "A luz natural e a ventilação devem ser elementos presentes em todos os recintos, e para isso criou-se uma janela que renova o ar e outras que iluminam e ampliam os espaços", diz Sabbagh. O espaço foi privilegiado tanto no interior quanto no exterior. Do lado de fora, existe uma superfície de circulação no exterior para atracar botes e realizar manutenções. Dentro dos hotéis, existem dois pavimentos, um operacional-habitável e outra de recreação-habitável. Ambas com cômodos e salas tanto para os gerentes quanto para operários, inclusive para alguns kayaquistas de passagem na região.

Como equipamento, a companhia se propôs a permitir "a conectividade e o lazer dos funcionários". Para isso foram implementadas salas de televisão e jogos, salas de exercícios e um cyber-café. 

por Claudia Ramírez F.Coordenadora de Jornalismo, em Revista BiT nº57, Novembro 2007

Cortesía de Sabbagh Arquitectos
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Sobre este escritório
Sabbagh Arquitectos
Escritório
Cita: "Hotel Flutuante / Sabbagh Arquitectos" [Casa Hospedería Flotante / Sabbagh Arquitectos] 11 Fev 2014. ArchDaily Brasil. (Trad. Brant, Julia) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/878691/hotel-flutuante-sabbagh-arquitectos> ISSN 0719-8906