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Restaurante e Oyster Bar / atelierdacosta

  • 09:00 - 10 Maio, 2016
Restaurante e Oyster Bar / atelierdacosta
Restaurante e Oyster Bar / atelierdacosta, © Tiago Casanova
© Tiago Casanova

© Tiago Casanova © Tiago Casanova © Tiago Casanova © Tiago Casanova + 31

  • Arquitetos

  • Localização

    Porto, Portugal
  • Autor

    Hugo Barros
  • Equipe de Projeto

    José Pedro Matos, João Borges, Pedro Xavier Oliveira
  • Área

    320.0 m2
  • Ano do projeto

    2015
  • Fotografias

© Tiago Casanova
© Tiago Casanova

“Uma manhã, quando seguia pelo Grande Canal, no vaporetto, alguém me apontou, de repente, a coluna do Filarete e o vicolo del Duca e as pobres casas construídas naquilo que deveria ser o ambicioso palácio do senhor milanês. Observo sempre esta coluna e o seu basamento, esta coluna que é um princípio e um fim. Este processo ou destroço do tempo, na sua absoluta pureza formal, sempre me pareceu como que um símbolo da arquitectura devorada pela vida que a circunda. Reencontrei a coluna de Filarete, que observo sempre com atenção, nas escavações romanas de Budapeste, na transformação dos anfiteatros, mas sobretudo como um fragmento possível de milhentas outras construções.”...” Este poder usar pedaços de mecanismos cujo sentido geral em parte se perdeu sempre me interessou, até formalmente. Penso numa unidade, ou num sistema feito somente de fragmentos reconstruídos; talvez apenas um grande impulso popular nos possa dar o sentido de um desenho global... Estou porém convencido de que aquela arquitectura geral, o projecto de conjunto, o esqueleto, seja por certo mais importante e, em última análise, mais belo.”

Rossi, Aldo, Autobiografia Científica, Lisboa, Edições 70, 2013, p. 33

© Tiago Casanova
© Tiago Casanova

Do edifício do século XVIII – cunhal entre a Rua da Fábrica e a Rua Conde de Vizela - apenas os dois primeiros pisos se destinavam ao “Ostras & Coisas”. O terceiro e quarto pisos (este último recuado) estavam habitados, mas em mau estado de conservação da sua construção. O fragmento sobre o qual interviríamos estava ali, como a coluna de Filarete vista por Rossi, na sua redução a espaço e a luz de uma ruína , “devorada pela vida” em redor . No rés do chão ficou o abandono de uma churrasqueira construída nos anos 80, enquanto no piso 1 terá ficado a ausência de um alfaiate. A este fragmento, que é também em si fragmentado, impunha-se uma intervenção “osteológica” que unisse os fragmentos num projecto de conjunto.

© Tiago Casanova
© Tiago Casanova

A “cidade formal” onde se encontra, esta que se implanta consolidadamente no centro, está num impasse contemporâneo, entre o progresso e a perda de identidade, mas continua a produzir-se pela permanente transferência de vida entre o espaço público e os vários redutos de intimidade pública e privada que encontramos penetrando as fachadas. Fachadas que delimitam propriedade mas não podem demarcar o binómio público /privado, seja essa penetração mais permeável ou mais obstrutiva, segregadora e com triagens por critérios sociais, culturais, económicos e outros. Como é que poderíamos redesenhar vários desses redutos, pensando a continuidade da vida pelo interior, essa cidade democrática que se prolonga, num conjunto de dois pisos que nunca haviam funcionado como um todo ?

© Tiago Casanova
© Tiago Casanova

Quando visitámos pela primeira vez o espaço interior do edifício vimos dois espaços nunca antes ligados directamente e em estados de conservação da arquitectura original totalmente distintos.

Axonométrica
Axonométrica

A proposta de programa que nos foi apresentada era clara e assentou nesta dualidade entre os pisos: deveriam funcionar, em simultâneo, uma espécie de “oyster bar” e um espaço de restaurante, mais formal, servidos pela mesma cozinha. Deveriam ser partes distintas da mesma unidade. Para não perverter o sistema intemporal de uso autónomo por piso – que poderia ser reposto no futuro – evitou-se a construção de uma escada directa entre pisos. Preferiu-se o uso da escada existente e a transformação do seu espaço, ainda que partilhada com todo o edifício, como se de uma “segunda rua” se tratasse (onde se podem encontrar clientes, residentes e trabalhadores) ; um espaço (de) público, acedido depois de se passar por uma espécie de “public house”no rés do chão. A primeira acção de projecto foi , por isso, passiva: construir o discurso para não construir uma escada.

© Tiago Casanova
© Tiago Casanova

Um vão maior passaria a ligar o espaço do piso 0 à escada e ao
espaço da escada reformulado. Perante dois estádios de conservação muito distintos entre os dois pisos, o projecto havia de reflectir sobre o conceito de preservação, não só pelo ângulo mais conservador que lhe está associado, mas prospectivamente no tempo. A preservação é, aqui, tida como um processo contínuo; os dilemas acumulados de cada época são seleccionados e redesenhados como um todo, destruindo e adicionando, essencialmente pelas necessidades recentes de infra-estruturas num restaurante e a sua compatibilização com as estruturas existentes.

© Tiago Casanova
© Tiago Casanova

O piso 1 , que também sofreu algumas intervenções dos inícios do século XX, parecia já relativamente optimizado para o restaurante pretendido -mais formal e recatado- tornando-se apenas todos os espaços percorríveis entre si e restaurando todos os elementos construtivos. Manteve-se a estrutura sequencial de espaços simples e extremamente adaptável a diferentes programas, compartimentados em paredes de tabique e tectos em estuque .Foram alvo de uma intervenção de restauro e consolidação, tendo em conta o seu estado de deterioração, combinada com pequenas adaptações (novos vãos, armários, etc) que se procuraram acomodar no espírito do existente. No piso 1, todo este trabalho de reintrodução de peças cingiu-se à carpintaria.

© Tiago Casanova
© Tiago Casanova

No piso 0, como já referimos, a situação encontrada era bem diferente, estando desprovido de qualquer elemento original, à excepção das paredes limítrofes em alvenaria de granito e o tecto com a estrutura do piso em madeira. Tudo o resto eram pobres intervenções de interior e caixilharias dos anos 80. Esta ausência permitia imaginar um espaço apenas, único, comum e público, espécie de “public house” aberta à rua sem reservas ou filtros criados por estruturas de compartimentação. Seria desenhar um espaço para o público, ou melhor, encontrar o desenho possível para uma divisória que dá forma aos dois principais espaços a prever: o do público e o de serviço, correspondente à cozinha. Dada a exigência de arrumação de stock e de diversas peças a acomodar, tornou-se impreterível que a divisória fosse também armário, que reuniria e organizaria todos os equipamentos e dispositivos necessários, desde o balcão ao banco fixo, dos viveiros à vitrina de bebidas.

© Tiago Casanova
© Tiago Casanova

O espaço térreo é, não só onde o produto é mostrado, mas é também guardado, transformado, cozinhado, etc. O piso térreo é, por isso, o laboratório do todo. Esta parede-armário foi disposta tendo em conta o ângulo já existente entre as duas paredes das fachadas de alvenaria de granito, obtendo, assim, uma área razoável de cozinha e área de serviço no quadrante Sul/Nascente do edifício, sem perder a leitura de um espaço único, comum, democrático na sua relação com a rua. A ausência de carpintarias originais ou com especial relevância, a agressividade associada ao uso de r/C e a necessidade de reforçar a estrutura de piso levou-nos a cingir o trabalho no piso 0 à serralharia.

Planta - Térreo (Proposta)
Planta - Térreo (Proposta)

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atelierdacosta
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Cita: "Restaurante e Oyster Bar / atelierdacosta" 10 Mai 2016. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/787140/restaurante-e-oyster-bar-atelierdacosta> ISSN 0719-8906