
Filmes experimentais, polaroids, “objetos fílmicos” e trabalhos inéditos do artista visual carioca ocupam as Cavalariças a partir de 28 de março
Individual reúne um conjunto de obras em diferentes formatos, sob a curadoria de André Sheik, e percorre as vivências, inquietações, viagens e amizades do artista
A Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage anuncia a exposição Fílmicas, do artista visual carioca Marcos Bonisson, há dez anos professor da instituição. A individual ocupará as Cavalariças a partir de 28 de março de 2025, com curadoria de André Sheik.
Bonisson adotou a fotografia, o Super 8 e o vídeo como principais campos de trabalho após experimentar outras técnicas na EAV, onde frequentou cursos de gravura, pintura e escultura, entre os anos de 1977 e 1981. Na Escola, foi aluno de Alair Gomes, Constance Brenner, Gianguido Bonfanti, Sergio Santeiro e Celeida Tostes, entre outros. Mais tarde, conciliou a sua prática artística ao trabalho de professor e pesquisador.
“As obras presentes em Fílmicas são signos em rotação que refletem minhas experiências de vida e linguagens no lastro do tempo. Alguns trabalhos são colagens de registros próprios ou de outros autores, de modo que cada montagem é única”, revela Bonisson, pontuando que o espaço é um elemento constitutivo da nova exposição. “A arquitetura das Cavalariças foi determinante para a concepção do projeto”.
Ao reunir obras em diferentes suportes, a primeira sala imprime a versatilidade da produção do artista, que explora diferentes linguagens e formatos. Exemplo dessa abrangência poética são as nove esculturas em pedras portuguesas, coletadas nas andanças de Bonisson pelo Rio, designadas conceitualmente por ele como “Objetos fílmicos”.
As peças dividem espaço com a série Kinolooks-Noir (8 fotos p&b montadas em caixas pretas de 21 x 21 cm). Realizado em Nova York, entre os anos de 1985 e 1987, o trabalho surgiu a partir de errâncias, passeios de bicicleta e capturas de telas de filmes que o artista registrava nos cinemas da cidade. “Nesta série, a situação processual de seleção e combinação de imagens aleatórias das ruas é relativa à imagem capturada das telas em contingência”, explica. Também disposta em caixas pretas, a série Venezianas apresenta três imagens em preto e branco, selecionadas a partir de registros realizados nas estreitas vielas de Veneza, na Itália, em 2024.
