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Can Manuel d’en Corda / Marià Castelló + Daniel Redolat

Can Manuel d’en Corda / Marià Castelló + Daniel Redolat
Can Manuel d’en Corda / Marià Castelló + Daniel Redolat  , © Estudi Es Pujol de s’Era
© Estudi Es Pujol de s’Era

A intervenção está em um terreno de natureza rústica de 19.060 m2 de área, na região de Cap de Barbaria, na zona oeste da ilha de Formentera. As preexistências mais significativas que foram mantidas e potencializadas pelo projeto são um pequeno bosque de pinheiros, localizado na zona oeste da fazenda, e também a antiga casa de Can Manuel de’n Corda, que reflete o tipo de arquitetura vernacular desenvolvida em Formentera entre o final do século XVIII e meados do século XIX.

© Estudi Es Pujol de s’Era

A volumetria simples do corpo principal, com uma cobertura duas águas e orientação sudeste, assim como sua implantação na paisagem através das paredes de pedra seca de produção tradicional, destaca a vinculação dessa tipologia de edificação com as explorações agrícolas encontradas na região.

© Estudi Es Pujol de s’Era

O extenso programa funcional que condicionava a obra foi disposto de maneira que, embora esgote os parâmetros urbanísticos permitidos pelo planejamento vigente, este desvirtue o mínimo possível a casa preexistente e, paralelamente, disponha sua volumetria de forma que esta tenha a menor presença possível no frágil entorno. Isto foi possível graças ao uso de uma volumetria fragmentada no térreo em uma disposição não ortogonal, escalonada em meio nível quanto ao nível da casa existente, adaptando-se à topografia, assim como mantendo intactas as fachadas mais características desse modelo arquitetônico (fachadas sudeste e noroeste, onde estão as aberturas originais). Dessa forma recorre-se às fachadas que originalmente eram cegas (fachadas nordeste e sudoeste) para conectar as peças da nova criação, assim como para materializar as novas aberturas que permitirão um melhor aproveitamento da luz natural.

Fachadas, Cortes, Plantas

Apesar de se ter mantido o acesso principal à residência com sua orientação sudeste, a nível estratégico a nova habitação dá às costas para a estrada que limita o terreno no seu lado leste, já que esta é bastante movimentada. Assim a ampliação da residência busca as melhores visuais ao noroeste, de onde se tem vista para a ilha Es Vedra, que tanto caracteriza o skyline meridional da ilha vizinha, a famosa Ibiza.

© Estudi Es Pujol de s’Era

Na casa original foram mantidos os espaços de caráter público (sala de estar, sala de jantar, cozinha e terraços), enquanto que no térreo da ampliação concentram-se os dormitórios, e no pavimento mais alto os espaços de serviço (lavanderia, adega, despensa, etc…) e recintos técnicos.

Da volumetria da ampliação destacam-se as visuais que atravessam a edificação através dos interstícios entre os diferentes módulos da geometria ortogonal que configuram os quatro dormitórios com banheiro do térreo. Destes interstícios o mais importante é a transparência que existe no contato entre a ampliação e a casa tradicional. Este contato sutil ajuda a clarificar os limites de cada edificação.

© Estudi Es Pujol de s’Era

Estas citadas fendas transversais são reproduzidas no andar mais alto, gerando pátios iluminação e ventilação que dão calor aos espaços inferiores ao mesmo tempo em que transformam a maneira de relacionar-se com o entorno.

A cobertura plana da ampliação é usada como solário e mirante em apenas um ponto, acessado por uma escada exterior.

Quanto à materialidade, a proposta foi formalizada com uma reduzida palheta de materiais. Destaca-se o espaço interior da casa tradicional, onde foram mantidos os acabamentos originais de pedra calcária do lugar, feito com argamassa de cal, revestidos parcialmente por um novo revestimento de painéis verticais que alojam as instalações e a iluminação indireta no espaço de cinco centímetros que os separa.

© Estudi Es Pujol de s’Era

No térreo, os pavimentos interiores e exteriores nos terraços são de concreto polido, cujas juntas de dilatação respondem às diretrizes de organização dos diferentes módulos, aberturas, mobiliário de obra, etc.

A esquadria exterior é de madeira maciça de iroko, como também são as vigas do forro da casa tradicional. A esquadria interior é em madeira MDF à prova d’água pintada em branco.

Na sala de estar, foi executada uma nova chaminé mediante uma chapa de aço de 10 mm de espessura. A cozinha e os banheiros são revestidos com acabamento em microcimento similar ao piso. Os móveis baixos da cozinha foram executados com painel revestido com madeira de iroko, enquanto que a prateleira do meio, que conecta o módulo da coifa, é de MDF pintado de branco.

© Estudi Es Pujol de s’Era

Na zona da ampliação, os forjados inclinados dos quartos foram deixados sem revestimento, em concreto aparente. Também nos dormitórios, as camas, cabeceiras e armários foram executados na obra, como parte da arquitetura.

© Estudi Es Pujol de s’Era

As pérgolas exteriores são de aço pintando de branco com uma volumetria que filtra a luz natural.

A piscina é revestida com microcimento similar ao dos banheiros e cozinha. O deck que rodeia a piscina também é de madeira de iroko.

No andar mais alto, o piso é de pedra calcária natural “capri”, colocada a 1/3 segundo as diferentes diretrizes dos módulos dos quartos.

Os pátios de iluminação deste pavimento mais alto, assim como das coberturas planas não caminháveis, têm o acabamento com cascalho ocre, obtido ao se triturar a pedra calcária local.

© Estudi Es Pujol de s’Era

A escolha do mobiliário inclui o design clássico mediterrâneo, como as poltronas Torres Clavé, ou a luminária cesta de Miquel Milà, do mesmo modo que as cadeiras tradicionais realizadas por artesãos locais e o mobiliário projetado sob medida e realizado, na sua maioria, em madeira de iroko com acabamento natural.

A adaptação da topografia para a geração dos acessos, contenção de terra e jardineiras, foi realizado com chapas de aço corten de 10 mm de espessura.

Apesar de ter se conservado uma parte importante da vegetação preexistente na zona da intervenção, cicatrizou-se a ferida no território, gerada durante o processo de obra, através da vegetação nativa que necessita de pouca manutenção.

© Estudi Es Pujol de s’Era

Ficha técnica:

  • Arquitetos:Marià Castelló + Daniel Redolat
  • Ano: 2008
  • Área construída: 595 m²
  • Status:Construído

Equipe:

  1. Arquitetos: Marià Castelló, Daniel Redolat
  2. Equipe de projeto: Marià Castelló, Daniel Redolat
  3. Colaboradores: Marga Ferrer, Agustí Yern, Albert Yern, Sonia Iben Jellal, Ferran Juan, Javier Colomar

Informação Complementar:

  1. Construtora: Construcciones Pep Sala S.L.

Cita: Marina de Holanda. "Can Manuel d’en Corda / Marià Castelló + Daniel Redolat " 14 Ago 2012. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/65073/can-manuel-den-corda-maria-castello-mais-daniel-redolat> ISSN 0719-8906