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Concurso de Estudantes | 9ª Bienal 2011 – Farrapos 177 / Lucas P. Weinmann, Carlos Eduardo B. de Castro, Gabriel C. de Lorenzi, André R. Thies e Conrado L. Silva

Concurso de Estudantes | 9ª Bienal 2011 – Farrapos 177 / Lucas P. Weinmann, Carlos Eduardo B. de Castro, Gabriel C. de Lorenzi, André R. Thies e Conrado L. Silva
Concurso de Estudantes | 9ª Bienal 2011 – Farrapos 177 / Lucas P. Weinmann, Carlos Eduardo B. de Castro, Gabriel C. de Lorenzi, André R. Thies e Conrado L. Silva, Imagem Cortesia Autores
Imagem Cortesia Autores

 

O projeto foi premiado no Concurso de Estudantes | 9ª Bienal Internacional de Arquitetura 2011 – 3 ° Prêmio – Categoria: EX AEQUO – Farrapos 177 .

CONCEITO: O TEMPO COMO MEMÓRIA

Nossa busca conceitual se deu através do entendimento de uma frase do poeta argentino Jorge Luis Borges: “El tiempo es olvido y es memoria “, e sua aplicabilidade na cidade. Entendemos que há trechos de cidade que, por diversas razões – culturais, econômicas e sociais – acabam por cair no esquecimento.

Esses trechos de cidade adquirem forma e função do esquecimento que os envolve: prédios abandonados, subutilizados, atrativos para a marginalização. Logo, o esquecimento que permeia a arquitetura desses lugares se reflete nos cidadãos habitantes destes espaços. Portanto, nossa diretriz conceitual aponta para que o efeito do tempo nestes espaços rume no sentido oposto. Infraestruturar esses espaços, conferindo uso, densidade e diversidade, significa trazê-los à memória. Lugares que um dia fizeram parte de um passado de vitalidade podem voltar a ser o que eram, ou, por que não, ser o que nunca foram.

Essas são diretrizes que aproximam o cidadão da cidade. Trazem arquitetura para todos: constroem cidadania.

A CIDADE

Nossa cidade de intervenção é Porto Alegre, que apresenta a peculiaridade de uma cidade de origem praiana e peninsular, cujo centro histórico se deu na ponta mais a oeste. Porto Alegre se organiza em um sistema de vias radiais e perimetrais, planejadas para escoar o fluxo intenso de veículos da região central.

No entanto, essa tentativa não foi totalmente eficaz, visto que ainda hoje, o centro conta com grandes entraves à circulação, que são equipamentos, como a maior rede de hospitais do estado, a universidade federal e a estação rodoviária.

Atualmente o centro apresenta um caráter comercial, o qual substituiu a tradicional temática habitacional da região. Dessa forma, o funcionamento do centro passou a se limitar aos horários comerciais, o que acarreta uma baixa diversidade de uso e marginalização de alguns pontos. É em um desses pontos sensíveis que pretendemos intervir.

O SÍTIO

A área está localizada nas proximidades da rodoviária, e é muito próxima aos terminais de ônibus intermunicipais e aos terminais centrais de ônibus municipais, ou seja, conecta-se com facilidade a qualquer ponto da Capital e da Grande Porto Alegre via transporte coletivo.

O acesso de carros não é favorável, por ser uma região de tráfego muito intenso. Isto é uma vantagem, levando-se em conta que o acesso de carro é dificultado devido ao grande fluxo da área.

Atualmente a zona em questão não é convidativa à permanência, ou seja, ela possui caráter de passagem. A conjuntura dos usos, equipamentos e programas atuais - lojas de autopeças e edifícios empresariais -, tornam os espaços públicos desabitados, especialmente durante a noite.

O terreno atualmente conta com dois edifícios abandonados – um hospital inativo de cerca de 4000m², que está ocupado por nove famílias, e um edifício habitacional inacabado de cerca de 1200m², desocupado – e uma série de lojas para aluguel que não estão em uso. Com isso, a área de intervenção se conforma como um vazio urbano em um entorno de alta densidade.

Maquete

PROGRAMA E ZONEAMENTO

DIRETRIZES

Tendo como diretriz principal ocupar uma pré-existência, propomos sobrepor camadas novas a camadas antigas de cidade, ou seja, criar algo novo de forma a evidenciar o antigo. Nosso zoneamento está vinculado à idéia de estabelecer uma graduação para essa intervenção: o NOVO, o ALTERADO e o PRESERVADO. (ver esquema)

Na concepção do programa, a habitação aparece como carro-chefe, de forma a conferir ao local a densidade que lhe diz respeito, considerando o fato de que a área em questão está em uma zona central.

HABITAÇÃO PERMANENTE

Propomos, portanto, um bloco de habitação permanente no edifício residencial desocupado com fachada para a Alberto Bins. A intervenção neste bloco se dá sob forma de uma nova diagramação dos espaços internos e um acréscimo de estrutura metálica lateral, que abrigaria as circulações e a infraestrutura predial. Com uma intervenção simples, em um prédio que já está praticamente pronto, buscamos atender classes ascendentes da sociedade. As habitações teriam como publico alvo famílias de até quatro pessoas que pudessem ser beneficiadas em financiamentos de linhas de crédito como o “Minha Casa Minha Vida”.

HABITAÇÃO TEMPORÁRIA

Sob outro ponto de vista, idealizamos como programa para a habitação temporária uma casa do estudante. O estudante é um personagem catalisador da vitalidade dos espaços públicos e a animação destes é uma necessidade latente na área de trabalho. Ele se adapta facilmente ao contexto urbano, utilizando sistema de transporte coletivo, ou se deslocando a pé. Com isso, é possível que se atinja a densidade almejada sem acarretar um aumento significativo do fluxo de carros. O estudante intensifica o movimento de calçada e a ocupação efetiva dos espaços públicos. Ainda, a área em questão conta com alta conectividade de transporte coletivo às principais universidades.

Em Porto Alegre, historicamente, há um deslocamento da massa estudantil de bairro para bairro. Há cerca de três décadas o bairro boêmio e estudantil era o Bom Fim. Por uma série de motivos econômico-sociais, esse bairro se valorizou. Assim, os estudantes acabaram por se transferir para o bairro Cidade Baixa, que hoje assume este papel. A Cidade Baixa, que antes padecia dos mesmos problemas que o setor em que estamos intervindo apresenta, vem se modificando e se valorizando. Portanto, é possível antecipar esse fenômeno histórico e pensar em um projeto que seja pioneiro na revitalização desse trecho do Centro.

Plantas

SERVIÇO: TUDO FÁCIL

Para atender a demanda de serviço regional, propusemos uma sede do Tudo Fácil, que é um órgão estadual que desempenha diversas funções, como emissão de documentos, pagamento de multas, etc. Este é um programa que traz consigo grande fluxo de pessoas, principalmente em horários comerciais, momentos em que atualmente esse fluxo não existe.

COMÉRCIO: MERCADO

O mercado atende não só a demanda gerada pelo programa habitacional implantado pelo projeto, mas também às habitações adjacentes e possivelmente de outros locais, assumindo assim características regionais.

EDUCAÇÃO E SAÚDE

Na edificação existente voltada para a Av. Farrapos, propusemos a implantação de um posto de saúde amplo, atendendo as necessidades locais e regionais. Ainda, previmos a inclusão de um curso técnico, que hoje é uma das principais ferramentas de ensino profissionalizante.

CULTURA: MUSEU DA ESCULTURA GAUCHA

Prover cidadania é, entre outras coisas, dar acesso à informação e cultura. Para tanto, projetamos o Museu da Escultura Gaúcha, como o novo elemento arquitetônico do sítio. Aproveitando a produção gaúcha de alta qualidade em escultura de artistas como Xico Stockinger, Bez Batti, Vasco Prado, pode-se aproximar a arte do cotidiano das pessoas. O Museu é semi enterrado, de maneira a favorecer as visuais para o conjunto e é vinculado diretamente com a praça, com esculturas distribuídas pelo seu interior e exterior, tornando-se acessível e convidativo para o público freqüentador dos serviços do local. A edificação pode receber outras atividades, como aulas, palestras e exposições.

A temática de reaproveitamento de áreas centrais da cidade não é um tema restrito a Porto Alegre. Existe algo de universal na proposta que está presente em diversas metrópoles latino-americanas. Dentre os diversos problemas que os centros urbanos de nossas cidades enfrentam, talvez o mais sério seja o esquecimento.

É fundamental trazer a memória esses esqueletos, exumá-los, num trabalho de arqueologia arquitetônica de implicações urbanas. Vitalizar um edifício estéril que está sobre solo fértil é falar, em sua essência, em arquitetura cidadã e com isso planejar mais que a concretude de um prédio, mas sim idealizar um futuro melhor.

Ficha técnica:

  • Arquitetos:
  • Ano: 2011
  • Endereço: Av. Farrapos, 177 - Floresta Porto Alegre Brasil
  • Tipo de projeto: Equipamento Urbano
  • Operação projetual:Requalificação
  • Status:Concurso
  • Materialidade: Vidro e Metal
  • Estrutura: Concreto
  • Localização: Av. Farrapos, 177 - Floresta , Porto Alegre, Brasil

Equipe:

  1. Alunos: Lucas Piccoli Weinmann, Carlos Eduardo Binato de Castro, Gabriel Cypriani de Lorenzi, André Recamonde Thies e Conrado Lang Silva
  2. Orientador: Arqta. Marta Peixoto

 

  1. Universidade: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
  2. Texto: Autores do projeto

Cita: Joanna Helm. "Concurso de Estudantes | 9ª Bienal 2011 – Farrapos 177 / Lucas P. Weinmann, Carlos Eduardo B. de Castro, Gabriel C. de Lorenzi, André R. Thies e Conrado L. Silva" 01 Fev 2012. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/27162/concurso-de-estudantes-9a-bienal-2011-farrapos-177-lucas-p-weinmann-carlos-eduardo-b-de-castro-gabriel-c-de-lorenzi-andre-r-thies-e-conrado-l-silva> ISSN 0719-8906