Rodrigo de Moura

Rodrigo de Moura é arquiteto e urbanista pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Pesquisador no campo do espaço e afetividade. Organizador e autor no livro "O Glicério por suas crianças, mapeamento afetivo construído junto com crianças moradoras da Baixada do Glicério".

NAVEGUE POR TODOS OS PROJETOS DESTE AUTOR

A história dos espaços de cura e suas arquiteturas

Assim como nós, as palavras têm uma história. Cura vem do latim e está ligada ao ato de cuidar. Esse mesmo radical dá origem da palavra curador, como aquele que é responsável por um acervo ou instituição, por exemplo e cuidado. Talvez descrito no sentido médico pela primeira vez por CelsusIn hoc casu medici cura esse debet, ut morbum mutet (Neste caso o cuidado médico é indicado para mudar o curso da doença) [1]. Hoje quando pensamos em curas parece que falamos de um ato isolado dentro de um tratamento qualquer. A cura da gripe. A cura do câncer. A cura do novo coronavírus. Porém é importante pensar na cura como um processo que depende de múltiplos fatores.

Fachada do recém-inaugurado Hospital de Urgências de São Bernardo do Campo projetado por SPBR Arquitetos. Aqui texto do Francesco Perrota-Bosch sobre o projeto. Imagem © Nelson Kon Interior de uma das suítes do Hospital Sírio Libanês. Imagem: Hospital Sírio LibanêsHôpital de la Salpêtrière parte do Hospital Geral de Paris. Muitos dos habitantes submetidos ao rigor disciplinar da instituição tinham problemas de saúde e ficavam em alas reservadas para que não contaminassem os demais. Assim como as hospedarias dos mosteiros e conventos da Idade Média, o hospital não era concebido para a cura e o tratamento dos doentes era algo secundário, muito mais ligado às obras de caridade do que o cuidado com a pessoa em sofrimento. Note a Cruz Latina no frontão. Imagem: Wikimedia Commons, licença CCEnfermaria do Hôpital Necker, 1918. O hospital moderno vai herdar o caráter disciplinar de instituições de suas instituições antecessoras. Seja no universo correcional do Hospital Geral, do tratamento caritativo-espiritual do Hôtel-Dieu ambos na França, da experiência do Hospital Betheleem na Inglaterra ou mesmo o espaço de cuidado dos soldados, cada vez mais treinados e especializados, na volta dos combates. A lógica da vigilância (posto de enfermagem), monitoramento e registro de atividades (prontuário), identificação das pessoas mesmo que venham a óbito (pulseira de identificação) está muito mais ligada ao universo militar/disciplinar do que aos espaços de cura da antiguidade. Imagem: Archives de l’AP-HP, usado sob termos de Fair Use+ 20