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Clássicos da Arquitetura: Torres do Parque / Rogelio Salmona

Clássicos da Arquitetura: Torres do Parque / Rogelio Salmona
Clássicos da Arquitetura: Torres do Parque / Rogelio Salmona, © Flickr sbstnchïng
© Flickr sbstnchïng

As Torres do Parque iniciam sua construção em 1968, terminando em 1970. Entre 1964 e o começo da obra foi uma época de testas, duvidas e ensaios sucessivos para encontrar a forma correta do projeto, não só do ponto de vista arquitetônico, mas também do ponto de vista urbanos e paisagístico.

© Fundación Rogelio Salmona

O terreno, conformado pela topografia esmagadora, a Praça de Touros, o Parque da Independência (abandonado há mais de 15 anos) e a magnifica vista panorâmica da Cordilheira, ainda não contaminado pela multidão de torres e edificações densas, invasões e ocupações sem sentido do lugar, não devia ser só considerada na elaboração do projeto, mas acima de tudo, ser exaltada por uma arquitetura implantada tão corretamente e sensível, que transforme e molde a cidade, que seja o pulsar do lugar e espaço de encontro entre a razão, o encantamento e a poesia. Entre a claridade e a magia; uma arquitetura que pode ser descoberta, que não se impusesse, pois é mais bela quando se descobre com surpresa, como se descobre a natureza. Finalmente, uma arquitetura que se integre com a Praça de Touros existente, e que permita a transparência entre a cidade e sua cordilheira, recuperando a inclinada rua contigua ao Parque, convertida em uma via jardim para pedestres, formada por escadarias e rampas unidas ao conjunto residencial e ao parque.

© Flickr Alex Obonaga

Um critério fundamental na concepção do conjunto arquitetônico implicava que este fosse aberto, como correspondente de uma ideia de cidade, democrática, tolerante e rica em espaços públicos, concebidos para o disfrute do cidadão.

Na verdade o projeto foi implantado no terreno, composto e imposto (apesar dos prejuízos) de maneira que fosse apropriado por todos os habitantes da cidade. Hoje em dia, qualquer cidadão pode caminhar pelo conjunto residencial, atravessá-lo, e se é o caso, desfrutá-lo, como de desfruta um espaço público, ainda que este seja privado. Não tem grades, não se fecha aos seus habitantes. Faz parte da cidade.

© Flickr alejo ache

Era claro que um projeto que pretendia ser transformador estética e espacialmente de uma zona não podia se limitar exclusivamente a ela. Devia também conceber-se como um marco para toda a cidade, como deveria ser toda obra arquitetônica: uma síntese inteligente de vivencias, de conhecimentos, de paixões e nostalgias, conformando um feito cultural que não só melhore o espaço público da cidade, mas que também ajude em sua criação e estabeleça uma transição generosa e harmônica com o espaço privado.

© Fundación Rogelio Salmona

Quando uma obra pretende recriar, conversar, integrar e prolongar pedaços da cidade, enriquecendo o espaço público e a paisagem urbana, passa de ser um simples trabalho construtivo a um trabalho arquitetônico, que pode chegar, com o tempo, a ser admirável. Era justamente esta a intenção ao compor o Conjunto Residencial do Parque: fazer um projeto em que suas qualidades formais e ambientais pudessem chegar a emocionar, a dar a cidade um espaço renovado e ativo socialmente, e a recuperar o esquecido e destruído Parque da Independência e sua rua contigua.

© Flickr Elisa Izquierdo

Mais que um projeto arquitetônico, tratava-se de provocar um feito urbano contundente: renovação de um setor e transformação da paisagem urbana, evidenciar a paisagem natural; transparecendo-se através da arquitetura; utilizar um material local dominante e criar uma densidade de acordo com uma ocupação adequada. Diferentemente das outras artes, a arquitetura, substancialmente abstrata, ainda que materialmente útil, está condicionada pelos acontecimentos e o contexto do qual faz parte. Uma de suas características é que deve ter um claro conceito da realidade, ou seja, que deve poder avaliar o particular: saber extrair do fundo da própria cultura e geografia as melhores soluções para as necessidades e comportamentos. A arquitetura não deve se separar nem de seu tempo nem de sua gente. Deve ir além.

© Flickr EstudioBLAU

Deve propor espaços que emocionem, que sejam apreendidos pela visão, mas também com o aroma e o tato, com o silencio e o som, a luminosidade e a penumbra e a transparência a que se recorre e que permite descobrir espaços inesperados. Permitir que fossem produzidos trabalhos surpreendentes como reflexos e sombras, transparências e escapes visuais, unidade na diversidade era tão obrigatória no planejamento do projeto, como sua funcionalidade.

© Flickr GerOh!

Dadas as características topográficas de Bogotá e do setor, o subir e o descer constantemente obrigava a composição de um edifício coerente para produzir aos pedestres, ou em seus próprios habitantes, o passeio e a possibilidade de atravessar a arquitetura: gozo e emoção. Os primeiros planos dos edifícios, suas formas e volumes, foram organizados para criar uma continuidade entre o interior do conjunto e o exterior, entre o espaço comunitário e o público. As fortes mudanças de nível do terreno foram aproveitadas na composição, formando desde a parte mais baixa da “Rua das Escadarias” até os últimos níveis dos edifícios.

© Flickr SLRookie

Tratava-se de criar um projeto arquitetônico que ultrapassasse os limites de seu próprio programa e propusesse um embasamento na escala do pedestre conformado por pequenas praças e jardins, calçada, iluminação, arborização, uma silhueta e acabamentos da edificação, e que fosse diferentemente percebido dos distintos lugares da cidade. Com o objetivo de criar uma relação estética entre o cidadão e arquitetura. Relação que vai se modificando e variando à medida que proximidades e distanciamentos apresentam-se, sobre tudo à medida que se penetra e se caminha pelo espaço arquitetônico. Variações que são enriquecedoras para os sentidos, mas variações “contidas” sem perder a unidade. Todas estas ideias assim esboçadas foram as principais diretrizes de uma composição arquitetônica que devia ser aprovada, tanto pela entidade contratante do projeto, como pelas entidades oficiais. Não foi fácil o trabalho de convencimento de deixar o “projeto aberto”. A ideia de “segurança” se sobressai sobre qualquer aspecto e determina no tecido urbano um tipo de ocupação baseada no fechamento. A fluidez, a continuidade que existe na cidade vai desaparecendo à medida que se proliferam estes “conjuntos fechados” gradeados e vigiados por homens armados.

A cidade vai perdendo sua essência como é a de ser um espaço aberto, gerador de convivência, de solidariedade e de encontros para toda a comunidade. O Conjunto Residencial do Parque tentava demonstra que era possível (e foi) fazer para Bogotá propostas arquitetônicas e espaciais que contradissessem essa tendência ao enclausuramento, ao esquecimento da paisagem, da luminosidade, dos atributos do material e voltar outra vez, como disse Gáston Bachelard, ao “nosso recanto que conserva as lembranças e a emoção do mundo”. Tentava também voltar a pensar a cidade como um conjunto de espaços abertos, geradores da arquitetura, e ao mesmo tempo, gerados pela arquitetura, nos quais desapareceriam os espaços e lugares residuais, que tanto dano fizeram às cidades colombianas, e as fazer retornar a sua verdadeira razão de ser: produzir alegria e prazer ao habitá-la.

© Flickr Felipe W

Também não foi fácil reduzir a densidade do projeto. As normas permitiam uma densidade maior, que contradizia a analise do terreno. Uma maior ocupação e maior altura das edificações teria fechado a transparência à panorâmica de cidade e impedido uma boa relação entre o construído e o não edificado. As formas não convencionais da composição arquitetônica, resultado, não de um capricho, mas da analise do lugar, com suas características particulares (insolação, topografia, luminosidade, entorno) e a forma como a arquitetura fosse sendo descoberta dos distintos ângulos visuais e perspectivas, traziam sérios problemas de composição ou de interpretação.

Não é simples “ver” a arquitetura apresentado com croquis ou maquetes. Necessitava-se um certo grau de iniciação e conhecimento de sua historia, que deveria ser matéria de estudo no bacharelado, se pretende-se, de uma vez por todas, melhorar o aspecto e a qualidade das cidades colombianas. A cidade fazem seus habitantes. Esse conhecimento da arquitetura é fruto de uma busca projetual e teórica contínua, um trabalho através do qual se trata de capturar (sem alcançar plenamente) o sonho do homem de criar seu lugar.

Em síntese, o Conjunto Residencial do Parque já tem 30 anos de existência. O tempo mostrou que era possível sonhar com um conjunto habitacional aberto à cidade, de alta densidade, mas com uma ocupação adequada; que era possível também, apesar das criticas, compô-lo e construí-lo com um material dominante em suas fachadas; que a unidade e a variedade de um projeto é o resultado de uma infinita paciência para escolher, selecionar as respostas mais adequadas de acordo com o lugar, com a geografia e com o entorno, com o material que tem seus próprios atributos e exigências formais, mas sobre tudo, com o próprio projeto arquitetônico que exige rigor, claridade, medida e harmonia, para conseguir uma vivencia enriquecida por sua própria espacialidade, por formas variadas, pela luminosidade e os reflexos do material, pelas escalas e oferecendo à cidade uma obra respeitosa, harmônica e bela.

Ficha técnica:

  • Arquitetos:Rogelio Salmona
  • Ano: 1970
  • Área do terreno: 66.000 m²
  • Tipo de projeto: Residencial
  • Status:Construído
  • Materialidade: Tijolo
  • Estrutura: Concreto
  • Localização: Bogotá, Colombia
  • Implantação no terreno: Isolado

Cita: Marina de Holanda. "Clássicos da Arquitetura: Torres do Parque / Rogelio Salmona" 15 Mai 2013. ArchDaily Brasil. Acessado . <http://www.archdaily.com.br/52017/classicos-da-arquitetura-torres-do-parque-rogelio-salmona>
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