Casa Modico / Atelier Branco Arquitetura

Casa Modico / Atelier Branco Arquitetura

© Federico Cairoli© Federico Cairoli© Federico Cairoli© Federico Cairoli+ 33

São Miguel do Gostoso, Brasil
  • Arquitetos Responsáveis:Matteo Arnone, Pep Pons
  • Landscape Design:Julieta Fialho
  • Cidade:São Miguel do Gostoso
  • País:Brasil
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© Federico Cairoli
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Descrição enviada pela equipe de projeto. Simplicidade com figura e fundo, Casa Módico. A simplicidade é a principal condição da beleza moral, Lev Tolstoj, I Diari, 19 ottobre 1852. No nordeste do Brasil, no litoral de São Miguel do Gostoso, sustentado pelo que é mais leve: o vento e as nuvens, fica a Casa Módico, um dos projetos recentes e icástico do Atelier Branco. A influência do território e sua posição ligada ao vento desenvolveram no cliente e criador o desejo de imaginar uma resposta congruente às tradições habitacionais locais. Portanto, a construção respeita a memória em termos de tecnologia de construção, é ecologicamente sustentável e é proposta como ponto de referência para a antropologia cultural da paisagem.

© Federico Cairoli
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Se a arquitetura é a disciplina que tem como objetivo a organização do espaço, a Casa Módico é desenhada na paisagem como uma relação figura-fundo, o que em termos musicais seria a distinção entre melodia e acompanhamento. Nesses termos, observando a construção a partir da paisagem, podemos dizer que a figura-melodia captura o observador enquanto o acompanhamento da paisagem-fundo parece ser uma função subsidiária.

© Federico Cairoli
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Ao imaginar a seção longitudinal, percebe-se o desejo do Atelier Branco de criar ventilação natural cruzando todos os espaços da casa. De fato, as divisões internas entre as salas comuns e privadas são delimitadas por um jogo de tijolos que cria um filtro entre os espaços e facilita a ventilação, a partir de grandes aberturas laterais. A leveza de viver nesses espaços é pontuada pelo ritmo da dança do ar, que sopra de uma forma arquitetônica precisa, quase pontuada e modelada pelo movimento do vento.

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Planta - Térreo
Planta - Térreo
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A leveza sempre foi associada à arte da dança. No entanto, mesmo essa arte, embora nascida do espírito dionisíaco, está intimamente ligada simbolicamente ao seu oposto, isto é, à disciplina e precisão do gesto. “Para os antigos egípcios, a precisão era simbolizada por uma pena que servia de peso na balança onde as almas são pesadas. Aquela pena leve tinha o nome Maat, deusa de Libra. O hieróglifo de Maat também indicava a unidade de comprimento, os 33 centímetros do tijolo da unidade, e também o tom fundamental da flauta." 

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Elevação
Elevação
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Dadas as características topográficas da área, é a seção que determina a resolução do projeto, dois volumes com a mesma forma arquitetônica dispostos em uma paisagem muito plana, elevada um metro acima do nível do mar. Ao entrar, essa distinção é completamente invertida: o fundo, o acompanhamento, a paisagem se tornam a figura, o oceano. Para enfatizar a ausência de hierarquia entre os dois lados, o idioma em que o plano da casa é expresso é a exatidão da simetria.

© Federico Cairoli
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Dois eixos principais são definidos no projeto, o primeiro cortando perpendicularmente o oceano e conectando todas as áreas comuns que definem a sequência da casa e o segundo paralelo às águas oceânicas que exploram seus recursos naturais para ventilação, tanto a vácuo quanto como um filtro. Quatro portas de tamanhos diferentes são introduzidas em cada área comum. Na chegada, encontramos a menor como uma entrada para a casa. Dois idênticos abrem para o pátio interno, onde de um lado há uma mesa de madeira de 7 metros e, por outro lado, uma porta idêntica nos acolhe na sala principal com apenas uma peça de mobiliário: um sofá de frente para o oceano. Uma porta de 3x3m nos permite entrar no deck de madeira, são 80 metros quadrados de mirante na praia. 

© Federico Cairoli
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Elevação
Elevação
© Federico Cairoli
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Em torno desse sistema, quatro quartos idênticos se desenvolvem, independentemente da sequência da casa. Nesses quartos, a relação visual entre o interior e o exterior é filtrada por uma parede de ripas horizontais de madeira que produzem uma espécie de desbotamento na vibração do vento e da luz, que mantém contato com o elemento natural. A atmosfera obtida é mais íntima, como escreve Jullien "a intimidade é a experiência limítrofe que faz a fronteira cair (...) entre fora e dentro, dentro de um interior compartilhado".2 Aqui também, a simplicidade da forma e das cores: o branco das paredes, a madeira natural das persianas e o concreto cinza do piso são uma qualidade alcançada por um caminho e um projeto que não é simples, que pelo contrário exige maturidade, sabedoria e coragem. A capacidade de remover, podar para chegar ao essencial. Simplicidade é clareza. Clareza é elegância, substância, honestidade e, portanto, beleza moral.

Tradução do texto de Monica Luchi

© Federico Cairoli
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Sobre este escritório
Cita: "Casa Modico / Atelier Branco Arquitetura" 31 Out 2020. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/943907/casa-modico-atelier-branco-arquitetura> ISSN 0719-8906

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