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Museu Marítimo do Brasil integrará o circuito cultural da orla portuária do Rio de Janeiro

Museu Marítimo do Brasil integrará o circuito cultural da orla portuária do Rio de Janeiro
Museu Marítimo do Brasil integrará o circuito cultural da orla portuária do Rio de Janeiro, Museu Marítimo. Imagem: Divulgação
Museu Marítimo. Imagem: Divulgação

Museu Marítimo. Imagem: Divulgação Museu Marítimo. Imagem: Divulgação Museu Marítimo. Imagem: Divulgação Museu Marítimo. Imagem: Divulgação +16

O novo Museu ocupará o atual Espaço Cultural da Marinha, que será inteiramente revitalizado para se adequar aos novos usos.

No dia 5 de abril, às 11h, o almirante José Carlos Mathias, diretor do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, os arquitetos Bernardo e Paulo Jacobsen, e a museóloga Margareth de Moraes apresentam o Museu Marítimo do Brasil, a ser construído no atual Espaço Cultural da Marinha, que será inteiramente revitalizado para se adequar aos novos usos.O novo Museu se integrará ao patrimônio histórico, natural e urbano de seu entorno, onde estão a Ilha Fiscal, a Igreja da Candelária, a Casa França-Brasil, o CCBB, o Museu Naval, o Museu Histórico Nacional, o Museu de Arte do Rio e o Museu do Amanhã.

Museu Marítimo. Imagem: Divulgação
Museu Marítimo. Imagem: Divulgação

Com finalidade mais abrangente do que museus navais – de conteúdo militar – ou museus oceanográficos – que se atêm à vida biológica de oceanos e áreas costeiras – o Museu Marítimo tratará do vasto universo ligado ao mar, com foco no território brasileiro. “A navegação, as pesquisas científicas, as variadas manifestações místicas e religiosas, a presença humana, portos, faróis, a indústria da pesca, a indústria naval, tudo o que for relativo ao mar e aos rios brasileiros será objeto de interesse de exposições no Museu Marítimo”, afirma o diretor do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, órgão que está à frente do desenvolvimento da nova instituição.

O Museu Marítimo do Brasil se agrega à reurbanização da área portuária do Rio de Janeiro, que devolveu à cidade sua vocação de estar voltada para o mar, elo de ligação com o resto do país e com o mundo.

Museu Marítimo. Imagem: Divulgação
Museu Marítimo. Imagem: Divulgação

Sustentabilidade e Acessibilidade

Obedecendo a critérios de sustentabilidade e acessibilidade, as duas construções que constituirão o Museu Marítimo do Brasil – uma no continente e a outra no píer da Baía de Guanabara – serão harmônicas, e se elevarão suavemente do chão, sem interferir na paisagem, em rampas que darão acesso às áreas internas, eliminando assim o uso de elevadores, e servirão ainda como excepcionais mirantes, de onde também podem ser vistos o Pão de Açúcar e o Corcovado. O revestimento de aço cortén, material leve e de fácil manutenção, será alternado por áreas envidraçadas que permitirão generosas entradas de luz natural. O conjunto foi pensado para levar o público a experimentar uma sensação de estar a bordo, tanto no convés como no interior de um navio. A área, total será de 6.516 metros quadrados, e apenas doze metros de altura em seu ponto máximo.

O Museu Marítimo terá espaços destinados a exposições temporárias, a partir de intercâmbio com instituições parceiras no país e no exterior, espaços interativos e de multimídia, e uma exposição de longa duração, com acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, que possui raridades que vão desde embarcações originais – como a Galeota de D. João VI – ou réplicas, instrumentos náuticos, cartografia, arqueologia submarina, documentos e livros raros, e objetos variados.

Diagrama - Programa
Diagrama - Programa

Haverá áreas de convivência, auditório, cafeteria e restaurante, e as amplas rampas-mirantes, que serão de livre acesso ao público para a deslumbrante paisagem.

País que nasceu do mar

O Almirante José Carlos Mathias destaca que o Brasil “é um país que nasceu do mar, se consolidou através do mar, e hoje continua fazendo suas transações econômicas através do mar, mas não dá ao mar a devida importância”. “Há exemplos fantásticos de museus marítimos no mundo. Precisamos criar em nosso país uma mentalidade marítima, uma consciência marítima, para que se dê conta de sua presença em nossa vida”, afirma o diretor do Patrimônio Histórico da Marinha. Ele acrescenta que o território marítimo brasileiro, com seus 8.500 quilômetros de litoral, e perto de 4,5 milhões de quilômetros quadrados – a chamada Amazônia Azul – além das bacias hidrográficas, trazem uma imensa gama de assuntos a serem trabalhados para todos os públicos.

A ideia da criação de um Museu Marítimo é antiga, e foi impulsionada pela necessidade de oferecer ao público uma instituição condizente com a reurbanização da região portuária e com a enorme visitação recebida pelo Espaço Cultural da Marinha – para seus navios-museus ou passeios à Ilha Fiscal e pela Baía de Guanabara. Durante a Olimpíada, o público visitante atingiu 97 mil pessoas, e desde então a média mensal é de 16 mil pessoas. A área expositiva do Espaço Cultural da Marinha foi fechada ao público há três anos, com o início das obras da derrubada da Perimetral, e agora aguarda o projeto de revitalização com a criação do Museu Marítimo.

Museu Marítimo. Imagem: Divulgação
Museu Marítimo. Imagem: Divulgação

Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha

A Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM) tem sede no Rio de Janeiro, e é responsável por promover estudos e pesquisas, consolidar e publicar documentação sobre assuntos relativos à cultura marítima, além de propor normas relativas às atividades histórico-culturais da Marinha, entre outros atributos. Estão sob sua administração a Biblioteca da Marinha, o Arquivo da Marinha, a editora Serviço de Documentação da Marinha, e os museus Naval, Ilha Fiscal, Espaço Cultural da Marinha, os navios-museus Bauru, Laurindo Pitta, Riachuelo e o helicóptero Sea King.

Museu Marítimo. Imagem: Divulgação
Museu Marítimo. Imagem: Divulgação

Espaço Cultural da Marinha

Construído em 1996, sobre o píer que pertenceu à Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro, que o utilizava para seus guindastes hidráulicos e manejo de carga, o Espaço Cultural da Marinha está localizado no coração do Boulevard Olímpico, na Praça XV, Rio de Janeiro. Fechou ao público em fevereiro de 2014, devido à demolição da Perimetral, voltando a operar na Olimpíada os passeios à Ilha Fiscal e à Baía de Guanabara, e as visitas aos navios-museus, recebendo 97 mil visitantes no período. Desde então, a média mensal de visitas é de 16 mil pessoas. 

Museu Marítimo. Imagem: Divulgação
Museu Marítimo. Imagem: Divulgação

Memorial Descritivo de Arquitetura

O conceito do projeto de arquitetura para o Museu Marítimo do Brasil se baseia em quatro aspectos essenciais, veja abaixo a descrição do projeto feita pelos arquitetos responsáveis, Bernardo e Paulo Jacobsen:

1 – DINÂMICA ESPACIAL

Propomos um constante diálogo entre o patrimônio histórico, natural e urbano da região, que contempla a Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar, o Cristo Redentor, a Ilha Fiscal, a Igreja da Candelária, o Museu do Amanhã, a Casa França-Brasil, construções existentes da Marinha, além dos equipamentos abertos para visitação como o Navio Bauru e o Submarino Riachuelo, mantidos como parte integrante do complexo.

O programa foi dividido em dois edifícios que se elevam sutilmente do piso como uma rampa, resultando em uma arquitetura topográfica que permite o acesso dos visitantes à cobertura e sua plena utilização. Buscamos desta forma estabelecer uma relação harmônica com todos os elementos do entorno e ainda possibilitar o atracadouro do navio-museu Rebocador Laurindo Pitta e das outras embarcações da Diretoria de Patrimônio Histórico da Marinha.

Ainda compondo a primeira premissa conceitual, lançamos mão de uma arquitetura fluida e flexível. A visitação será feita através de rampas com inclinação para acessibilidade, e será dinâmica, promovendo distintas vistas tanto para a paisagem natural da cidade como para os edifícios históricos. Esta dinâmica é reforçada através do pé-direito alto, de vãos no piso e da interação dos edifícios com o exterior. O percurso será inesperado, como uma aventura ou descobrimento, com salas de dimensões variadas, na intenção de fazer o visitante perder a noção da estreita e longa forma do píer.

Museu Marítimo. Imagem: Divulgação
Museu Marítimo. Imagem: Divulgação

2 – FLUXO

O programa do Museu se divide em dois edifícios totalizando 6.516 metros quadrados de área construída. 

O primeiro abriga o hall principal com área de acolhimento, bilheteria, loja, além de administração, restaurante e auditório para 180 pessoas. Estes dois últimos com vista privilegiada para o mar, podendo funcionar de maneira autônoma do horário de visitação das exposições.

O segundo edifício contém o corpo do Museu em si, seus espaços para exposição e também recebimento e preparação do material expositivo. O acesso para ambos os prédios é controlado a partir de duas guaritas ligadas ao passeio público. 

Para ingresso ao Museu convidamos o visitante a um passeio que se inicia pela rampa de acesso à cobertura do edifício, promovendo desde o primeiro instante a relação de integração do edifício com a natureza e com a cidade ao mesmo tempo. O acesso para as exposições e para o café estão localizados no meio desse percurso, exatamente no eixo focal da Candelária e da Casa França-Brasil. Seguindo a rampa até o final, o visitante encontra uma grande área plana a 12 metros do nível do mar, altura máxima do prédio, espaço que poderá ser utilizado para abrigar atrações da Marinha como o helicóptero Sea King e o carro de combate Cascavel. 

Entrando no foyer, o visitante tem a oportunidade de contemplar, acima do plano da cidade, uma ampla vista para a Baía de Guanabara, com as Ilhas Fiscal e das Cobras, e para a Candelária, através de generosas aberturas nas laterais do edifício. Integrado ao foyer, encontra-se o café que funciona como um mezanino para a área de exposições.

Iniciando o percurso dentro do Museu, temos uma sala introdutória, com a intenção de marcar claramente a entrada do visitante em ambiente expositivo. Ainda nesse nível temos acesso às salas de exposições temporárias que ao final se abrem como um mezanino para a grande sala de exposições de longa duração no pavimento inferior, cujo acesso se dá também pela sala introdutória, através de uma rampa. No caso de troca das exposições temporárias, estas salas poderão ser fechadas sem prejudicar o fluxo de visitação do Museu. 

A rampa de acesso para a sala de exposições de longa duração já expõe peças do acervo, além de surpreender o visitante com vistas para a Baia. Chegando ao nível térreo, o visitante encontra uma sala de grande dimensão com pé-direito de 12 metros e uma abertura igualmente generosa conduzindo seu olhar novamente  à relação entre a cidade e a natureza do Rio de Janeiro. Este grande espaço comporta a Galeota D. Joao VI, de forma que ela também possa ser vista de cima, através do mezanino da sala de exposições temporárias.

Partindo desta grande sala, a circulação pelas demais salas de exposições com dimensões e alturas variadas, será dinâmica e imprevisível. O conceito de travessia e descobrimento será enfatizado com experiências em espações escuros, próprios para projeção, ambientes de luz artificial controlada e outros de luz natural abundante.  Ao final da visitação encontra-se uma sala para atividades educativas. A última sala tem novamente dimensões grandiosas, marcando o fim da visita, em frente ao navio-museu Bauru.

Próximo a esse local ficará a recepção de material expositivo, com entrada coberta para veículos de grande porte. Aí ficarão também a reserva técnica e sala de montagem e desmontagem de exposições e serviços auxiliares.

Planta - Térreo
Planta - Térreo
Planta - Superior
Planta - Superior
Planta - Cobertura
Planta - Cobertura

3 – SISTEMAS CONSTRUTIVOS E SUSTENTABILIDADE 

A constante, porém controlada exposição à luz natural reduz consideravelmente o consumo de energia elétrica. Essas aberturas são pensadas de forma a contribuir com o devido conforto térmico e ambiental do espaço interno do Museu. Da mesma forma, a total acessibilidade a todas as áreas do Museu e a ausência de elevadores e escadas rolantes contribui para o caráter sustentável do projeto.

Nessa linha de pensamento, optamos por considerar a utilização de material de refugo ou rejeito da indústria naval, reutilizando peças metálicas como elementos de estrutura e fechamento da construção. Em consequência, nosso projeto se emancipa da utilização de sistemas construtivos ou acabamentos de alto custo, proporcionando também pouca manutenção a longo prazo. Consideramos a utilização de sistema estrutural metálico leve, com perfis de mercado, de forma a reduzir as cargas nas fundações do píer. 

Ainda nesse conceito, pretendemos reduzir a utilização de alvenarias em tijolos cerâmicos e de elementos em concreto armado, trabalhando com chapas de aço cortén nas fachadas e placas de gesso para as paredes internas.

Para a melhor manutenção do edifício, foi lançada ainda uma bandeja metálica engastada em torno de todo o píer. Tal estrutura também trará segurança para a aproximação de embarcações.

Elevações / Corte
Elevações / Corte

4 – MARCO ARQUITETÔNICO

Para a plena inserção do Museu no cotidiano da cidade, elaboramos a cobertura do edifício como um equipamento urbano e uma extensão da requalificação da área portuária, possibilitando o seu total acesso, uso e ocupação.

A composição volumétrica do Museu busca se apresentar como uma extensão do tecido urbano da cidade, em forma e função. Dialoga topograficamente com a questão de acesso, e esteticamente promove uma relação harmônica entre o cenário urbano e natural.

No edifício principal, o volume se eleva sutilmente sobre a água, sem interferir na paisagem. Por meio de linhas compositivas ascendentes, tem-se a discreta ocupação do ambiente urbano, possibilitando a experiência de nos elevarmos sobre o nível do mar, remetendo a um ato de lançar-se sobre as águas, como se estivéssemos navegando rumo a uma aventura marítima. 

O edifício menor segue a mesma linguagem espacial, com linhas diagonais que ao se aproximarem do chão garantem o afastamento e possibilitam assim a devida perspectiva do submarino-museu Riachuelo para o observador. A não ortogonalidade das novas construções do Museu se diferencia da estética dos demais edifícios existentes, assinalando a arquitetura de tempos atuais.

Aportado no cais e rodeado por água, o visitante é remetido à ancestral relação entre o homem e o mar, como se estivesse no convés ou no interior de uma embarcação. Sobre a cobertura estende-se o plano da cidade, e abaixo se dá uma experiência por vezes imersa em seu próprio acolhimento, por vezes generosamente trazendo para dentro do volume o deslumbrante horizonte em miradas estratégicas.

Museu Marítimo. Imagem: Divulgação
Museu Marítimo. Imagem: Divulgação
Cita: Victor Delaqua. "Museu Marítimo do Brasil integrará o circuito cultural da orla portuária do Rio de Janeiro" 12 Abr 2017. ArchDaily Brasil. Acessado . <http://www.archdaily.com.br/br/869047/museu-maritimo-do-brasil-integrara-o-circuito-cultural-da-orla-portuaria-do-rio-de-janeiro>
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