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A Rua da Estrada do Brasil é hiper-realista. Aquilo que noutro lugar seria apenas uma mínima manifestação de qualquer coisa apenas esboçada, toma aqui um visual transbordante como nos ambientes da realidade aumentada: estacionar na berma pode ser de frente, de lado e de viés; as cores e as letras multiplicam-se numa cacofonia de signos, códigos e suportes fixos ou ambulantes; o asfalto vai incerto por esbatidos limites de vias, valetas e passeios. Nos fios que se penduram nos mesmos postes, Ariadne não saberia encontrar solução para Teseu que até podia não ser comido pelo Minotauro mas morreria electrocutado ou permaneceria eternamente no labirinto sem nunca perceber se o fio era de telefone, de electricidade, fibra óptica ou pesca à linha.  Na vez da limpeza técnica e asséptica do tudo igual, alinhado, certinho, regulado…, vai a aventura da vida de todos os dias, a (re)construção constante de regras de partilha das coisas e dos espaços - tu não me pisas, eu não te dou caneladas, tu não me roubas a bicicleta. Não será o paraíso e, se por distracção ou exotismo parecer que é, logo virão as serpentes que se escondem em todos os cantos desta tropicália oferecendo fruta do toutiço da Carmen Miranda. Veja mais Veja a descrição completa
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