Parques Nacionais: uma jornada arquitetônica

O mundo abriga milhares de parques nacionais, os quais podem ser definidos como espaços alocados para a conservação, hospedando terras geralmente deixadas em seu estado natural para as pessoas visitarem. O próprio termo “parque nacional” difere em todo o mundo. No Reino Unido, por exemplo, a frase simplesmente descreve uma área relativamente pouco desenvolvida que atrai turistas. Nos Estados Unidos, essa terminologia é muito mais rígida, descrevendo 63 áreas protegidas operadas pelo serviço de Parques Nacionais dos Estados Unidos.

Local pode ser universal

No século XIV, Geoffrey Chaucer escreveu “Familiaridade gera desprezo”. Por definição, “local” é “familiar”. Por que os humanos ficam tão entusiasmados em ir além do familiar, do local e buscar o que é novo, universal e redentor? A palavra “local” tem o peso do verdadeiro valor, como “densidade” ou “sustentável”. Mas a atração da conexão entre todos os humanos é poderosamente sedutora, e esse desejo de conectar quase sempre fica aquém de nossas esperanças.

Como as grandes metrópoles definem o sentido de "local"?

“Local” é uma palavra amplamente usada para descrever algo particular sobre um lugar, que o torna diferente de qualquer outro. Em todo o mundo, a “localidade / regionalidade” de cada cidade é o que a torna única — na maneira como as pessoas vivem, trabalham, se socializam e, especialmente, na maneira como planejam e constroem cidades e infraestrutura. Para alguém que mora em um subúrbio, a maneira como se deslocam de um lugar para outro pode ser por meio de um carro, enquanto alguém que mora em uma metrópole densa, utiliza um metrô ou sistema de ônibus como parte de sua vida cotidiana.

"Não são usados nas cidades porque não são regulamentados": leitores opinam sobre materiais locais na arquitetura

O impacto da construção na atual crise climática é preocupante - entre a produção de materiais, a execução e o funcionamento de edifícios, o setor é um dos maiores emissores de gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo, as populações urbanas estão crescendo a taxas históricas e na produção de grandes cidades, importantes consumidoras de energia, parece que a redução do impacto do mercado se resume a pequenos interesses e iniciativas pessoais em vez de grandes ações nos âmbitos universitário, profissional ou político.

Reuso adaptativo e a renovação de edifícios brutalistas

A demolição é um desperdício em todos os sentidos—um desperdício de energia, de materiais e também da nossa memória coletiva”, disse a arquiteta vencedora do Pritzker Anne Lacaton. Ao longo dos últimos anos, porém, a reciclagem de antigas estruturas e o reuso adaptativo de edifícios obsoletos se tornaram onipresentes no discurso arquitetônico contemporâneo, à medida que os profissionais estão se tornando mais conscientes sobre questões relativas aos resíduos, a exploração de recursos naturais e a pegada de carbono na industria da construção civil. Ainda assim, a prática de renovação e adaptação de estruturas existentes carece de consistência, especialmente quando tratamos de edifícios do pós-guerra. A seguir, procuramos analisar alguns dos muitos desafios e oportunidades dos projetos de renovação e reutilização de edifícios construídos durante a segunda metade do século XX, destacando como algumas destas estratégias podem desempenhar um papel significativo para minimizar o impacto da construção civil no agravamento da crise climática e na busca por construir cidades mais equilibras, ao mesmo tempo em que recupera importantes estruturas e lugares de memória.

Projetando com a topografia e a paisagem: a história da Villa Vals

O pequeno vilarejo de Vals, nos Alpes suíços, se encontra em uma das regiões mais pitorescas do país e está localizada a uma altitude de 1.250 metros acima do nível do mar. Além de sua incomparável e exuberante paisagem natural, Vals conta com alguns dos projetos de arquitetura mais excepcionais já construídos na Suíça. Além disso, no coração da vila encontra-se uma diminuta praça central, a qual é cercada por antigas casas construídas com peculiares telhas de quartzito, preservadas ao longo dos séculos – algo que faz de Vals uma das vilas rurais mais autenticas de toda a região. A água, como o recurso natural mais abundante em todo o vale, nutre uma paisagem exuberante e selvagem. Por milhões de anos, a água do degelo e das chuvas torrenciais foi pouco a pouco forjando a topografia do vale até transformá-lo em uma riquíssima fonte de águas termais – a única no Cantão dos Grisões.

A arte dos padrões: entrevista com Koen Mulder sobre tipos de tijolo e suas composições

"Bem-vindo a este estranho livro. Com todos os desenhos, ele pode parecer um manual, mas não é. O livro é tanto sobre juntas quanto sobre peças. Acima de tudo, busca a ordem que é inerente às coisas". Estas palavras fazem parte da introdução ao livro de Koen Mulder - The Thrilling Surface: The Brick Bond as a Composers Tool. Disponível em alemão, o livro de 160 páginas rigorosamente ilustradas apresenta um universo de possíveis variações de padrões que podem ser criados quando se começa a projetar.

Rumo a um futuro sustentável: materiais e sistemas construtivos locais na arquitetura chinesa contemporânea

Ao longo dos últimos anos testemunhamos um interesse crescente por técnicas tradicionais e processos artesanais de construção, assim como no papel cada vez mais significativo dos materiais locais na arquitetura contemporânea. Conscientes do impacto ambiental e também econômico da industria da construção civil no mundo hoje, arquitetos e urbanistas estão mudando o rumo de nossa disciplina ao adotar novas estratégias e abordagens em seus projetos e processos com o principal objetivo de “atender às demandas da nossa sociedade sem, no entanto, comprometer ou esgotar os recursos naturais que atualmente encontram-se à nossa disposição”.

Ratã: projetos contemporâneos que usam este material tradicional do sudeste asiático

Ao longo dos últimos anos, muitos arquitetos e arquitetas têm expressado seu compromisso para com o desenvolvimento de uma arquitetura mais ética e sustentável, apropriando-se amplamente de materiais locais e técnicas tradicionais de construção. Neste âmbito, muitos deles foram buscar inspiração em sistemas construtivos vernáculos e na própria cultura e identidade local, ressignificando antigas soluções em contextos contemporâneos.

Como construir com madeira km 0?

Já falamos aqui sobre os materiais km zero: todos aqueles que podem ser adquiridos diretamente no local sem ter passado por diferentes etapas de processamento ou tratamento com produtos tóxicos, e mais do que isso, que no final de sua vida útil possam ser devolvidos ao meio ambiente sem causar grandes danos ou impactos negativos na paisagem natural.

Passaportes de materiais: como dados incorporados podem transformar a arquitetura e o design

Muitas vezes, os edifícios acabam como lixo no final de seu ciclo de vida. Como o ambiente construído pode se mover em direção a uma economia circular e, por sua vez, re-imaginar como os materiais valiosos são rastreados e reciclados? Procurando resolver este problema, os "passaportes de materiais" são uma ideia que envolve repensar como os materiais são recuperados, durante a reforma e demolição, para reutilização. O resultado é que, quando um prédio está pronto para ser demolido, ele se torna um banco de armazenamento de materiais úteis.

Para além da terra e do bambu: tecnologias locais e as grandes cidades

As técnicas vernaculares e os materiais locais têm ganhado protagonismo no debate da arquitetura, mas, é possível trazer esses conceitos para os grandes centros urbanos?

A arquitetura vernacular pode se tornar um fetiche?

Quando falamos de arquitetura vernacular, na maioria dos casos, estamos nos referindo a uma forma de se construir específica de uma determinada região—ou uma arquitetura que incorpora sistemas construtivos e materiais locais. As características que definem a arquitetura vernacular, portanto, variam enormemente de lugar para lugar, compreendendo exemplos que vão desde as Casas Colmeias de Harran, na Turquia, às tradicionais casas malaias encontradas em todo o sudeste da Ásia. Dito isso, a arquitetura vernácula continua sendo hoje uma das principais fontes de inspiração para muitos arquitetos e arquitetas ao redor do mundo.

A cadeia produtiva da arquitetura: por que precisamos considerar materiais locais em nossos projetos

Sabe-se que a indústria da construção civil é uma das mais poluentes do planeta,  porém, muitas vezes temos dificuldade de vincular o trabalho do arquiteto e do urbanista a essa indústria, nos abstendo da responsabilidade de estar inserido dentro de uma das cadeias produtivas mais nocivas que existem. Nesse sentifo, é urgente ressaltar a importância de questionar, não somente os materiais empregados nos projetos, mas também os sistemas produtivos envolvidos. 

Reavaliando o regionalismo crítico: uma arquitetura do lugar

Em seu ensaio clássico de 1983 Por um regionalismo crítico: seis pontos para uma arquitetura de resistência, Kenneth Frampton discutiu uma abordagem alternativa para a arquitetura definida pelo clima, topografia e tectônica como uma forma de resistência à placidez da arquitetura moderna e a ornamentação gratuita do pós-modernismo. Uma atitude arquitetônica, o Regionalismo Crítico propôs uma arquitetura que abraçasse as influências globais, embora firmemente enraizada em seu contexto. O seguinte artigo explora o valor e a contribuição das ideias de Frampton para a arquitetura contemporânea.

O que são materiais locais e como podem ser usados nas grandes cidades?

A participação da construção civil na atual crise climática é preocupante: entre a produção de materiais, a execução e a operação dos edifícios, o setor é um dos maiores emissores de gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo, as populações urbanas estão crescendo a taxas históricas e constatamos que na construção das grandes cidades, importantes consumidoras de energia, parece que a redução do impacto da disciplina vem de pequenas iniciativas de comunidades e indivíduos e não de grandes ações políticas e profissionais.

Arquitetura híbrida: entre o digital e o vernáculo

Em Mendoza, na Argentina, o laboratório de pesquisas em fabricação digital Nodo 39 FabLab criou uma estrutura-bastidor de tecido feita em madeira cortada digitalmente com telas e pontos para facilitar o processo de tecelagem e composição iconográfica dos indígenas da região central do país. No interior do Ceará, Brasil, por meio de uma pesquisa intitulada “Artificies Digitais” da Universidade Federal do Estado, fez-se o uso de ferramentas de fabricação digital, mais especificamente a impressão 3D, para a obtenção de modelos digitais das partes danificadas do retábulo do altar-mor da Igreja Matriz da cidade de Russas, sendo possível a produção de próteses digitais para sua restauração.