André Sette Rossi

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Para cima, para dentro ou para fora: como crescem as cidades?

No ano de 1970, o escritor Alvin Toffler fez o seguinte alerta: “nas três breves décadas entre o agora e o século XXI, milhões de pessoas comuns, psicologicamente normais, enfrentarão uma colisão abrupta com o futuro”. No livro Choque do Futuro, Toffler descreve uma condição de mal-estar, uma sensação de estresse e desorientação que acometeria os indivíduos em uma sociedade destinada a mudar cada vez mais rápido.

Nada representa melhor essa mudança do que o habitat que o ser humano criou para si. A geração anterior a Toffler conheceu um mundo eminentemente rural, do ser humano preso à terra, nascendo e morrendo em sua comunidade. A geração que está por nascer receberá um mundo já urbanizado, hiperconectado e marcado por uma condição de mobilidade extrema entre cidades e países. Nós, que vivemos hoje, temos o privilégio e a responsabilidade de observar o fenômeno urbano mudando a face do planeta.

A Amazon e a volta da “starchitecture”

Enquanto o mundo corporativo discute o trabalho remoto, a Amazon decidiu dobrar a aposta nos escritórios físicos. No início deste ano, a empresa anunciou seus planos para a nova sede em Arlington, no estado americano de Virgínia. O complexo de edifícios será construído em torno de uma estrutura espiralada com mais de 100 metros de altura, batizada de Helix. Além dos 260 mil m² de escritórios, haverá também 10 mil m² de espaço acessível ao público, incluindo anfiteatro, mercado, restaurantes e praças. A escolha do local, no centro da área metropolitana de Washington, D.C., vai na contramão de empresas que construíram suas sedes em subúrbios, fechadas ao público externo, como a Apple e a Facebook.

Amazon Spheres, em Seattle. Imagem: MikeWu/FlickrMuseu Guggenheim, em Bilbao. Imagem: Alex Gonzalez/FlickrHelix, projeto para a nova sede em Arlington, Virgínia. Imagem: NBBJProjeto para a sede da Amazon em Berlim. Imagem: OVG Real Estate/World Architecture+ 5

O ideal da cidade compacta ainda faz sentido?

Quem se interessa por política urbana provavelmente ouvirá, em algum momento, o termo “cidade compacta”. A expressão se tornou recorrente no campo do planejamento urbano. Propostas associadas ao termo privilegiam uma ocupação mais densa, com comércio e serviços perto das residências, e favorecem o trânsito de pedestres, ciclistas e usuários do transporte público. Algumas capitais europeias, como Copenhague e Amsterdã, costumam ser apontadas como exemplos deste modelo. Seu contraponto é a cidade dispersa, onde os bairros são predominantemente residenciais, afastados do Centro, e exigem longos deslocamentos de casa ao trabalho.

Imagem: Luana Alencar/FlickrImagem aérea da área metropolitana de Portland, EUA, mostrando sua barreira de crescimento urbano bem definidaA grelha viária de Toronto possui ruas arteriais a cada 2km, formando lotes quadrados de 4km². Imagem: Logan/Urban TorontoNesta imagem da área metropolitana de Manila, nas Filipinas, o trecho reservado para uma nova via foi ocupado por assentamentos informais+ 5

Descentralizar São Paulo: uma promessa difícil de cumprir

São Paulo é imensa e cheia de desafios. Com doze milhões de habitantes, a maior cidade da América Latina sofre para prover uma boa qualidade de vida aos seus moradores. Os congestionamentos são implacáveis. O funcionamento do transporte público ainda está longe do ideal. O Centro Expandido concentra um volume de empregos desproporcional à sua população. Não é surpresa que o deslocamento até o local de trabalho seja uma das principais reclamações dos paulistanos.

A visão da cidade de quinze minutos é otimista, mas improvável. No entanto, alguns princípios podem ser aplicados nas ruas de São Paulo. Imagem de Paris en Commun, traduzida para o portuguêsPaisagem atual da Rua Augusta. Prédios baixos, calçadas estreitas e muito espaço para os carros. Imagem: Lucia Freitas/FlickrMapa da distribuição dos empregos formais na cidade de São PauloTrecho da marginal Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil+ 8