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Artigos

LED: vantagens e desafios para a iluminação contemporânea / Pascal Chautard

Poesia e Arquitetura: Primeiro Poema / Hugo Mujica

Se põe o sol atrás da janela da cozinha.
O chá está quase pronto.

Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes [Parte 2] / Carlos Leite

Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes [Parte 1] / Carlos Leite

Rogelio Salmona, arquiteto latino-americano ou arquiteto na América Latina? / Germán Téllez

Poesia e Arquitetura: Preciosa e o Ar / Federico García Lorca

Sua lua de pergaminho
Preciosa tocando vem,
por um anfíbio sendeiro
de cristais e louros.
O silêncio sem estrelas,
fugindo do sonsonete,
cai onde o mar bate e canta
sua noite cheia de peixes.
Nos picos da serra
os soldados dormem
guardando as brancas torres
onde vivem os ingleses.
E os ciganos da água
levantam para se distrair,
coretos de caracóis
e ramos de pinho verde.

Sua lua de pergaminho
Preciosa tocando vem.
Ao vê-la se levantou
o vento, que nunca dorme.
São Cristóvão nu,
cheio de línguas celestes,
olha a menina tocando
uma doce gaita ausente.

Menina, deixa que levante
teu vestido para ver-te.
Abre em meus dedos antigos
a rosa azul do teu ventre.

Preciosa solta o pandeiro
e corre sem deter-se.
O vento-homão a persegue
com uma espada quente.

Franze seu rumor o mar.
As oliveiras empalidecem.
Cantam as flautas de umbría
e o liso gongo da neve.

Preciosa, corre, Preciosa,
que te pega o vento verde!
Preciosa, corre, Preciosa!
Olha-o por onde vem!
Sátiro de estrelas baixas
com suas línguas reluzentes.

Preciosa, cheia de medo,
entra na casa que tem
mais em cima dos pinhos,
o cônsul dos ingleses.

Assustados pelos gritos
três soldados vêm,
suas negras capas justas
e os chapéus nas sobrancelhas.

O inglês da à cigana
um copo de leite morno,
e uma taça de genebra
que Preciosa não bebe.

E enquanto conta, chorando,
sua aventura àquela gente,
nas telhas de barro
o vento, furioso, morde.

A Casa Invisível: Fragmentos sobre a arquitetura popular no Brasil / João Diniz

Poesia e Arquitetura: Pedra Negra sobre uma Pedra Branca / César Vallejo

Morrerei em Paris com aguaceiro,
um dia do qual tenho já o recordo,
Morrerei em Paris –e não corro–
talvez uma quinta, como é hoje, de outono.

Quinta será, porque hoje, quinta, que proso
estes versos, os úmeros me pus
a la mala e, jamais como hoje, voltei,
com todo meu caminho, a me ver só.

César Vallejo morreu, lhe batiam
todos sem que ele lhes faça nada;
lhe davam duro com um pau e duro

também com uma soga; são testemunhos
as quintas-feiras e os ossos úmeros,
a solidão, a chuva, os caminhos…

Campo Expandido da Arquitetura / Anthony Vidler

  • O primeiro a comparar pintura e poesia foi um homem de gosto mais requintado o qual sentiu que as duas artes produziam nele os mesmos efeitos. Ele viu que uma e outra restituíam a presença de coisas ausentes pela substituição da aparência por realidade; ambas, finalmente, agradando-nos ao enganar-nos. Um segundo desejou mais compreender nosso prazer e descobriu que em ambas as artes, ele surgia da mesma fonte. Beleza, a noção que nos vem em primeiro lugar de objetos materiais, possui regras gerais que são aplicadas para diferentes domínios: para ações, para pensamentos, bem como para formas. Um terceiro, refletindo sobre o valor e a distribuição destas regras gerais, notou que algumas dominavam a pintura, outras a poesia, e que isto desta forma em alguns casos, a poesia poderia apoiar a pintura na mesma forma que em outras, a pintura poderia apoiar a poesia, através de comentários e exemplos. O primeiro era um amador; o segundo, um filósofo; o terceiro, um crítico.
  • [Gottfried Lessing]

Poesia e Arquitetura: Olhei os muros da pátria minha / Francisco de Quevedo

Olhei os muros da pátria minha,
se um tempo fortes, já desmoronados,
da carreira da idade cansados,
por quem caduca já sua valentia.

Saí ao campo, vi que o sol bebia
os arroios do gelo desatados,
e do monte queixosos os gados,
que com suas sombras furtou sua luz ao dia.

Entrei em minha casa, vi que enxovalhada
de anciã habitação era espólios;
meu báculo mais curvo e menos forte.

Vencida pela idade senti minha espada
e não achei coisa em que pôr os olhos
que não fosse relembrança da morte.

Poesia e Arquitetura: Alturas de Machu Picchu / Pablo Neruda

Pedra na pedra, o homem, onde esteve?
Ar no ar, o homem, onde esteve?
Tempo no tempo, o homem, onde esteve?
Foste também o pedacinho roto
de homem inconcluso, de águia vazia
que pelas ruas de hoje, que pelas pegadas,
que pelas folhas de outono morto
vai machucando a alma até a tumba?
A pobre mão, o pé, a pobre vida…
Os dias da luz esfiapada
em ti, como a chuva
sobre as bandeirinhas da festa,
deram pétala a pétala de seu alimento escuro
na boca vazia?
Fome, coral do homem,
fome, planta secreta, raiz dos lenhadores,
fome, subiu tua linha de arrecife
até estas altas torres desprendidas?

Eu te interrogo, sai dos caminhos,
mostra-me a colher, deixa-me, arquitetura,
roer com um palito os estames de pedra,
subir todos os escalões do ar até o vazio,
rascar a entranha até tocar o homem.

Machu Picchu, puseste
pedra na pedra, e na base, farrapos?
Carvão sobre carvão, e no fundo a lágrima?
Fogo no ouro, e nele, temblando a vermelha
goteira do sangue?
Devolve-me o escravo que enterraste!
Sacode das terras o pão duro
do miserável, mostra-me os vestidos
do servo e sua janela.
Diz-me como dormiu quando vivia.
Diz-me se foi seu sonho
rouco, entreaberto, como um buraco negro
feito pela fatiga sobre o muro.
O muro, o muro! Se sobre seu sonho
gravitou cada piso de pedra, e se caiu sob ela
como sob uma lua, com o sonho!
Antiga América, noiva submergida,
também teus dedos,
ao sair da selva para o alto vazio dos deuses,
sob os estandartes nupciais da luz e do decoro,
mesclando-se ao trovão dos tambores e das lanças,
também, também teus dedos,
os que a rosa abstrata e a linha do frio, os
que o peito sangrento do novo cereal trasladaram
até a tela de matéria radiante, até as duras cavidades,
também, também, América enterrada, guardaste no mais baixo
no amargo intestino, como uma águia, a fome?

Saturação da Imagem / Neil Leach

Poesia e Arquitetura: Matéria de Poesia / Manoel de Barros

Copa do Mundo e Jogos Olímpicos: “O espetáculo e o mito” / Raquel Rolnik

Poesia e Arquitetura: Arquitetura Funcional / Mario Quintana

Não gosto da arquitetura nova
Porque a arquitetura nova não faz casas velhas
Não gosto das casas novas
Porque casas novas não têm fantasmas
E, quando digo fantasmas, não quero dizer essas
Assombrações vulgares
Que andam por aí…
É não-sei-quê de mais sutil
Nessas velhas, velhas casas,
Como, em nós, a presença invisível da alma… Tu nem sabes
A pena que me dão as crianças de hoje!
Vivem desencantadas como uns órfãos:
As suas casas não têm porões nem sótãos,
São umas pobres casas sem mistério.
Como pode nelas vir morar o sonho?
O sonho é sempre um hóspede clandestino e é preciso
(Como bem sabíamos)
Ocultá-lo das outras pessoas da casa,
É preciso ocultá-lo dos confessores,
Dos professores,
Até dos Profetas
(Os Profetas estão sempre profetizando outras coisas…)
E as casas novas não têm ao menos aqueles longos,
Intermináveis corredores
Que a Lua vinha às vezes assombrar!

Poesia e Arquitetura: Possessão do ontem / Jorge Luis Borges

Sei que perdi tantas coisas que não poderia contá-las
e que essas perdições, agora, são o que é meu.
Sei que perdi o amarelo e o negro
e penso nessas impossíveis cores
como não pensam os que veem.

Meu pai morreu e está sempre ao meu lado.
Quando quero escandir versos de Swinburne,
o faço, me dizem, com sua voz.
Só o que morreu é nosso,
só é nosso o que perdemos.

Ílion foi, porém Ílion perdura no hexâmetro que a plange.
Israel foi quando era uma antiga nostalgia.
Todo poema, com o tempo, é uma elegia.

Nossas são as mulheres que nos deixaram,
já não sujeitos à véspera, que é soçobra,
e aos alarmes e terrores da esperança.

Manual Prático de Latinoamericanidade / Germán Téllez

Poesia e Arquitetura: Os domínios perdidos / Jorge Teillier

BIM: vantagens e características / Eron Costin

Da Paisagem à Arquitetura / Tiago Krusse

Poesia e Arquitetura: Não vive já ninguém... / César Vallejo

Não te faças ilusões / Josep Quetglas

Disjunções / Bernard Tschumi

Invenção: Novela e Arquitetura / Germán Hidalgo Hermosilla

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