
Entre senhora e arquiteta, Lina Bo Bardi aparece nas páginas da revista O Cruzeiro, tanto nas colunas femininas por seu risoto à milanesa, como nas matérias sobre cultura como a arquiteta do MASP (Museu de Arte Moderna de São Paulo). Publicada semanalmente pelos Diários Associados de Assis Chateaubriand, O Cruzeiro dispunha de notoriedade e circulação no âmbito nacional e, apesar de direcionada para donas de casa das classes mais altas, apresentava um conteúdo bem amplo, abrangendo matérias de moda, cultura, cinema, política, além de “secções (sic) de aconselhamento feminino”.
As múltiplas representações de Lina, não apenas nessa revista, mas também aquelas que ela mesma buscava construir e interpretar são o ponto de partida da pesquisa que originou este ensaio. O intuito foi compreender as relações entre os debates de gênero, raça, domesticidade e cultura material nas residências abastadas da segunda metade do século XX, com aqueles relativos à participação, experimentação e engajamento na produção material da arquitetura no mesmo período, na cidade de São Paulo.







