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Por que todo designer e arquiteto pode se beneficiar da economia criativa no metaverso

Por que todo designer e arquiteto pode se beneficiar da economia criativa no metaverso

A Nike adquiriu recentemente o RTFKT, um estúdio de design fundado em janeiro de 2020, conhecido por seus sneakers e colecionáveis "prontos para o metaverso". Aquisições de terrenos no metaverso estão fazendo manchetes com seus preços multimilionários. Também vimos a adoção de artes NFT pelo mainstream neste ano, e estima-se que as vendas devam disparar para 17,7 bilhões de dólares até o final de 2021.

Por baixo da hype e do frenesi, podemos observar uma mudança fundamental que desbloqueia uma nova economia criativa. Ela oferece aos criadores acesso direto ao mercado, constrói relações contínuas com os fãs, e une desconhecidos em comunidades auto-governadas. Neste artigo, vamos discutir porque todo designer 3D e arquiteto deveria abraçar o movimento Web 3.0 para adotar uma nova lógica de mercado e se beneficiar da economia de criadores do metaverso. 

Cortesia de Zaha Hadid Architects e JOURNEECortesia de NikeCortesia deRon Herron (Archigram), Walking Cities, 1964Cortesia de Annibale Siconolfi+ 10

A economia criativa na Web 3.0 / metaverso

Antes de mergulharmos na Web 3.0, vamos revisar rapidamente como a Internet evoluiu ao longo dos anos: 

Web 1.0: Usuários são os consumidores de conteúdo 

O termo Web 1.0 se refere ao primeiro estágio da evolução da World Wide Web/Internet. Havia apenas alguns criadores de conteúdo na Web 1.0 com uma maioria imensa de usuários que são consumidores de conteúdo. Provedores de serviço como a AOL, o Yahoo e o Google monetizaram anúncios e se tornaram os grandes ganhadores durante esse período que depois ficou conhecido como a Web 1.0 (1991 a 2004). 

Web 2.0: Usuários são criadores de conteúdo, mas será que o conteúdo é deles? 

A Web 2.0 corresponde aos serviços que destacam o conteúdo gerado por usuários. Um website de Web 2.0 permite que os usuários contribuam com conteúdo e interajam um com o outro através de diálogos nas redes sociais. 

Como definiram Tim O’Reilly e John Batelle: a Web 2.0 é baseada nos "clientes... construindo o seu negócio para você". Críticos argumentam que sites como o Google, Facebook, YouTube e Twitter exploram o "trabalho gratuito" de conteúdo criado por usuários. Sites de Web 2.0 utilizam acordos de Termos de Serviço para conseguir licenças perpétuas por conteúdo gerado por usuários, e utilizam esse conteúdo para criar perfis de usuários e vendê-los a comerciantes. 

A Web 3.0 tem a ver com propriedade 

Enquanto a Web 1.0 e a Web 2.0 são pré-determinadas, a Web 3.0 ainda está sendo definida. De acordo com a Wikipedia, a Web 3.0 é uma ideia para uma nova versão da Internet que incorpora a descentralização baseada em blockchains, normalmente entrando em contraste com a Web 2.0, na qual os dados e conteúdo estão centralizados em um pequeno grupo de empresas denominadas vulgarmente de "Big Tech".

Mas como a Web 3.0 é diferente? Muitos acreditam que nela os criadores serão os detentores de seus conteúdos, e não a plataforma onde eles forem hospedados. A tecnologia de Blockchain, mais especificamente a criação os NFTs (tokens não-fungíveis), que introduz escassez e singularidade, serve para transformar seu conteúdo em ativos digitais portáteis. As NFTs não podem ser copiadas, apenas transferidas, então há uma noção real de propriedade, manifesta na tecnologia. Indico a leitura do artigo de Chris Dixon NFTs and A Thousand True Fans para entender porque as NFTs "podem acelerar a tendência de criadores monetizarem diretamente com seus fãs" e "oferecer fundamentalmente uma economia melhor para os criadores".

Cortesia de Chris Dixon
Cortesia de Chris Dixon

Agora que a Web 3.0 resolve o problema da posse do conteúdo e torna os ativos digitais portáteis, os criadores poderão monetizar suas criatividades e engajar seus fãs de maneiras que antes não eram possíveis, e por outro lado os fãs poderão acessar seus conteúdos favoritos de maneira mais fácil e segura. Isso vai encorajar o surgimento de novos criadores para desenvolver conteúdo de qualidade, não limitado pelas barreiras tradicionais e modelos de monetização, e levará a uma explosão de novas companhias e tecnologias. 

A demanda por conteúdo 3D está em alta no metaverso

Cortesia deThe Sandbox
Cortesia deThe Sandbox

Construindo experiências em terras virtuais no metaverso 

Cortesia de Nike
Cortesia de Nike

Já vimos vendas de terrenos virtuais tomando as manchetes com valores multimilionários em dólar, mas o metaverso irá se tornar apenas um chavão se os usuários não puderem desfrutar de si próprios dentro dele. Celebridades e marcas estão lutando para estabelecer domínios virtuais dentro de jogos como Fortnite, Roblox, Decentralands, The Sandbox etc. para sediar eventos, estender seus negócios – e precisamos de designers 3D e arquitetos para fazer esse mundo virtual acontecer. 

Alguns arquitetos detectaram as novas oportunidades e estenderam suas fronteiras de design para o mundo virtual. A Zaha Hadid Architects apresentou a mostra “NFTism”, uma galeria de arte virtual na Art Basel Miami que explora a arquitetura e a interação social no metaverso.

Cortesia de Zaha Hadid Architects e JOURNEE
Cortesia de Zaha Hadid Architects e JOURNEE

Criando e vendendo NFTs 

As NFTs tomaram os mundos da arte, dos esportes e do entretenimento de surpresa e praticamente da noite para o dia. Vimos avatares generativos modernos, sneakers virtuais descolados, até mesmo o primeiro tuíte já feito em 2006. Já que o metaverso é um mundo compartilhado virtual 3D de mundos, a demanda por conteúdo 3D certamente deve ganhar embalo.

Kirk Finkel, mais conhecido como Untitled, XYZ, tinha uma carreira tradicional na arquitetura tradicional, mas é hoje um arquiteto do metaverso em tempo integral. A maior parte de seu trabalho está no Somnium Space (um metaverso que enfatiza a realidade virtual para óculos) e no Decentraland (que até hoje tem uma experiência mais voltada para a web). Ele é o arquiteto residente do Museum of Crypto Art (MOCA). “Há muitos arquitetos do mundo real que eu acho que podem prosperar nesse espaço, e espero que a gente chegue lá", disse Finkel.

Há muitos mercados de NFT para que você possa monetizar seus designs. O OpenSea é o maior marketplace para bens digitais, representando mais de 97% do mercado, e aberto a todos os criadores. O SuperRare se auto-descreve como um "Instagram somado à Christie's". Ainda em acesso antecipado, a plataforma recebe apenas um pequeno grupo de artistas escolhidos a dedo. Entretanto, pelo formulário no website, você pode submeter seu perfil de artista e entrar no radar do site para o lançamento completo no ano que vem. Você também pode conferir outros marketplaces neste artigo.

Desenvolver ferramentas de criação e oferecer treinamento para criadores

Ao invés de criar conteúdo, se você tem tanto habilidades criativas quanto técnicas, você pode construir ferramentas aprimoradas para ajudar pessoas a criar conteúdos de maneira mais eficiente. Na era da Internet móvel, vimos a ascensão do Sketch e do Figma, utilizados por designers de UX para criar, colaborar e prototipar. Ferramentas de design 3D normalmente são complexas, sem muita interoperabilidade e caras. Há uma oportunidade de mercado para tornar ferramentas mais acessíveis e extensíveis apenas para o contexto do metaverso para aumentar a produtividade e a interoperabilidade. Você também pode criar plug-ins, scripts e sistemas de desenho para ferramentas existentes de design 3D para aumentar suas funcionalidades.

À medida em que mais designers se envolverem no território do metaverso, vamos precisar de mais cursos de treinamento e comunidades para ajudá-los a aprender e a colaborar. Você pode criar conteúdo de qualidade como artigos e vídeos para ajudar as pessoas a aprenderem como tirar o máximo das atuais ferramentas somente com o que precisam saber. Você pode construir comunidades, sediar eventos e conferências para descobrir novas oportunidades, estabelecer e manter relações entre comunidades de criadores e colecionadores. 

Libere sua criatividade 

Cortesia de Annibale Siconolfi
Cortesia de Annibale Siconolfi

Arquitetos enfrentam muitas limitações no mundo real, como códigos de construção, condições climáticas locais, tecnologias de construção disponíveis, custo de construção etc.. Esses fatores limitam o alcance das soluções potenciais de design que podem ser adotadas. Enquanto no metaverso você pode liberar sua criatividade sem se preocupar com as limitações físicas, e realmente pensar fora da caixa. 

Embora possamos descartar as limitações que estamos acostumados a lidar, haverá novos desafios e regras que precisam ser cumpridas pelos criadores 3D. Você pode precisar aprender a usar novas ferramentas e design para novos meios. Por conta das disparidades em formatos suportados e atributos como tipo de arquivo, tamanho, e contagem de redes, plataformas têm exigências técnicas diferentes, então você pode ter que configurar e otimizar seus ativos 3Ds para garantir a compatibilidade com os diferentes mundos do metaverso. 

Outra habilidade que pode ser almejada por arquitetos é a interação do design com os ativos 3D e o ambiente de jogo. Como curar experiências virtuais com diferentes níveis de interação (gamificação de ativos 3D, motion design, design de animação, etc.) será toda uma nova maneira de storytelling arquitetônico. 

Você não precisa de clientes antes da hora, e pode construir sua própria comunidade de fãs 

Mais oportunidades igualitárias, especialmente para designers emergentes ou subrepresentados 

No mundo real, arquitetos e designers precisam de clientes para começarem seus escritórios. Parece lógico que um arquiteto passe a maior parte de seu tempo desenhando prédios, mas na prática, a maior parte dos esforços de um arquiteto são direcionados a encontrar mais clientes e projetos. Em praticamente qualquer firma, os sócios são primariamente responsáveis por conquistarem novos trabalhos, por meio de networking, ou sendo convidados a fazer propostas, preparando propostas, entrevistas, enquanto designers menos experientes desenham e administram o desenvolvimento de um trabalho. 

Jovens designers e arquitetos normalmente não recebem a chance de construir relações com clientes em potencial e têm dificuldades para encontrar seu primeiro cliente. Se você quer escalar a escada corporativa em uma grande firma, pode demorar anos até que você chegue a uma posição de liderança, e é custoso comercializar sua empresa e adquirir clientes. A economia criativa no metaverso pode garantir oportunidades igualitárias e abundantes para designers emergentes e/ou menos representados independentemente de gênero, raça, orientação sexual, cidadania... Você pode ainda precisar conquistar comissões se você quer desenvolver experiências virtuais para marcas e proprietários de terras. Você também pode transformar seus designs em NFTs e ter acesso direto ao mercado. Como Chris Dixon mencionou em seu artigo, "a maneira mais importante que as NFTs mudam a economia criativa é tornando usuários proprietários, e assim reduzindo os custos de aquisição de clientes para quase zero. O mercado de Cripto ativos cresceu para mais de um trilhão de dólares em capitalização de mercado agregado com quase nenhum investimento em marketing".

Seja você e transforme sua comunidade de fãs globalmente 

Enquanto a arquitetura é um negócio relativamente local, você pode oferecer seus produtos ou serviços digitais por todo o mundo. Pode ser difícil encontrar clientes que valorizem o seu design na sua região, mas é muito mais fácil encontrar usuários que apreciam seu gosto globalmente. 

O blockchain é descentralizado, com ênfase em abertura e diversificação. O espírito na verdade atraiu muitos fãs de subculturas a se juntarem. Cada nicho de cultura estética pode encontrar seu próprio grupo na comunidade Crypto, formar sua própria cadeia industrial e encontrar usuários que se identifiquem. Portanto, não há necessidade de ajustar seu próprio estilo estético para se adequar ao gosto popular. Seja você mesmo, faça o que quiser fazer ou o que você for bom em fazer, e seu próprio público vai te seguir. 

Cortesia de Eva Beylin
Cortesia de Eva Beylin

Criadores não devem apenas monetizar suas comunidades, mas com suas comunidades. 

Se você busca sucesso a longo prazo, você precisa continuar engajnado com seus "investidores anjo" para atingir uma situação de ganha-ganha. Os detentores de uma série NFT podem se tornar comunidades mais soltas também, com a NFT servindo como uma chave para um clube para membros apenas. Isso ilustra o potencial para um novo tipo de relação colaborativa entre um criador e uma comunidade de fãs. Algumas comunidades estão levando isso ainda mais além ao desenvolverem organizações auto-governantes como as DAOs (organizações autônomas descentralizadas) em torno de propriedades coletivas de NFTs.

A economia criativa apoiada pela Blockchain ainda está em um estágio muito inicial, e irá evoluir. Um dia, toda comunidade na Internet poderá ter sua própria microeconomia, incluindo NFTs e tokens fungíveis que elas podem usar, ter e colecionar.

Monetize seus projetos que estão guardados no computador

Cortesia deRon Herron (Archigram), Walking Cities, 1964
Cortesia deRon Herron (Archigram), Walking Cities, 1964

Arquiteturas não-construídas importam 

Para a arquiteta vencedora do Prêmio Pritzker Zaha Hadid, a maioria de seus projetos não foi construída durante os seus 25 anos de carreira. O grupo de vanguarda Archigram formado no início dos anos 60 era neo-futurista e se inspirava na tecnologia para criar uma nova realidade que era expressada somente em projetos hipotéticos. O grupo propunha construções que se moviam, brilhavam no escuro, e que podiam ser alteradas de acordo com o desejo de seus usuários. Seus planos ousados e futuristas através de desenhos, colagens, modelos, textos, embora nunca tenham sido construído, inspiraram gerações de arquitetos a visualizarem o futuro, e a influência deles deve crescer ainda mais.

Para cada competição de design ou projeto comissionado, podemos ter apenas um design vitorioso. Cada designer têm designs incríveis adormecidos em seus hard drives. Além de sediar uma exposição de "arquitetura não construída", você pode revitalizá-la no metaverso para compartilhar sua criatividade com o mundo. 

Você pode ganhar royalties DEPOIS da venda

Cortesia de Cyberscrilla
Cortesia de Cyberscrilla

Royalties de NFT são uma maneira fácil e livre de aborrecimentos para continuar sendo remunerado pelo seu trabalho. Os royalties de NFT são uma excelente oportunidade para criadores de conteúdo acessarem os lucros de vendas secundárias, o que nunca esteve disponível para eles dessa maneira.

Os royalties de NFT te dão uma porcentagem dos preços de venda a cada vez que sua criação NFT é vendida em um mercado. Imagine que você criou uma obra de arte em NFT no Rarible. Um fã da sua arte compra a obra por, digamos, 1 ETH. Você também tem codificado na NFT o termo que te repassa 10% do valor a cada venda realizada.

Todo mundo pode desenvolver arquitetura no metaverso, encontre seu molho próprio 

Como outros profissionais, arquitetos precisam de treinamento rigoroso, experiência profissional, aprovação em provas, e adquirir uma licença antes de poder praticar a arquitetura. É uma profissão regulamentada, o que significa que as pessoas sem certificação não podem participar. Enquanto no metaverso, a porta está aberta para todos. Você não precisa frequentar uma faculdade de arquitetura para se tornar um arquiteto do metaverso. Praticantes tradicionais da arquitetura irão enfrentar competição de designers de jogos, desenvolvedores, pessoas que estão lá como um hobby, e literalmente qualquer um. Para se destacar, os designers precisam refletir os valores que podem trazer para o mercado, e encontrar seu molho secreto. 

Ainda estamos vivendo a aurora do metaverso, e o usuário antecipado normalmente consegue a vantagem competitiva. Como designers 3D e arquitetos, somos treinados a pensar em 3D. Se o metaverso é em 3D, estamos posicionados perfeitamente para seremos os próximos designers da Internet? A economia criativa está desenvolvendo e reconfigurando o nosso setor. Entre  agora e embarque em uma nova jornada promissora! 

Esse artigo foi publicado originalmente no Medium em 1º de janeiro de 2022.

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Sobre este autor
Cita: Sun, Chloe. "Por que todo designer e arquiteto pode se beneficiar da economia criativa no metaverso" [Why Every 3D Designer / Architect Can Benefit From the Creator Economy in the Metaverse] 10 Jan 2022. ArchDaily Brasil. (Trad. Belo, Pedro) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/974706/por-que-todo-designer-e-arquiteto-pode-se-beneficiar-da-economia-criativa-no-metaverso> ISSN 0719-8906

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