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A umidade do ar é famosa, atingindo percentuais inclementes para quem nunca visitou um deserto. Árvores de troncos retorcidos, de cascas grossas e de folhas peludas saem do solo tentando vencer a gravidade, mas se contorcem de tal forma que é como se o calor as empurrasse novamente em direção ao chão. O vermelho da terra é onipresente, acrescentando uma dose de drama por todo o canto, como se a temperatura fustigasse a terra a ponto de ela sangrar. Aqui, no cerrado, não há a densidade da mata úmida, escura, como uma floresta de ameaçadora saída de um romance de Jack London, ou como uma testemunha em transe imemorial, como vista numa novela de Joseph Conrad.  Olha, o cerrado é diferente. A flora se compadece de nós. As árvores baixas, secas e cascudas reproduzem nosso próprio gestual de estafa sob este clima seco. São nossas companheiras de jornada nesse drama climático. Árvores e arbustos que já parecem cansados ao amanhecer, ao meio-dia se assemelham a famélicos rastejando em busca de abrigo, ao entardecer são severinos esgotados, tais como os candangos que vieram para cá há sessenta anos, e à noite se petrificam, desalmadas, sob a luz do céu noturno. Veja mais Veja a descrição completa
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