Parque Tecnológico FORT / Randja - Farid Azib Architects

Parque Tecnológico FORT / Randja - Farid Azib Architects

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  • Diretor De Projeto:Dhouha Hamdi
  • Assistentes:Isabelle Pinsolle, Yvanie Wilhem e Anouk Vialard
  • Projeto De Paisagismo:CHRISTOPHE GAUTRAND et associés
  • Acústica:LTE SAT
  • Quantitativos:VPEAS
  • Consultoria De Fachada:ELXIR, Philippe Bompas
  • Estrutura:ALPHA BET
  • Complementares:ARTELIA
  • Cidade:Saint-Lô
  • País:França
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© Luc Boegly
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Descrição enviada pela equipe de projeto. Uma placa de informações turísticas à beira da estrada indica a presença de um parque natural com uma fortaleza de pedra logo a frente. Chegando a Saint-Lô, uma pequena cidade no noroeste da França no topo de uma colina rochosa, a muralha que margeia a cidade é a primeira coisa que chama a atenção dos visitantes, algo que nos faz lembrar do famoso Mont-Saint-Michel, o qual encontra-se uns cem quilômetros mais ao sul. As ruínas de Saint-Lô são uma das tantas lembranças da Segunda Guerra Mundial que seguem resistindo ao tempo, contando a história de uma região devastada pelas duas grandes guerras. Aqui, é possível revisitar um passado que muitos desejam esquecer, as bombas dos Aliados e a destruição deixada pelos nazistas quando passaram pela região à caminho de Paris.

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Neste contexto, o edifício do Parque Tecnológico FORT nasce profundamente enraizado na história local, tendo a pedra como elemento construtivo  fundamental. As rochas, extraídas das colinas de Saint-Lô —ou Collines du Cotentin— foram então incorporadas pelos arquitetos para a construção dos muros e paredes do edifício, como uma nova fortaleza que dialoga com o patrimônio natural e construído da cidade. Após a Segunda Guerra Mundial, muitos se perguntaram se a fortaleza original deveria ser reconstruída. Os moradores de toda a região permaneceram em silêncio, desejando que a guerra nunca tivesse acontecido; os edifícios que permaneceram em pé, ou aquilo que restou deles, operava como uma lembrança de tempos difíceis, mas de qualquer maneira, os habitantes se negavam a transferir o centro da cidade para outro lugar. Foi assim que a pequena cidade de Saint-Lô foi sendo reconstruída, no mesmo lugar onde sempre esteve e de onde nunca deveria sair: protegida por sua própria fortaleza.

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Pedra sobre pedra. Passado e futuro. Os escombros de rocha — montanhas de pequenos retalhos de pedra resultado da demolição e bombardeamento da antiga fortaleza — serviram como a fundação deste novo edifício. Esses elementos heterogêneos, com seus diversos tamanhos e formas, são mais um problema que uma solução e portanto, têm sido pouco utilizados na construção civil atualmente. De forma inteligente e criativa, os arquitetos decidiram incorporar estes resíduos como um símbolo de força e sustentabilidade, um edifício capaz de dialogar com o território e que ao mesmo tempo atende todas as demandas programáticas solicitadas pelos moradores de Saint-Lô.

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Formalmente, o edifício se desenvolve a partir de um único volume e atravessado por três espaços intersticiais: um pátio, um terraços-escadaria e uma passagem. Estas pausas rítmicas na estrutra do edifício servem como momentos de reflexão, criando espaços de encontro e socialização. Desta forma, o novo Parque Tecnológico nasce de uma profunda compreensão da dinâmica da cidade medieval onde está inserido e proporcionando ainda, um espaço agradável, funcional e adequado as necessidades da vida moderna.

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Os escombros de pedra foram recolhidos, reciclados e transformados em agregado para a estrutura de concreto do edifício. Todas as paredes foram executadas em painéis de concreto pré-moldado, preenchidos com uma camada de isolamento e finalmente montados no local. Em sua materialidade, o concreto assume diferentes qualidades: aparente, bruto, lixado ou translúcido. De forma complementar, a rocha também é utilizada em seu estado natural, preenchendo estruturas vazadas em forma de grelha para se transformar no próprio acabamento final do edifício, como em uma ruína ou fortaleza de pedra. Esta muralha de gabião, ressignificada e móvel, opera como elementos de fechamento — criando um edifício ora mais introspectivo, ora mais extrovertido. Quando fechados, os gabiões servem para proteger; quando abertos, operam como facilitadores do uso e apropriação do espaço pelos visitantes.

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Planta - Térreo
Planta - Térreo
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No primeiro pavimento, os gabiões utilizados como elementos de proteção solar assumem uma menor profundidade, permitindo que a luz ultrapasse a fachada de pedra de forma a iluminar naturalmente os espaços interiores do edifício. Somado a esta simples versatilidade, a utilização da pedra em sua forma bruta e natural permitiu ainda diminuir custos e o tempo de trabalho no canteiro de obras. Além disso, todos os gabiões foram montados na fábrica, proporcionando uma obra limpa e seca, sendo que apenas as lajes e pisos foram concretadas in loco.

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Bebendo na fonte de sua maior inspiração, a fortaleza de Saint-Lô, o novo edifício do Parque Tecnológico FORT é o “herdeiro” desta magnifica estrutura, uma iniciativa que pretende construir um futuro brilhante para a cidade e seus habitantes baseado em inovação e criatividade. O acesso principal foi concebido como uma ponte que se extende em direção à muralha, projetado-se para dentro do centro histórico de Saint-Lô, criando uma escadaria em forma de arquibancada e um mirante panorâmico para o skyline da cidade. A partir do hall de acesso, é possível aceder um espaço para eventos à esquerda, uma área multiuso à direita; outros elementos importantes são o antiteatro e as salas de videoconferência.

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Para evitar corredores e espaços escuros, os diferentes programas foram justapostos ou escalonados, agrupados em conjuntos de forma a criar espaços intersticiais adaptáveis às diferentes necessidades dos usuários ao longo do ano. Elementos mais funcionais do programa — como as oficinas — foram concebidos para contemplar privacidade, conforto e acessibilidade.

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Concebemos uma estrutura que permite aos usuários circular livremente pelo local, deparando-se com os espaços e atividades. Além disso, procuramos evitar as barreiras e criar um espaço fluido e flexível. Desenvolver uma arquitetura inovadora, em nosso ponto de vista, significa tomar decisões ao longo do processo, tem a ver com uma estrutura capaz de minimizar a energia necessária para a sua construção e, ao mesmo tempo, que oferece uma alta capacidade de adaptação e transformação ao longo dos anos.

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A escolha pelo concreto aparente, em suas diversas materialidades, encaixa-se perfeitamente à paisagem natural de Saint-Lô. A luz desempenha papel fundamental tanto nos espaços abertos quanto fechados, aproximando a arquitetura da paisagem, o interior do exterior.

A pré-fabricação permitiu construirmos enormes volumes sem grandes esforços e causando o mínimo impacto possível no terreno natural. Como resultado disso, o edifício abriga espaços amplos e integrados, algo que nos proporcionou uma maior liberdade na hora de projetar os espaços interiores e o mobiliário do edifício. O vestiário está definido por uma complexa instalação com cabos tencionados, que em determinados momentos, opera como um cabideiro. As jaquetas e casacos dos visitantes servem para absorver o som quando há muitas pessoas visitando o edifício simultaneamente. O corredor do espaço multiuso é tão grande que poderia se transformar em lanchonete ou até em pátio de estacionamento para foodtrucks. Portanto, as soluções projetuais propostas permitem que o edifício se adapte de acordo com as diferentes necessidades e programas, assim como durante o dia e o ano. Faça calor ou faça frio, os espaços podem ser ocupados ou não, como uma ruína habitada. O volume do anfiteatro se transforma em uma espécie de fortaleza, introspectivo e protegido para proporcionar o desempenho acusativo e térmico que se espera dele.

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Para concluir, este projeto foi desenvolvido de dentro para fora em um movimento centrípeto que vai aumentando de intensidade a medida que se afasta de seu centro, criando espaços interiores protegidos e silenciosos e espaços abertos dinâmicos e vibrantes. Os diferentes protagonistas se encontram pelos jardins e pátios, contagiando-se uns aos outros de forma a criar um espaço para o futuro de Saint-Lô, intimamente conectado com a historia e o passado do lugar.

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Galeria do Projeto

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Localização do Projeto

Endereço:50000 Saint-Lô, França

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Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato.
Sobre este escritório
Cita: "Parque Tecnológico FORT / Randja - Farid Azib Architects" [FORT Technology Park / Randja - Farid Azib Architects] 16 Jul 2020. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/943748/parque-tecnologico-fort-randja-farid-azib-architects> ISSN 0719-8906

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