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Landskating, um documentário sobre a construção dos parques esportivos urbanos em Barcelona

Landskating, um documentário sobre a construção dos parques esportivos urbanos em Barcelona

"Uma antiga pista de skate, um jardim abandonado em baixo da ponte e o projeto de reconstrução dos espaços públicos em um bairro operário da cidade de Barcelona são os cenários do documentário Landskating. A narrativa conta o processo de reurbanização de três espaços públicos na cidade, explicando como territórios antes marginalizados foram re-inseridos no tecido urbano respeitando a história do lugar, sua memória, seu povo e o dia-a-dia de seus moradores."

A estréia de Landskating está sendo esperada ansiosamente por arquitetos, urbanistas e também pelos moradores de tais comunidades. Dirigido por Kike Barberá, com roteiro de produção de Sergi Carulla e Oscar Blasco (SCOB), o documentário foi filmado entre 2013 e 2015, durante o período de implementação dos processos participativos, conduzido pelos próprios jovens, e a construção dos três primeiros parques urbanos de lazer da cidade de Barcelona.

Aproveitando a programação de estréia do documentário, entrevistamos a equipe do SCOB para saber mais sobre o seu último trabalho desenvolvido na cidade Barcelona.

FB: Vocês mencionaram que por trás de cada Landskate Park e de cada projeto de paisagismo que realizam, há uma reflexão sobre o espaço público e a cidade: "é preciso conceber estes espaços não como unidades independentes, mas a partir de um olhar mais abrangente, dentro de um conjunto de ações que tenham como objetivo qualificar o espaço urbano de nossas cidades. É preciso agir. Atuar ativamente no espaço urbano deve ser prioridade para todos nós." Vocês poderiam falar um pouco mais sobre isso? O que é que está fazendo mal às nossas cidades? De que maneira podemos partir para a ação?

SCOB: A ONU delineou uma série de deveres e obrigações que todas as cidades deveriam cumprir até o ano de 2030. Cada um de nós tem muito claro quais deveriam ser as nossas prioridades neste momento. Excluindo os negacionistas das mudanças climáticas, todos nós devemos nos unir e agir para tentar mudar esta situação. Isso não significa que devemos nos desesperar ou transformar isso em uma ferramenta de marketing e monetização dos espaços públicos. A ecologia urbana deve entrar em cena sim, mas não apenas como um prefixo ou uma forma de monetizar o espaço público, tampouco deve ser encarado como a solução para todos os nossos problemas. A ecologia urbana deve ser compreendida, simples e diretamente, a partir de sua própria definição: “o ramo da biologia que estuda as relações entre os diferentes seres vivos (seres humanos incluídos) e seu entorno" (Wikipedia dixit). No momento que formos capazes de transformar esta relação todo nós seremos beneficiados, e o que é melhor, todos serão mais felizes. Isso é um fato.

© Adrià Goula
© Adrià Goula

FB: O documentário Landskating põe em evidência o modelo participativo de gestão compartilhada. Neste sentido, qual foi o principal desafio que vocês enfrentaram, especialmente em se tratando do contexto urbano específico?

SCOB: A experiência que tivemos com o coletivo Kasal de Roquetes foi muito estimulante para todos nós e acredito que para eles também. Estimulante, neste caso, não significa gratificante; este foi algo que feio apenas com o resultado final. Este processo participativo foi estimulante no sentido de que todos os envolvidos trabalharam juntos em busca de uma ferramenta de comunicação. Em muitos casos específicos, nem todos falavam a mesma língua; e não estamos falando de questões puramente ideológicas, mas principalmente na manera de interpretar o significado de espaço público. Esta convivência forçada, na qual todos deviam deixar de lado (mesmo que só por um momento) nossos egos para trabalhar como uma “equipe”, foi o mais desafiador de todo este processo. Felizmente, agora podemos ver o reflexo deste trabalho no dia a dia das pessoas que habitam estes espaços, tanto aqueles que praticam quanto os que não praticam o esporte do skate. Quiçá, eles não se abraçam nem se cumprimentam com um aperto de mãos, mas convivem com certa dignidade sem necessidade de criar obstáculos, nem desenhar pistas no chão, o que já é uma grande vitória.

© Adrià Goula
© Adrià Goula

FB: O que vocês imaginam como sendo o futuro dos espaços públicos de nossas cidades? Praças ou Pistas de Skate?

SCOB: No futuro, gostaríamos de ver nos espaços públicos de nossa cidade algumas das características que procuramos implantar com estes projetos. Características estas que são são apenas o resultado de uma implantação bem sucedida de determinadas condições (sociais, arquitetônicas ou paisagísticas), mas a constatação de que promover a diversidade e os conflitos inerentes ao espaço público (entendida não como um espaço sem regras, mas aquele que fomenta as regras não regulamentadas), são uma garantia de sobrevivência para o espaço público. Se não aceitarmos este desafio, acabaremos apenas reproduzindo espaços públicos com características excludentes regidos pelas regras do capital, definidos por intenções políticas mal articuladas.

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Sobre este autor
Cita: Dejtiar, Fabian. "Landskating, um documentário sobre a construção dos parques esportivos urbanos em Barcelona" [Landskating, un documental sobre la construcción de parques deportivos urbanos en Barcelona] 19 Fev 2020. ArchDaily Brasil. (Trad. Libardoni, Vinicius) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/933791/landskating-um-documentario-sobre-a-construcao-dos-parques-esportivos-urbanos-em-barcelona> ISSN 0719-8906

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