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A palavra espanhola medianera carrega um significado que, em português, poderia ser traduzido como “empena cega", no entanto seu sentido na língua hispânica ganha uma apreensão cultural e de vivência urbana se pensada em termos locais. Esse elemento arquitetônico que, ao mesmo tempo, parece separar e vincular lotes vizinhos de forma tão marcante, é recorrente em cidades da América colonizadas pela Espanha. No caso argentino, a cidade de Buenos Aires se consolidou a partir dos preceitos daqueles que chegaram ao território com as réguas da quadrícula e o rigor da organização ortogonal e se desenvolveu a dentro dessa lógica que chegou aos dias de hoje a uma situação urbana recorrentemente marcada pela presença desses elementos duros e aparentemente inadiáveis que são as medianeras. Enquanto preexistência comum na cidade e um importante elemento incorporado ao cotidiano e cultura locais, elas suscitam uma lógica própria quando são elementos com os quais os projetos arquitetônicos contemporâneos devem lidar. As mesmas condições que a definem enquanto divisória, limite, muro, junto ao traçado urbano da cidade, sugerem ao projeto de arquitetura o caminho do paralelismo, do enclausuramento, de uma forte tendência ao comprimento, da ausência de aberturas e, muitas vezes, de uma rigidez convocada por seu papel estrutural nos edifícios. Apesar disso, algumas práticas de desenho desafiam ou se aproveitam desses preceitos “naturais” sugeridos por esse tipo de preexistência e tensionam a dimensão simbólica, imagética e material desse elemento. Veja mais Veja a descrição completa
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