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Conheça os vencedores do Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel 2019

Conheça os vencedores do Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel 2019

O Instituto Tomie Ohtake anunciou ontem os vencedores da sexta edição do Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel. A lista de finalistas contava com 12 projetos na categoria profissionais e outros três na categoria universitários, que permanecem expostos até o dia 1 de dezembro na sede do Instituto em São Paulo.

Conheça, a seguir, os vencedores:

Categoria Profissionais

Premiado: A praia e o tempo

A Praia e o Tempo. Cortesia de gru.a (grupo de arquitetos)
A Praia e o Tempo. Cortesia de gru.a (grupo de arquitetos)

Autoria: gru.a (grupo de arquitetos) – Pedro Varella
Colaboradores arquitetura: Caio Calafate, André Cavendish, Julia Carreiro e Isadora Tebaldi
Local: Rio de Janeiro, RJ

A Praia e o Tempo. © Elisa Mendes
A Praia e o Tempo. © Elisa Mendes

Viabilizada em decorrência da 9ª edição do Festival Internacional de Artes Cênicas (2018), na praia de Copacabana (Rio de Janeiro), a instalação surgiu com o objetivo de abrigar uma espécie de palco aberto a apresentações. A partir de duas operações combinadas – a demarcação do território e a movimentação do solo –, o projeto delineia uma paisagem topográfica efêmera e mutável, fruto da ação daqueles que ocupam o espaço e também da variação das marés.

Sua execução é bastante concisa, partindo da implantação de uma estrutura quadrilátera com lados de 31 metros e altura de 50 centímetros, que demarca uma área de apresentações e, ao mesmo tempo, serve como plateia aberta e área de descanso para o público. Ao centro da área definida escavou-se um buraco de 4 metros de profundidade. A porção de areia retirada foi agrupada no vértice oposto ao mar, configurando uma duna cujo cume se encontrava a 5 metros de altura em relação ao nível do calçadão.

A remoção e o deslocamento dessa porção de areia permitem que, com o movimento das marés, uma área central abrigue um espelho d’água em torno do qual as pessoas se sentam, conversam, dançam e trocam experiências. Seu caráter impermanente reconfigura o espaço pelas mais distintas ações, gerando constantemente novos desenhos topográficos.

A instalação é fruto de um partido conceitual muito claro e preciso, capaz de, por meio de pouquíssimas ações, problematizar os usos contemporâneos de nossos espaços públicos, a escassez de áreas voltadas a programas culturais em espaços abertos e, por fim, nossa relação com a paisagem que nos envolve. Acima de tudo, “A praia e o tempo” é uma apologia ao convívio e à contemplação, reafirmando a condição já calcada da vista ao mar como uma possibilidade de desaceleração, contemplação e ócio. Nada mais bem-vindo em uma cidade que historicamente é marcada por sua relação com uma paisagem exuberante.

Premiado: Beacon School

Beacon School. © Nelson Kon
Beacon School. © Nelson Kon

Autoria: Andrade Morettin – Vinicius Andrade, Marcelo Morettin, Marcelo Maia Rosa e Renata Andrulis + GOAA Gusmão Otero Arquitetos Associados – Guido Otero e Ricardo Gusmão
Colaboradores arquitetura: Adriane De Luca, Carlos Eduardo Miller, Eduardo Miller, Fernanda Carlovich, Fernanda Mangini, Jaqueline Lessa, Melissa Kawahara, Raphael Souza, Marina Novaes, Marina Pereira e Murilo Zidan
Local: São Paulo, SP

Beacon School. © Nelson Kon
Beacon School. © Nelson Kon

O projeto desta escola é fruto do aproveitamento e reconhecimento das potencialidades do patrimônio industrial da região central de São Paulo. Os amplos galpões em completo desuso foram adaptados a um programa escolar que visava abrigar cerca de mil alunos. Os edifícios tinham como principal desafio sua monumentalidade: as dimensões pouco condizentes com um programa destinado a crianças de várias faixas etárias. O projeto tomou como dado a possibilidade de aliar esses edifícios rústicos e de largas proporções a uma ideia de generosidade, estabelecendo amplas circulações voltadas ao encontro dos alunos.

O principal espaço de encontro e elemento estruturador do projeto é uma praça central, com 100 metros de comprimento, que articula todas as atividades da escola. O diálogo entre os novos elementos construtivos e os preexistentes é outra característica marcante do projeto. Como apontam os arquitetos: “a cada momento os usuários do complexo são confrontados com a convivência entre os diferentes tempos históricos e seus elementos espaciais-construtivos”.

Premiado: Casa 239

Casa 239. © Nelson Kon
Casa 239. © Nelson Kon

Autoria: Una Arquitetos – Cristiane Muniz, Fábio Valentim, Fernanda Barbara e Fernando Viégas
Colaboradores arquitetura: Joaquin Gak, Henrique Te Winkel, Marcos Bresser, Otávio Filho, Pedro Ivo, Rodrigo Carvalho Pereira e Pedro Ribeiro
Local: São Paulo, SP

Casa 239. © Nelson Kon
Casa 239. © Nelson Kon

Uma jabuticabeira de cinco décadas localizada no centro do lote determinou a conformação da casa que parece envolver a vegetação. Dois braços em “L” abrigam os ambientes principais – como as varandas, a sala de estar e jantar, a cozinha, a sala de estudos e um dormitório – que se voltam para esse pátio interno atentos ao comportamento das plantas.

A angulação da geometria original de orientação e distribuição da casa foi, ao longo do projeto, adequando-se às diferentes situações de insolação e ao comportamento desse pátio.

A permeabilidade da casa é controlada por uma série de venezianas em madeira e aberturas envidraçadas, com painéis marcados pela intensa e lúdica presença da cor. Uma permeabilidade possibilitada pela solução das paredes estruturais em concreto que ora cerram os limites externos da casa, com pequenas aberturas, ora recebem a carga sem a necessidade de pilares.

Menção Honrosa: Capela em Sacromonte

Capela em Sacromonte. © Tali Kimelman
Capela em Sacromonte. © Tali Kimelman

Autoria: MAPA Arquitetos - Luciano Andrades, Matías Carballal, Andrés Gobba, Mauricio López e Silvio Machado
Colaboradores arquitetura: Pablo Courreges, Diego Morera, Emiliano Lago, Fabián Sarubbi, Sandra Rodríguez, Rafael Solano, Agustín Dieste, Alba Álvarez, Miquel Castellà, Marcos Gómara, Victoria Reibakas, Sebastián Lambert, Lucy Braunstein, Marie-Lise Hofstetter, Claire Gardan, Helena Utzig e João Bernardi
Local: Maldonado, Uruguai

Capela em Sacromonte. © Tali Kimelman
Capela em Sacromonte. © Tali Kimelman

Fruto de uma estrutura pré-fabricada produzida em Portugal e, posteriormente, transportada a Sacromonte, a capela possui em seus elementos e partidos uma simplicidade correlata. Sob um gesto sutil, dois planos de madeira CLT (Cross Laminated Timber) foram ordenados quase que a descansar um sobre o outro, deixando uma pequena fresta por onde a luz penetra.

A singeleza com que o espaço se configura deixa evidente o propósito primordial do projeto: como uma espécie de moldura, a capela recorta a paisagem de vinhas erigindo o mínimo possível para seu programa. Nem fechado nem completamente aberto, é um espaço em si próprio e é, ao mesmo tempo, parte do seu entorno. Permeável às intempéries, a Capela evoca uma relação direta com a natureza, fazendo das próprias manifestações climáticas um dado à meditação e à transcendência.

Menção Honrosa Sustentabilidade: Casa das Birutas

Casa das Birutas. © Antonio C. Vissotto Jr. e Nilce Pinho
Casa das Birutas. © Antonio C. Vissotto Jr. e Nilce Pinho

Autoria: Gera Brasil Arquitetura e Consultoria – Karen Miyabe Ueda, Nilce Pinho e Antonio Carlos Vissotto Jr.
Colaboradores arquitetura: Barbara Silva, Ana Gabriela Wilhelm, Evellyn Sales dos Santos e Sofia Farhat Fernandes
Local: Piracaia, SP

Casa das Birutas. © Antonio C. Vissotto Jr. e Nilce Pinho
Casa das Birutas. © Antonio C. Vissotto Jr. e Nilce Pinho

A Casa das Birutas é uma construção autossustentável, e seu projeto envolveu permacultores, artesãos e profissionais locais, supervisionados por uma equipe exclusivamente feminina. O respeito ao terreno com declive acentuado e a prioridade em estabelecer uma forte relação com o entorno e sua vista foram premissas norteadoras do projeto.

Feita em madeira cupiúba, com telhado de bambu doado em aulas de artesanato da Unesp, a estrutura da construção foi elaborada de modo a parecer uma casa flutuante. Materiais como garrafas, ferro e madeira foram desviados de um aterro, e o restante foi produzido ou comprado localmente.

As maiores influências no desenho do projeto foram as normas e acordos comunitários da Ecovila Clareando, onde se localiza o terreno. A sustentabilidade da casa foi ponto determinante no projeto, com emprego de garrafas e cordwood na elaboração do piso, adoção de banheiro seco, biodigestor, zona de raízes, captação de água pluvial, aquecimento solar e poço seco. O local é autossuficiente em energia por conta de placas fotovoltaicas, e o terreno abriga uma pequena agrofloresta.

Menção Honrosa Cor: Sede Castanhas de Caju

Sede Castanhas de Caju. © Estúdio Flume
Sede Castanhas de Caju. © Estúdio Flume

Autoria: Estúdio Flume – Christian Teshirogi e Noelia Monteiro
Colaboradores arquitetura: German Nieva, Layla Kamilos e Marina Lickel
Local: Bom Jesus das Selvas, MA

Sede Castanhas de Caju. © Estúdio Flume
Sede Castanhas de Caju. © Estúdio Flume

No lugar onde existia uma pequena casa na comunidade de Nova Vida, em Bom Jesus das Selvas, Maranhão, foi construída uma sede para a cooperativa de mulheres produtoras de castanhas de caju, que até então trabalhava em espaço alugado.

A proposta considerou as necessidades específicas do grupo de produtoras e a cooperativa foi construída de forma rápida, simples e econômica, reaproveitando ao máximo elementos da antiga residência e atendendo à demanda de baixo custo de manutenção, em local onde o clima é tropical semiúmido. Utilizou-se a técnica construtiva de alvenaria com tijolos de cerâmica furados e portas pivotantes com venezianas para garantir a ventilação dos ambientes. Visto que na região não há sistema de esgoto ou abastecimento constante de água corrente, a obra ainda empregou princípios da permacultura, como um biodigestor de fossa séptica para tratamento de esgoto e círculo de bananeiras para filtragem de águas cinzas.

Para os arquitetos, o contato direto da comunidade com essas técnicas econômicas permite que elas sejam difundidas e recicladas. O local ainda se tornou ponto de encontro dos moradores da região e abrigou uma marquise e banco de concreto para usufruto da comunidade.

Categoria Universitários

Premiado: Da ocupação se faz arquitetura

Da ocupação se faz arquitetura. © Francisco Lucas Costa Silva
Da ocupação se faz arquitetura. © Francisco Lucas Costa Silva

Autoria: Francisco Lucas Costa Silva
Orientação: Solange Maria de Oliveira Schramm
Instituição de ensino: Universidade Federal do Ceará
Local: Fortaleza, CE

Da ocupação se faz arquitetura. © Francisco Lucas Costa Silva
Da ocupação se faz arquitetura. © Francisco Lucas Costa Silva

O projeto parte de alguns pressupostos primordiais: o enfoque na articulação entre cidade e edifício e os números alarmantes de edifícios subutilizados e abandonados nas capitais brasileiras. Tomando por base a cidade de Fortaleza, o projeto realiza um mapeamento das principais edificações traçando um percurso a pé entre obras em situação de abandono. Para tal empreitada, seriam restaurados cinco edifícios entre a Praça do Ferreira e o Passeio Público, dois importantes pontos do centro da capital cearense. A ocupação desses edifícios com programas variados serviria de incentivo à apropriação de tais espaços pela população, criando lugares de encontro e convivência.

Em um primeiro momento, a adaptação desses edifícios busca proporcionar que seus térreos se tornem uma extensão do passeio público, diluindo a transição entre exterior e interior. Num segundo momento, a previsão de programas visa a maior diversificação de atividades: o Edifício Ventura abrigaria uma escola-oficina, a antiga sede do Banespa abrigaria uma praça vertical, e o Edifício Jangada seria convertido em uma casa aberta para aqueles que necessitam de uma estadia temporária. Além desses, o Palácio do Comércio e o Excelsior Hotel receberiam respectivamente um salão-mirante e um pavilhão anexo, abrigando uma galeria-teatro destinada a ensaios e pequenos espetáculos.

Inscreveram-se no Prêmio 391 projetos, provenientes de 17 Estados brasileiros e Distrito Federal, sendo 282 Profissionais e 109 Universitários. Entre os selecionados há obras localizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins, Distrito Federal, Mato Grosso, Maranhão e Uruguai. O Júri desta edição foi formado por Helena Aparecida Ayoub Silva; Héctor Vigliecca; Joice Berth; Pedro Vada e Priscyla Gomes.

Reveja os finalistas aqui.
Textos em itálico fornecidos pelo Instituto Tomie Ohtake

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Sobre este autor
Cita: Romullo Baratto. "Conheça os vencedores do Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel 2019" 19 Out 2019. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/926796/conheca-os-vencedores-do-premio-de-arquitetura-instituto-tomie-ohtake-akzonobel-2019> ISSN 0719-8906

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