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Uma pista de testes na cobertura: a arquitetura industrial da Fábrica da Fiat em Lingotto

Uma pista de testes na cobertura: a arquitetura industrial da Fábrica da Fiat em Lingotto

O projeto para a fábrica da Fiat no bairro de Lingotto, em Turim (Itália), foi realizado pelo engenheiro Giacomo Mattè-Trucco em 1915. A construção começou no ano seguinte e foi feita em etapas, até a sua conclusão em 1923. Inspirada no fordismo, modelo de fabricação surgido nos Estados Unidos nos anos 1910, a fábrica foi projetada de forma que a linha de montagem dos automóveis fosse ascendente. Ao chegar à cobertura, os automóveis estavam prontos para serem testados numa pista com extensão de aproximadamente 1km.

O complexo de Lingotto é formado pela fábrica, de localização central; um edifício de escritórios, localizado à nordeste da fábrica, com alinhamento semelhante; e um centro de triagem, localizado na parte sul do complexo.

Antiga fábrica da Fiat em Lingotto. Cortesia de Atlas of Places sob licença de Fair Use
Antiga fábrica da Fiat em Lingotto. Cortesia de Atlas of Places sob licença de Fair Use

O edifício da fábrica possui cinco pavimentos e é sustentado por uma estrutura de concreto armado com pilares espaçados a cada seis metros. Sua geometria é formada por dois blocos conectados por cinco elementos transversais que possibilitam tanto a circulação horizontal como a vertical. A distribuição desses blocos de ligação configura três pátios internos descobertos. No topo da fábrica, a pista de testes - circundada por um guarda-corpo de 1,50 metro de altura - conforma duas curvas parabólicas nas extremidades.

Pista de testes da fábrica da Fiat em Lingotto. Cortesia de Atlas of Places sob licença de Fair Use
Pista de testes da fábrica da Fiat em Lingotto. Cortesia de Atlas of Places sob licença de Fair Use

Os automóveis seguiam o percurso de produção ascendente através de rampas helicoidais que conectavam os pavimentos distribuídos nos 27 metros de altura da fábrica. As rampas e a pista de testes na cobertura se tornaram elementos representativos do edifício e aspectos inovadores nos campos da arquitetura e da produção industrial.

Vista aérea da fábrica da Fiat em Lingotto, 1928. Cortesia de Dgtmedia - Simone sob licença Creative Commons
Vista aérea da fábrica da Fiat em Lingotto, 1928. Cortesia de Dgtmedia - Simone sob licença Creative Commons

A fábrica Fiat de Lingotto foi considerada a “primeira invenção construtiva futurista” por Filippo Tommaso Marinetti, Angiolo Mazzoni e Mino Somenzi no “Manifesto Futurista dell’Architettura Aerea” (1935). O futurismo – movimento que começou no campo das artes – e o racionalismo foram bem recebidos pelo governo à época e se tornariam símbolo de uma Itália fascista. A fábrica de Lingotto também foi palco de discursos de Mussolini nos anos 30.

Rampas vistas de baixo para cima. Foto: Roberto Defilippi, via Flickr. Licença Creative Commons
Rampas vistas de baixo para cima. Foto: Roberto Defilippi, via Flickr. Licença Creative Commons

Le Corbusier também visitou a fábrica e experimentou pessoalmente a pista de testes em 1934, classificando-a como um dos edifícios mais impressionantes da indústria. O arquiteto já havia elogiado sua forma clara, simplicidade, ordem e tensão moral na revista "L’Espirit Nouveau" antes mesmo de visitá-la.

Fábrica da Fiat em Lingotto. Cortesia de Atlas of Places sob licença de Fair Use
Fábrica da Fiat em Lingotto. Cortesia de Atlas of Places sob licença de Fair Use

No ano de 1939 a produção da fábrica de Lingotto foi interrompida devido ao início da II Guerra Mundial, quando o edifício se tornou ponto estratégico para o exército italiano. Após os bombardeamentos do período da guerra, a fábrica não voltou a produzir automóveis e o anúncio oficial do encerramento das suas atividades ocorreu em 1982.

Fachada da fábrica. Foto: Raffaele Sergi, via Flickr; Licença Creative Commons
Fachada da fábrica. Foto: Raffaele Sergi, via Flickr; Licença Creative Commons

Em 1984 foi realizado um concurso de ideias para novos usos e em 1985 a Fiat contratou o arquiteto italiano Renzo Piano para o projeto de reestruturação das instalações. Foram propostos novos usos para o edifício, como, por exemplo, centro comercial, hotel, auditório, cinema, anfiteatro e uma escola de engenharia automobilística. Além da reestruturação do antigo edifício, o arquiteto realizou intervenções na cobertura do edifício - uma sala de reuniões esférica de aço e vidro e um heliponto - e a Pinacoteca Giovanni e Marella Agnelli.

Antiga fábrica da Fiat em Lingotto. Cortesia de Atlas of Places sob licença de Fair Use
Antiga fábrica da Fiat em Lingotto. Cortesia de Atlas of Places sob licença de Fair Use

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Sobre este autor
Cita: Susanna Moreira. "Uma pista de testes na cobertura: a arquitetura industrial da Fábrica da Fiat em Lingotto" 17 Set 2019. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/924808/uma-pista-de-testes-na-cobertura-a-arquitetura-industrial-da-fabrica-da-fiat-em-lingotto> ISSN 0719-8906

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