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Estruturas de madeira são o futuro dos arranha-céus?

  • 11:30 - 11 Setembro, 2019
  • por
  • Traduzido por Vinicius Libardoni
Estruturas de madeira são o futuro dos arranha-céus?
Estruturas de madeira são o futuro dos arranha-céus?, Rendering of HAUT. Imagem Cortesia de Team V Architectuur
Rendering of HAUT. Imagem Cortesia de Team V Architectuur

Ao longo dos últimos anos, o desenvolvimento de novas tecnologias e o aumento da procura por materiais e sistemas construtivos mais sustentáveis têm impulsionado o uso de estruturas de madeira na arquitetura do século XXI. Sistematicamente, a madeira se firmou como uma alternativa ao concreto e o aço, passando a ser amplamente utilizada também em projetos de arranha-céus e edifícios em altura. Ao longo dos últimos seis anos foram construídos - ou estão sendo construídos - mais de 44 edifícios em altura com estruturas de madeira. Segundo definição do Council on Tall Buildings and Urban Habitat, podem ser considerados arranha-céus edifícios construídos com estruturas de madeira com mais de quatorze pavimentos ou cinquenta metros de altura. Exemplos notáveis já foram notícia aqui no Archdaily Brasil, como o Edifício T3 desenvolvido em parceria entre a Michael Green Architecture e o DLR Group e a Torre HAUT, projetada pelo Team V Architectuur.

T3 Minneapolis. Imagem Cortesia de DLR Group
T3 Minneapolis. Imagem Cortesia de DLR Group

Não é por acaso que mais e mais arquitetos ao redor do mundo estão se debruçando sobre a prancheta para desenvolver projetos de edifícios com estruturas de madeira cada vez mais altos. Na última década, em diversos países da Europa, América e Ásia, uma série de políticas governamentais e internacionais foram lançadas para incentivar e promover o uso de madeira na industria da construção civil, especialmente para edifícios em altura. Em 2017, por exemplo, o governo canadense lançou o Programa GCWood (Green Construction Through Wood), que fornece financiamento para projetos desenvolvidos majoritariamente em estruturas de madeira ou para aqueles que pretendam utilizar novos produtos e sistemas construtivos de madeira. Como resultado disso, o International Code Council aprovou quatorze alterações no Código Internacional de Construção no início deste ano, aumentando para oitenta metros a altura máxima permitida para construções em madeira. Mudanças como esta servem, ou devem servir, como catalisadores para o desenvolvimento de novas tecnologias e para incentivar a produção de arquitetura em madeira ao redor do mundo.

Rendering of Hyperion. Imagem Cortesia de Jean Paul Viguier et Associes
Rendering of Hyperion. Imagem Cortesia de Jean Paul Viguier et Associes

Todos sabemos que a madeira é um dos materiais mais amplamente utilizados na arquitetura deste os tempos mais remotos. Por outro lado é evidente que, o atual foco de todo este esforço governamental e internacional está direcionado à promover - acima de tudo - a arquitetura de arranha-céus em madeira. Isso nos leva a indagar: quais são os benefícios de construir edifícios em altura em madeira se comparados aos tradicionais sistemas construtivos em aço e concreto?

Wood Innovation Design Center. Imagem © Ema Peter
Wood Innovation Design Center. Imagem © Ema Peter

O principal benefício é a sustentabilidade. Recentemente, o prefeito de Nova Iorque Bill de Blasio fez duras críticas ao sistema construtivo típico dos arranha-céus americanos. Segundo anunciando por de Blasio em abril deste ano, devido as suas consequências extremamente negativas ao nosso meio ambiente, arranha-céus construídos em aço e vidro já "não têm mais lugar em nossa cidade nem em nosso Planeta". Suas afirmações obviamente foram baseadas em pesquisas sérias, as quais revelam um altíssimo gasto energético durante a fabricação do aço e consequentemente, altos níveis de emissões de gases de efeito estufa. Segundo este estudo, um metro quadrado de área construída em um edifício com estrutura de aço é responsável pela emissão de 40kg de CO2 na atmosfera além de um gasto energético de 143 KW/h de energia. Uma estrutura construída em concreto não passa muito longe disso, resultando em 27kg de CO2 e 80 KW/h de energia gastos por metro quadrado. Por outro lado, considerando um edifício com estrutura de madeira, um metro quadrado de área útil custa ao nosso planeta 4 kg de CO2 e apenas 22 KW/h de energia. Em outras palavras, para cada metro quadrado construído com estruturas em madeira reduziríamos as emissões de CO2 em até um décimo se comparado à sistemas mais tradicionais. Além disso, segundo este outro estudo publicado recentemente, as emissões de gases do efeito estufa durante o ciclo de vida de um edifício de madeira são 74% menores que de edifícios construídos com estruturas de aço e até 69% menores que aqueles erguidos em concreto.

Interior of UBC Earth Sciences Building. Imagem © Martin Tessler
Interior of UBC Earth Sciences Building. Imagem © Martin Tessler

E os benefícios não param por aí: como a madeira é um material renovável, isto é, cultivado naturalmente, ela é capaz de fixar carbono, capturando CO2 da atmosfera à medida que cresce e armazenando em sua composição ao longo de toda a sua vida útil.

Photo of the Wood Innovation Design Center. Imagem © Ema Peter
Photo of the Wood Innovation Design Center. Imagem © Ema Peter

Considerando estas diferenças, projetos que utilizem sistemas construtivos em madeira ao invés de aço ou concreto tem muito a contribuir para com o meio ambiente, ainda mais quando se trata de edifícios de grande escala e principalmente, em altura. Atualmente, as árvores cortadas para a fabricação de estruturas de madeira representa apenas 20% do crescimento anual total. Caso aumentássemos estes números para 34% e diminuíssemos a produção de aço e concreto na mesma escala, estaríamos deixando de emitir de 14 a 31% de CO2 na atmosfera além de reduz o consumo global de combustíveis fósseis em até 19%.

Imagem da construção do Brock Commons Tallwood House. Imagem Cortesia de naturallywood.com
Imagem da construção do Brock Commons Tallwood House. Imagem Cortesia de naturallywood.com

Pensando nisso, todas as medidas tomadas para impulsionar a construção de edifícios com estrutura em madeira são válidas e bem vindas, se não urgentes. Foi provado que edifícios em altura construídos com estruturas de madeira podem reduzir as emissões de gases de efeito estufa, diminuindo o consumo de combustíveis fósseis e até proteger as nossas florestas através do plantio e colheita de madeira certificada.

Sobre este autor
Cita: Cao, Lilly. "Estruturas de madeira são o futuro dos arranha-céus?" [Could Tall Wood Construction Be the Future of High-Rise Buildings?] 11 Set 2019. ArchDaily Brasil. (Trad. Libardoni, Vinicius) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/924518/estruturas-de-madeira-sao-o-futuro-dos-arranha-ceus> ISSN 0719-8906

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