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A Grande Mesquita de Aleppo: de monumento islâmico a campo de batalha

  • 13:00 - 10 Agosto, 2019
  • por
  • Traduzido por Lis Moreira Cavalcante
A Grande Mesquita de Aleppo: de monumento islâmico a campo de batalha
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via AFP / Getty Images
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O Islã, além de significar uma crença religiosa, é uma palavra que identifica um tipo único de arquitetura que remonta a milhares de anos. Ela foi formada por uma civilização que traduziu as qualidades dessa crença em materiais visíveis e tangíveis, construindo estruturas com um foco marcante em detalhes e experiências dentro de espaços fechados.

A arquitetura islâmica é uma arquitetura que não muda sua forma facilmente. Inclusive, seus princípios têm sido mais ou menos os mesmos há milhares de anos, com pequenas mudanças baseadas em adaptações funcionais. Até hoje, centenas de edifícios ainda permanecem como uma representação da história da arquitetura islâmica e ainda são usados exatamente como eram no passado.

A guerra, no entanto, não tem religião ou nostalgia cultural, e mesmo os locais mais sagrados e historicamente significativos podem ser completamente destruídos. A Grande Mesquita Omíada em Aleppo, originalmente construída pela primeira dinastia islâmica imperial e atualmente situada dentro de uma Área Patrimônio Mundial da UNESCO, atuou mais uma vez como um campo de batalha durante a recente Guerra da Síria, mas desta vez perdeu seu elemento mais significativo e resiliente, o Minarete Seljuk do século XI.

© George Ourfalian / AFP Cortesia de Wikimedia Commons Cortesia de SSNP Media Wars Cortesia de SSNP Media Wars + 34

Cortesia de Wikimedia Commons
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História

Uma década após a conclusão da Grande Mesquita Omíada em Damascus (por volta de 700 dC), o califa Al-Walid decidiu recriar a mesquita em Aleppo, mas morreu antes que o trabalho fosse concluído. Seu irmão, o califa Suleiman, tornou-se seu sucessor e seguiu com a construção da mesquita, completando-a em 717 dC. [1]

Ao longo de todas as invasões, a mesquita sempre foi o centro do campo de batalha. Os cruzados, fatímidas, ayúbidos, mongóis e mamelucos participaram da destruição da mesquita e da posterior reconstrução. A primeira catástrofe a atingir a mesquita foi pelas mãos dos abássidas, que vandalizaram a mesquita e roubaram seus ornamentos e obras de arte como vingança contra os omíadas. Segundo outros estudiosos, os mosaicos e ornamentos foram destruídos por um imperador bizantino quando ele ocupou a cidade e incendiou a mesquita. Em 1090 dC, os seljuks renovaram a mesquita e construíram o distinto minarete*, mas outra dinastia invadiu a cidade e destruiu a mesquita, mantendo apenas o minarete intacto. O projeto da mesquita foi finalizado após a realização da extensão feita por Nour Al-Dine Zangi em 1158 dC, o comandante muçulmano que lutou contra os cruzados. [2] [3]

Cortesia de Wikimedia Commons
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Arquitetura

Independentemente de todas as alterações estruturais, a mesquita continua a ser um icônico marco islâmico. O projeto finalizado da mesquita (após a reconstrução de Zangi) foi organizado em um layout hipostilo retangular de 150 x 100 metros. Há um grande pátio de mármore no meio, com pavilhões, fontes, pórticos de alvenaria e portões, dando acesso à mesquita de todos os lados (o portão leste, no entanto, pode fornecer aos fiéis acesso direto ao salão de oração). O salão é formado por três grandes corredores separados por uma série de colunatas, todas paralelas à Parede de Qibla*. Nesta parede, um Mihrab* de pedra amarela é colocado em seu centro, guiando os visitantes para a direção de oração. O teto originalmente plano foi substituído por um sistema de abóbadas cruzadas na reforma de Qalawun, junto com uma cúpula central em frente ao Mihrab. Juntamente com o Mihrab, encontra-se um Maqsurah ornamentado (um espaço fechado) que contém o túmulo dos restos mortais do Profeta Zakariya. O túmulo é coberto por um manto luxuoso, bordado com versos corânicos prateados. [3]

Talvez o elemento mais proeminente da mesquita era o Minarete, que ficava no lado sul da estrutura desde o século XI. Vários historiadores relatam que os engenheiros tiveram que cavar fundo o suficiente até alcançar água, para poder estabelecer as bases do minarete. A fundação foi reforçada com metal, para suportar a estrutura de 50 metros. Quanto à ornamentação, o minarete era coberto por molduras e bandagens caligráficas de manuscritos de Kufic e Naskhi. [3]

Cortesia de Wikimedia Commons
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Guerra na Síria

O complexo da mesquita serviu como um campo de batalha importante durante a guerra, enquanto combatentes contra o regime do governo sitiavam continuamente o local. As arcadas foram cobertas de destroços, paredes foram esburacadas, peças quebradas, ornamentos roubados e o minarete Seljuk acabou sendo bombardeado e destruído. O governo e os ativistas antigovernistas culpam um ao outro pelo ataque à mesquita. [4]

© George Ourfalian / AFP
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A Grande Mesquita de Aleppo: de monumento islâmico a campo de batalha, Cortesia de SSNP Media Wars
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© Dimitar Dilkoff / AFP
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Cortesia de SSNP Media Wars
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Cortesia de Wikimedia Commons
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Restauração

Semelhante à maioria dos projetos de renovação, tem havido um debate em curso sobre se a mesquita deve ser restaurada exatamente como era antes da guerra, ou completamente redesenhada com novas intervenções contemporâneas. No entanto, o governo ainda não recebeu nenhuma proposta de redesenho, portanto, o escopo planejado de trabalho se concentra na restauração apenas do que foi danificado.

O projeto de restauração foi atribuído ao engenheiro sírio Dr. Sakher Olabi, que começou a trabalhar neste projeto em 2017 e espera que a mesquita seja concluída em 2 a 3 anos, com planos de utilização de novos trabalhos decorativos com pedra e estrutura feita de madeira local e importada. O apoio financeiro para a restauração da mesquita atingiu mais de US$ 6 milhões, doados por filantropos da República da Chechênia. No momento, as pedras remanescentes foram numeradas e dispostas no pátio da mesquita, enquanto o grande relógio de sol de mármore, usado para proporcionar horários precisos de oração, foi colocado em sacos de areia cercados por muros de blocos de concreto durante a guerra, e agora foi deixado de lado, completamente ignorado pelos engenheiros. [5]

Cortesia de Usuário Flickr Ghiath Lababidi
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Notas

Cronologia [2]
Período Omíada 661 - 750 dC
Período Abássida 750 - 878 dC
Bizantino, Tulunid e Buyid 878 - 1075 dC
Seljuq, Zangid e Fatimid (com dominação dos cruzados) 1075 - cerca de 1200 dC
Período Ayyubid 1169 - 1260 dC
Período Mameluco 1260 - 1517 dC
Período Otomano 1517 - 1918 dC

*Minarete: Uma torre construída dentro ou adjacente a uma mesquita que serve como um ponto focal visual para orações em toda a cidade e uma plataforma para a chamada muçulmana à oração (Adhan).

*Parede de Qibla: Uma parede dentro de uma mesquita que indica a direção da oração (em direção à Meca)

*Mihrab / Mehrab: Um nicho semi-circular na Parede de Qibla.

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Sobre este autor
Cita: Stouhi, Dima. "A Grande Mesquita de Aleppo: de monumento islâmico a campo de batalha" [The Great Umayyad Mosque of Aleppo: from Historic Islamic Monument to War Battlefield] 10 Ago 2019. ArchDaily Brasil. (Trad. Moreira Cavalcante, Lis) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/922245/a-grande-mesquita-de-aleppo-de-monumento-islamico-a-campo-de-batalha> ISSN 0719-8906

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