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Premiado filme dirigido por Eliane Caffé narra a trajetória de refugiados recém-chegados ao Brasil que, juntos com trabalhadores sem-teto, ocupam um velho edifício abandonado no centro de São PauloO Filme ‘Era o Hotel Cambridge’, da diretora Eliane Caffé, ganhador de diversos prêmios será exibido nesta quinta-feira, dia 04 de julho, gratuitamente, no Espaço Itaú de Cinema, às 19h, em um evento promovido pela Escola da Cidade e o Arq.Futuro. O longa-metragem, que teve sua estreia em circuito comercial em 2017 e resultou em um livro editado pelas Edições Sesc São Paulo, narra a trajetória de refugiados recém-chegados ao Brasil que, juntos com trabalhadores sem-teto, ocupam um velho edifício abandonado no centro de São Paulo. Em meio à tensão diária da ameaça do despejo, revelam-se dramas, situações cômicas e diferentes visões de mundo.A exibição do filme acontece no Espaço Itaú de cinema (Rua Augusta 1475), sala 1, a partir das 19h. Na sequência, às 20h30, será promovida uma mesa de debates, com convidados, sobre o tema ‘Direito à Cidade’. GratuitoParticiparão do debate a representante do MSTC – Movimento Sem Teto do Centro, Claudete Lindoso; co-fundador do Arq.futuro, Tomas Alvim; e a professora da Escola da Cidade, Carla Caffé e a mestre e doutora em Direito do Estado, Mariana Chiesa Gouveia Nascimento.A direção de arte do filme foi feita em parceria com alunos da Escola da Cidade – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, uma experiência pedagógica e artística que explorou as fronteiras entre arquitetura e cinema e entre arte e educação.A preparação do projeto levou dois anos e foi gerido por um coletivo que permitiu transformar todo o edifício (que é zona de conflito real) no set criativo da filmagem. Esse coletivo foi composto por quatro frentes principais: núcleo de estudantes de arquitetura da Escola da Cidade, equipe de produção do filme, lideranças da FLM (Frente de Luta pela Moradia) e grupo dos refugiados. Por meio de oficinas dentro da ocupação surgiu a matéria-prima para o aprimoramento do roteiro e da direção de arte. A ousadia do experimento garantiu autenticidade e força dramática ao filme. A experiência originou um livro produzido pelas Edições Sesc São Paulo ‘Era o hotel Cambridge: arquitetura, cinema e educação’, da arquiteta, diretora de arte e professora da Escola da Cidade, Carla Caffé – escrito em HQ e com entrevistas e ensaios –, que retrata o processo de criação da direção de arte, do figurino e da cenografia do filme com a participação dos estudantes da Escola, estendendo o processo pedagógico para fora dos muros da escola.Cinema com ArquiteturaA parceria entre arquitetura e cinema nesse filme aparece não somente no roteiro como também no trato com o set de filmagem, uma postura inédita de fazer o cinema junto com o fazer da arquitetura.Os cenários não foram feitos para serem desfeitos, mas sim para durarem enquanto a ocupação existir. No roteiro, o edifício ocupado respira como um personagem, o filme descortina delicadezas do design vernacular, fruto do improviso, do limite da sobrevivência.A manutenção do edifício é um dos panos de fundo das relações entre os personagens, os conflitos aparecem entremeados com a necessidade de cuidar do espaço, como é o caso da mina d’água no subsolo do edifício, que ainda brota água diariamente, já que se situa no antigo leito do Rio Saracura, um dos fortes afluentes do vale do Anhangabaú.Recentemente, o edifício Cambridge foi declarado pelo poder público como área de interesse social, a espera de um retro-fit para moradia popular. Mas o ponto forte dessa experiência foi fortalecer o engajamento político dos estudantes e fazê-los sentir a importância e a responsabilidade social do arquiteto, trabalhando nas fronteiras, contaminando e provocando situações e pontos de vistas transformadores.Alguns cenários do filme foram projetados para abraçar não só as demandas do roteiro, como também as necessidades da comunidade do Cambridge. Os estudantes realizaram apresentações abertas para os moradores da ocupação de modo que todos pudessem entender e opinar sobre os projetos a serem realizados.“A cenografia, entendida como arquitetura efêmera, foi tratada para equipar os pontos de encontro e interação dos espaços comuns do edifício para incentivar o espírito de coletividade do movimento”, comenta a professora Carla Caffé.A natureza colaborativa das atividades práticas foi estendida com oficinas do coletivo espanhol Basurama (www.basurama.org), que desenvolve projetos de arquitetura e ressignificação urbana, aproveitando materiais descartados coletados em eco pontos espalhados pela cidade de São Paulo.A equipe foi sensibilizada sobre a abundância e o descarte de materiais reaproveitáveis, como caixas de frutas, pallets, móveis abandonados, e pneus, transformando-os em estantes, poltronas, mesas de trabalho e objetos que serão usados tanto como elementos de cena para o filme, quanto para a própria ocupação.Lista de Festivais e Prêmios:– 8º Festival Internacional Cinemigrante | Melhor longa-metragem internacional (Prêmio Periférica Cine) e Melhor longa-metragem latino-americano (Prêmio CineMigrante/OIM) – Argentina, 2017 Melhor longa-metragem internacional e latino-americano– Festival Internacional de Cinema e Fórum de Direitos Humanos | Menção Honrosa (Júri Internacional) – Suíça 2017– 2ª Semana do Cinema Brasileiro | Cinemateca Nacional do México – México, 2017 - Mostra Cine Brasil Marginal – Suíça 2017– 33º Reflexões do Cinema Ibérico & Latino-americano | Villeurbanne Festival – França, 2017– 29º Festival Cinélatino | Encontros de Toulouse – França, 2017– 39º Festival Internacional de Crèteil – Maison Des Artes | Films de Femmes – França 2017– 20º Mostra de Cinema de Tiradentes – 2017– Festival de Cine Global Dominicano – República Dominicana, 2017– 40º Festival de Cinema de Gotemburgo – Suécia, 2017– 9º Festival Internacional de Cinema de Bengaluru – Índia, 2017– 5º Diaspora Film Festival – Coreia 2017 – 35º Festival Internacional de Cinema de Munique | International Independents – Alemanha 2017– 21º Résistances Film Festival – França 2017 – 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo | Melhor Filme (Voto Popular) – 2016– 18º Festival Internacional do Rio de Janeiro | Première Brasil | Prêmio FIPRESCI da Crítica, Melhor Filme (Voto Popular) e Montagem – 2016– 64º Festival de San Sebastián | Horizontes Latinos | Prêmio Spanish Cooperation | Menção Honrosa – Espanha, 2016– 8º Festival Internacional de Cinema da Fronteira | Mostra Competitiva Internacional | Melhor Filme e Melhor Atuação (Carmen Silva) – 2016 – 11º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro | Melhor Longa (Júri ABRACCINE), Melhor Longa (Júri Oficial) e Melhor Atriz (Suely Franco) – 2016- 7º Festival Internacional Pachamama | Cinema de Fronteira | Sessão de encerramento – 2016– 18º Festival Internacional de Cinema de Tbilisi – Geórgia, 2016- 20º Tallin Black Nights Festival – Estônia, 2016– 63º Festival de San Sebastián | Prêmio da Indústria | Cine en Construcción 28 – Apoio para Finalização – Espanha, 2015– Hubert Bals Fund | Apoio para Pós-produção – Holanda, 2015FICHA TÉCNICA (FILME):Era o Hotel CambridgeDireção: Eliane CafféProduzido por: Rui Pires, André Montenegro, Edgard Tenembaum e Amiel TenenbaumDiretora de arte: Carla Caffé e estudantes da Escola da CidadeDireção de fotografia e câmera: Bruno Risas Montagem: Márcio Hashimoto Elenco: José Dumont, Carmen Silva, Isam Ahamad Issa e Guylain Mukendi Atriz Convidada: Suely FrancoParticipação Especial: Lucia Pulido e Ibtessam UmranGênero: DramaProdução: Aurora FilmesCoprodução: Tu Vas Voir (França), Nephilim Producciones (Espanha) e Apoio (Brasil)Distribuição: Vitrine Filmes Veja mais Veja a descrição completa
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