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Continuidade e sensibilidade: a arquitetura de Ricardo Bak Gordon

Continuidade e sensibilidade: a arquitetura de Ricardo Bak Gordon

Past, Present, Future é um projeto de entrevistas do Itinerant Office que convida arquitetos aclamados a compartilharem suas perspectivas sobre o mundo em constante evolução da arquitetura. Cada entrevista é dividida em três segmentos de vídeo: Passado, Presente e Futuro, nos quais os entrevistados discutem suas reflexões e experiências através de cada um destes enfoques. O primeiro episódio do projeto contou com a participação de 11 arquitetos da Itália e Holanda, e o segundo episódio conta com entrevistas com 13 profissionais da Espanha, Portugal, França e Bélgica.

House in Boliqueime. Imagem Cortesia de bak gordon arquitectos FUTURE: Teatro Romano. Imagem Cortesia de bak gordon arquitectos Casa na Costa do Castelo. Imagem Cortesia de bak gordon arquitectos School Romanshorn. Imagem Cortesia de bak gordon arquitectos + 24

O objetivo desta série de entrevistas é apresentar os diferentes métodos e abordagens utilizados por este seleto grupo de arquitetos. Convidando-os a refletir sobre o passado, o presente e o futuro da arquitetura, a série procura proporcionar uma visão mais clara do que significa ser um arquiteto nos dias de hoje. Além disso, a série servirá para documentar o trabalho destes arquitetos, servindo de inspiração para as próximas gerações.

House in Boliqueime. Imagem Cortesia de bak gordon arquitectos
House in Boliqueime. Imagem Cortesia de bak gordon arquitectos

No ano de 2002 na cidade de Lisboa, Ricardo Bak Gordon fundava a Bak Gordon Arquitectos. Desde então, através de seus quase vinte anos de história, o escritório português tem desenvolvido centenas de projetos de arquitetura, principalmente edifícios públicos como escolas, ginásios desportivos entre outros. Bak Gordon encara o exercício da prática profissional com muita seriedade e humildade, ele defende uma arquitetura sensível e diz que nem todo arquiteto está apto para projetar grandes monumentos. “Precisamos de pessoas que saibam projetar portas”, ele afirma em sua entrevista, descrevendo as muitas atribuições de um arquiteto - nem todos nós estamos em busca de glamour, mas inegavelmente, cada arquiteto é igualmente importante para o futuro de nossa profissão.

Assista a seguir partes da entrevista do Itinerant Office com Ricardo Bak Gordon

PAST:

Ricardo Bak Gordon relembra do tempo em que ainda era estudante e seus primeiros passos depois de formado, discutindo a importância e o valor do desenho em sua obra, desde aquele momento até os dias de hoje.

Past, Present, Future - PAST. Interview with Ricardo Bak Gordon from Itinerant Office on Vimeo.

GIANPIERO VENTURINI: Quais eram os temas que mais te interessavam no começo de sua carreira como arquiteto e como eles evoluíram com o passar do tempo?

RICARDO BAK GORDON: “Eu acredito que existem dois tipos de arquitetos: aqueles que se preocupam com a evolução e continuidade dos processos históricos que dão significado à arquitetura e aqueles que sentem a urgência e a necessidade de criar projetos originais e inventivos - eu, especificamente, não me identifico com estes últimos. Eu me interesso por estas camadas que se sobrepõe ao longo do tempo, pelo diálogo que se cria quando adicionamos pequenos elementos capazes de proporcionar mais profundidade temporal a própria arquitetura. Pra mim, este é o verdadeiro valor do trabalho de um arquiteto.”

Casa na Costa do Castelo. Imagem Cortesia de bak gordon arquitectos
Casa na Costa do Castelo. Imagem Cortesia de bak gordon arquitectos

PRESENT:

Ricardo Bak Gordon fala abertamente sobre o processo colaborativo de projeto dentro do seu escritório, seja no envolvimento de toda a equipe de arquitetura ou com a participação de todos os seus consultores. Bak Gordon também defende a opinião de que a maioria dos arquitetos de hoje foram forçados a ocupar uma posição muito mais superficial em relação ao seu papel social como arquiteto.

Past, Present, Future - PRESENT. Interview with Ricardo Bak Gordon from Itinerant Office on Vimeo.

GV: Na minha opinião, arquitetos hoje em dia - não importa qual for o grau de sua experiência - não são mais vistos como figuras relevantes para a vida das pessoas e da sociedade em geral, e também são incapazes de se posicionar e defender o valor da nossa profissão. O que você pensa sobre isso?

RBG: “Acredito que os arquitetos, por diferentes razões, estão sendo excluídos cada vez mais dos processos de tomada de decisões - seja em projetos de planejamento urbano, decisões políticas entre outros. No passado, arquitetos desempenhavam um papel mais que fundamental na construção de nossas cidades, no projeto de nossas casas e também na maneira de fazer política (...) Os arquitetos parecem ter deixado de lutar por um mundo melhor para todos, focando-se apenas em criar algo original o bastante para escrever seu nome na história da arquitetura. Acho muito perigoso o fato de que a maioria dos arquitetos de nosso tempo tenham deixado de se preocupar com o papel social da arquitetura, porque assim iremos nos afastar cada vez mais do nosso verdadeiro papel como arquitetos.”

FUTURE: Habitação na Av. Marechal Gomes da Costa. Imagem Cortesia de bak gordon arquitectos
FUTURE: Habitação na Av. Marechal Gomes da Costa. Imagem Cortesia de bak gordon arquitectos

FUTURE:

Ricardo Bak Gordon aborda as muitas atribuições de um arquiteto e a importância de fazer coisas simples ao invés de apenas projetar estruturas mirabolantes. Ele reforça que um arquiteto deve ser participativo, aquele que através de sua sensibilidade propõe soluções criativas para os problemas cotidianos.

Past, Present, Future - FUTURE. Interview with Ricardo Bak Gordon from Itinerant Office on Vimeo.

GV: Se você pudesse passar uma mensagem para à próxima geração de arquitetos, o que você diria?

RBG: “Como eu disse antes, eu confio muito na continuidade da arquitetura. E por continuidade eu me refiro à sensibilidade de um arquiteto em relação ao passado e ao futuro, significa observar o mundo a nossa volta para encontrar as melhores respostas aos problemas do presente. E que eles procurem ser participativos, procurem desenvolver uma arquitetura sensível ao invés de querer inventar a roda sendo que ela já existe. (...) Se alguém pudesse inventa-la de novo, seria muito bem-vinda, mas não acho que nenhum de nós possa fazê-lo. Então, para os arquitetos mais jovens eu digo: vocês precisam encontrar entusiasmo em dar continuidade à arquitetura que já existe.”

Projeto: Itinerant Office
Curadoria: Gianpiero Venturini
Videos: Luca Chiaudano

Galeria do Projeto

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Sobre este autor
Cita: Schires, Megan. "Continuidade e sensibilidade: a arquitetura de Ricardo Bak Gordon" [Continuity and Sensitivity Drive the Designs of Ricardo Bak Gordon] 22 Jun 2019. ArchDaily Brasil. (Trad. Libardoni, Vinicius) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/919144/continuidade-e-sensibilidade-a-arquitetura-de-ricardo-bak-gordon> ISSN 0719-8906

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