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Do lixo ao luxo: produtos de revestimentos feitos a partir de resíduos

Do lixo ao luxo: produtos de revestimentos feitos a partir de resíduos
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Do lixo ao luxo: produtos de revestimentos feitos a partir de resíduos, Cortesia de Aubicon
Cortesia de Aubicon

A indústria da construção civil movimenta recursos econômicos consideráveis em todo o mundo, gera inúmeros empregos e muita receita. Ao mesmo tempo, também implica em impactos negativos que vão desde o consumo dos recursos naturais, até a elevada geração de resíduos, seja durante a etapa construtiva e nas demolições. Para se ter uma ideia, no Brasil estima-se que 61% do total de resíduos gerados sejam representados pelos Resíduos de Construção e Demolição e 28% pelos resíduos domiciliares [1].

Cortesia de Santa Luzia Cortesia de Aubicon Cortesia de Santa Luzia Cortesia de Decortiles + 9

Entre 12 e 15 de março de 2019 ocorreu em São Paulo a 17ª edição da EXPO REVESTIR, feira consolidada de soluções em acabamentos que reuniu diversas empresas e mais de 60 mil profissionais. Entre os diversos expositores, com as mais variadas soluções e produtos, é notável a preocupação de grande parte das empresas em desenvolver produtos que, além dos aspectos estéticos e funcionais, possam contribuir com a sustentabilidade. Ainda que a indústria produza resíduos em quase todos os seus processos; a construção civil conta com a vantagem de conseguir absorver grande parte dos resíduos que produz, desenvolvendo produtos a partir de matérias primas descartadas, entulhos ou até resíduos de outras áreas.

É este o caso dos revestimentos decorativos da Santa Luzia, empresa responsável pela captação e reciclagem do poliuretano (PU) oriundo de pranchas de surfe, câmaras frias, e descartes das indústrias de linha branca (eletrodomésticos) e automobilística (especialmente de seus revestimentos termo acústicos). O material foi descoberto pelo químico alemão Otto Bayer (1902–1982) e trata-se de um polímero utilizado na produção de selantes, tintas, adesivos de alto desempenho, preservativos, carpetes, fibras, vedações, e peças de plástico rígido.

Cortesia de Santa Luzia
Cortesia de Santa Luzia

No entanto, o material também é especialmente manipulado para produzir espumas (tanto rígidas como flexíveis), e três quartos de seu consumo mundial tem essa finalidade. O PU em formato rígido é o mais utilizado na construção civil já que reveste a maioria das paredes metálicas ou plásticas de boa parte dos refrigeradores e freezers. Ele também está presente no isolamento término das paredes de alvenaria. A espuma flexível, por sua vez, é bastante presente na indústria moveleira sendo bastante usada no interior dos estofados. Atualmente, devido a diversas questões ambientais, sociais, e econômicas, o PU vem sido reciclado e ganhando novos usos e significados. Dentre os revestimentos de parede produzidos pela empresa, destacam-se duas coleções: a SIX cujas peças em formato hexagonal (130 x 150 mm) e efeito tridimensional são produzidas nas cores ouro, ouro rosé, cinza glacial, cinza elefante, rupestre, grafite, branca e preta; e a URBANBRICK, que remetem aos tijolinhos aparentes. Tratam-se de ecobricks retangulares que medem 70 x 255 mm, possuem borda retificada e estão disponíveis em seis tons de base neutra.

Cortesia de Santa Luzia
Cortesia de Santa Luzia

Outro exemplo é o da empresa Decortiles, que aposta na coleção Eco, um revestimento com material reaproveitado do processo de produção, como uma das grandes novidades apresentadas pela marca durante a Expo Revestir 2019. Segundo a empresa, “em tempos de transformação, o mundo volta seu olhar para um lifestyle mais inteligente, onde há um perfeito equilíbrio entre o essencial, bem-estar e cuidado ambiental. A sustentabilidade é considerada hoje uma poderosa ferramenta de design”. A coleção é resultado da reciclagem da massa de porcelanato técnico para desenvolver um novo porcelanato técnico, que pode ser aplicado tanto em pisos quanto em paredes de áreas externas e internas.

Cortesia de Decortiles
Cortesia de Decortiles

O que o define como revestimento sustentável é o seu método de fabricação, elaborado com técnicas que reduzem o consumo de energia e/ou água. Certificado pela BRTÜV, a fabricação da nova coleção não utiliza matéria-prima in natura, oferecendo assim baixo índice de emissão de gases poluentes e menor impacto ambiental com o descarte de resíduos em sua produção.

A Aubicon, por outro lado, adota a estratégia de utilizar resíduos de pneus para o desenvolvimento de mantas acústicas e pisos para absorção de impacto (muito utilizados em parques infantis e academias, por exemplo. Os pneus são cortados em lascas e purificados por um sistema de peneiras. As lascas são moídas e depois submetidas à digestão em vapor d’água e produtos químicos, como álcalis e óleos minerais, para desvulcanizá-las. O produto obtido pode ser então refinado em moinhos até a obtenção de uma manta uniforme ou extrudado para obtenção de grânulos de borracha. [2]

Cortesia de Aubicon
Cortesia de Aubicon

Segundo cálculos da empresa, ela já reciclou mais de 5 milhões de pneus, um material considerado de descarte complicado, já que a borracha regenerada apresenta duas diferenças básicas do composto original: possui características físicas inferiores e tem uma composição indefinida, já que é uma mistura dos componentes presentes. Portanto, a produção de novos pneus a partir dessa borracha não é possível.

Cortesia de Aubicon
Cortesia de Aubicon

Estes três exemplos evidenciam as possibilidades do reúso de resíduos para a produção de novos produtos com qualidades estéticas e técnicas. Evidentemente, anterior à reutilização, deve-se repensar e tornar mais todo o ciclo produtivo mais sustentável. E a indústria da construção civil pode ter um papel de destaque nesse processo.

Notas
[1] CORRÊA, M. R. S.; BUTLER, A. M.; RAMALHO, M. A. Reciclagem de materiais de construção. Revista téchne n. 152. [link]
[2] RECICLOTECA: Centro de informações sobre reciclagem e meio ambiente. Pneu e Entulho: produção, descarte e reciclagem. [link]

Sobre este autor
Cita: Eduardo Souza. "Do lixo ao luxo: produtos de revestimentos feitos a partir de resíduos" 20 Mai 2019. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/917138/do-lixo-ao-luxo-produtos-de-revestimentos-feitos-a-partir-de-residuos> ISSN 0719-8906

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