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Bairro em Maceió corre risco de desabamento

Bairro em Maceió corre risco de desabamento
Bairro em Maceió corre risco de desabamento, © Tony Medeiros
© Tony Medeiros

Após fortes chuvas que atingiram Maceió no começo do ano, os moradores do bairro do Pinheiro entraram em estado de emergência pois diversas rachaduras surgiram na região. A Defesa Civil diz que o bairro corre risco de desabamento e a principal ameaça presente é que o asfalto afunde a ponto de criar uma cratera e destruir parte dos edifícios, colocando em risco a vida de mais de vinte mil pessoas que habitam o local.

via Grupo "Rachaduras 'Pinheiro'"
via Grupo "Rachaduras 'Pinheiro'"

Segundo o G1, três pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil estão em Maceió para avaliar o que pode estar causando o afundamento do bairro. Entre as hipóteses estão: o surgimento de uma dolina, um fenômeno geológico que ocorre quando parte do solo cede formando uma cratera; a localização do bairro em uma área tectonicamente ativa e a exploração de salgema realizada na região. Além disso, especialistas da Companhia de Pesquisa de Recursos Mineirais (CRPM), Ministério de Minas e Energia e peritos ligados à Defesa Civil Estadual e Municipal também fazem investigações para descobrir o problema que afeta o subsolo do local desde um tremor registrado no bairro em março de 2018, que já havia provocado fissuras e afundamento de pisos em alguns imóveis.

via Grupo "Rachaduras 'Pinheiro'"
via Grupo "Rachaduras 'Pinheiro'"

O professor e engenheiro civil mestre em geotécnica, Abel Galindo Marques, da AGM Geotécnica, fez um levantamento de possíveis causas para o ocorrido. Entre as hipóteses levantadas ele cita a reativação das falhas geológicas que existem em Maceió - citando que o bairro do Pinheiro está dentro de um perímetro delas - ocasionadas pela grande quantidade de poços de extração de sal-gema, o grande volume de água retirado do subsolo e a presença de uma camada de rochas muito fraturadas logo acima do sal-gema.

Falhas geológicas que passam pelas minas de salgema. Image © Abel Galindo Marques | AGM geotécnica
Falhas geológicas que passam pelas minas de salgema. Image © Abel Galindo Marques | AGM geotécnica
Falhas geológicas que passam pelas minas de salgema. Image © Abel Galindo Marques | AGM geotécnica
Falhas geológicas que passam pelas minas de salgema. Image © Abel Galindo Marques | AGM geotécnica

Em uma apresentação, o professor demonstra através de perfis esquemáticos supostas teorias que poderiam explicar as rachaduras que surgiram.

Perfil esquemático. Image © Abel Galindo Marques | AGM geotécnica
Perfil esquemático. Image © Abel Galindo Marques | AGM geotécnica
Perfil esquemático 01. Image © Abel Galindo Marques | AGM geotécnica
Perfil esquemático 01. Image © Abel Galindo Marques | AGM geotécnica

Já em entrevista cedida ao portal TNH1, o geólogo Jorge Pimentel, da CPRM, se demonstrou preocupado com a complexidade encontrada em Maceió e constatou que dos 1638 municípios que o órgão já sondou no Brasil, nunca foi visto nada parecido com o que ocorre hoje no Pinheiro. Além disso, Pimentel disse que será criada uma Sala de Monitoramento, em parceria entre CPRM e as defesas civis locais, na tentativa de identificar qualquer alteração no solo o quanto antes para alertar a população.

Um relatório concebido pelo Serviço Geológico do Brasil e entregue em dezembro de 2018 ao Ministério Público Federal em Alagoas (MPF-AL) recomenda o treinamento de moradores para a necessidade de esvaziamento emergencial do bairro e a criação de rotas de fuga.

via Grupo "Rachaduras 'Pinheiro'"
via Grupo "Rachaduras 'Pinheiro'"

via Grupo "Rachaduras 'Pinheiro'"
via Grupo "Rachaduras 'Pinheiro'"

A primeira simulação de evacuação do bairro acontecerá no dia 16 de fevereiro e deverá seguir o mapa de feições de instabilidade do bairro realizado pelo Serviço Geológico do Brasil e disponibilizado para consulta pública.  De acordo com a Defesa Civil, caso o solo sofra um afundamento ainda maior, as primeiras pessoas a serem retiradas do bairro serão as que moram em áreas de maior perigo.

MAPA DE FEIÇÕES DE INSTABILIDADE DO TERRENO. Fonte: Divulgação
MAPA DE FEIÇÕES DE INSTABILIDADE DO TERRENO. Fonte: Divulgação

Primeiramente serão as que habitam nas zonas vermelhas, as quais conformam as áreas com maior expressividade nas evidências, tanto pela quantidade de trincas encontradas, como também pela maior abertura e persistência observadas, além da presença de sumidouros e várias edificações já interditadas pela defesa civil devido ao grande número de rachaduras. Seguido pelos moradores das zonas laranjas que são caracterizadas pela presença de trincas em paredes e muros que apresentam persistência de mais de um metro de comprimento e abertura milimétrica.

Veja o mapa completo com fotos que demonstram a situação de algumas casas e das ruas aqui.

Na última segunda-feira, dia 28, o Governo Federal autorizou o repasse financeiro para a ajuda humanitária a 413 famílias do bairro que tiveram recomendação para deixar seus imóveis em decorrência do agravamento das fissuras identificadas na região. A liberação dos recursos foi oficializada por meio de portaria do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). No entanto, como as causas das rachaduras ainda são desconhecidas, muitos moradores começaram a se mudar às pressas sem nenhuma assistência do governo e a grande maioria continua em risco sem ter para onde fugir.

Tony Medeiros, morador do bairro, está fazendo um financiamento coletivo para tentar sair desta situação e afirma: "O medo de perder a vida e o medo de perder um imóvel é algo que abala o emocional de qualquer um, e não tem sido fácil pra ninguém. Ainda não se sabe o que causou o tremor e continuam fazendo estudos para descobrir. Mas aí que mora o problema: Se não sabem definir a causa, não se pode definir e executar uma solução."

via Grupo "Rachaduras 'Pinheiro'"
via Grupo "Rachaduras 'Pinheiro'"

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Sobre este autor
Cita: Victor Delaqua. "Bairro em Maceió corre risco de desabamento" 31 Jan 2019. ArchDaily Brasil. Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/910452/bairro-em-maceio-corre-risco-de-desabamento> ISSN 0719-8906

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