
Histoire d’Architecture é o título da monumental obra em dois volumes escrita e ilustrada pelo historiador francês Auguste Choisy em 1899 em que se dedica, como sugere o nome, ao estudo da história da arquitetura, desde os primórdios das artes de construir e da arquitetura egípcia até a investigação de monumentos e edificações mortuárias contemporâneas [de sua época, evidentemente] e revestimentos decorativos, passando também pela observação da arquitetura grega e romana e suas técnicas construtivas. Um enorme compêndio da história da arquitetura de 1.442 páginas e 1.700 ilustrações[1] que esmiúça seus mais detalhados pormenores.
É na história da arquitetura também que nos deparamos, por vezes, a fatos e relações que sugerem caminhos que conduzem para fora da própria arquitetura. Um exemplo caro disso, que será mais profundamente explorado nas linhas abaixo, pode ser encontrado na própria Histoire, no capítulo em que Choisy se dedica à observação da arquitetura da Grécia antiga; mais especificamente, à disposição dos edifícios e monumentos da Acrópole de Atenas. Construída durante a era de ouro de Atenas, entre 460 e 430 a.C., por Mnésciles sob a liderança de Péricles, a Acrópole viria a se tornar, vinte e quatro séculos mais tarde, foco da atenção de Choisy por um aspecto que até então arquitetos e historiadores das Beaux-Arts haviam falhado em compreender ou mesmo ocultado de suas pesquisas[2]: a incomum assimetria que reina na organização espacial de suas edificações e monumentos.
