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Por que os expoentes da arquitetura altruísta precisam abandonar seus egos

Por que os expoentes da arquitetura altruísta precisam abandonar seus egos
Por que os expoentes da arquitetura altruísta precisam abandonar seus egos, Collège Mixte Le Bon Berger em Haiti, projetados por Architecture for Humanity. Imagem cortesia de Architecture for Humanity
Collège Mixte Le Bon Berger em Haiti, projetados por Architecture for Humanity. Imagem cortesia de Architecture for Humanity

Atualização: Desde que este artigo foi originalmente publicado, o advogado dos processos de falência da Architecture for Humanity demitiu Kate Stohr (em janeiro de 2017) e três membros do conselho administrativo (Niama Jacobs, Taylor Milsal e Cliff Curry em agosto de 2016) devido ao processo mencionado abaixo.

Este artigo foi originalmente publicado no blog do Huffington Post por Lance Hosey como "A Darker Shade of Green" .

Recentemente a plataforma Architectural Record publicou que a Architecture for Humanity - AFH, uma ONG fundada nos Estados Unidos em 1999 para dirigir crises humanitárias através de construção, está sendo processada por má gestão de recursos. No dia 10 de junho, foi apontado pelo tribunal que os co-fundadores Cameron Sinclair e Kate Stohr, e os 10 integrantes da diretoria agiram com grande negligência ao se esquivar de seus deveres fiduciários de 2012 a 2014. As queixas específicas estão relacionadas ao uso indevido de doações de caridade direcionadas a fins específicos. Isso é apenas a ponta do iceberg dentre diversas controvérsias, começando com os co-fundadores terem abandoado a organização em 2013 e a ONG declarar falência no ano passado.

Como escrevi ha uma década em um artigo no livro da AFH, Design Like You Give A Damn,  o propósito e estratégia da organização sempre pareceram desorientados.

Ao focar mais no projeto do que nas condições que criaram a necessidade dele, algumas vezes a AFH super valoriza o papel do edifício. Das reivindicações da contracapa do livro; " o maior desafio humanitário que encaramos hoje é aquele de proporcionar abrigo." As Nações Unidas discordam. Em seus Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, oito metas para a comunidade global, lista a primeira prioridade de toda a humanidade como 'eliminar a extrema pobreza'. Para o 1/6 da população que passa fome, o acesso a comida, medicação e especialmente água potável são as necessidades mais urgentes. Abrigo, que não é sequer mencionado nos Objetivos do Milênio, trata-se de um luxo comparativo. Afinal de contas, se edifícios são uma necessidade básica humana, como nós sobrevivemos antes dos últimos cinco ou dez mil anos?

Até os impulsos mais igualitários de arquitetos parecem estar contaminados com um senso super inflacionado de nosso real valor.

Capa do livro de Architecture for Humanity "Design Like You Give a Damn". Imagem via Plataforma Urbana
Capa do livro de Architecture for Humanity "Design Like You Give a Damn". Imagem via Plataforma Urbana

Muitos dos arquitetos de maior renome são notórios por seus “egos monumentais", e seu comportamento privado pode ser desprezível. No começo da minha carreira eu trabalhei para um dos arquitetos mais famosos do mundo, e ele rotineiramente gritava com seus funcionários em broncas homéricas. Todavia, o cliché do arquiteto-de-capa-preta não se limita arquitetos de grife. Na verdade, empoderamento e auto engrandecimento é muito comum entre arquitetos. Até certo ponto isso é esperado em qualquer área que se orgulha de sua criatividade e inovação. Os pequenos golpes alimentados por egos tem estabelecido rivalidades no Vale do Silício há tempos, por exemplo. A clássica pergunta do ovo ou da galinha: o seu ego estimula a inovação ou o sucesso infla o ego? Em qualquer caso, a arrogância de arquitetos não me surpreende mais.

O que continua a me surpreender e me entristecer é quando encontro tamanha arrogância entre os líderes dos movimentos mais altruístas da indústria de arquitetura. Anos atrás, eu individualmente entrevistei dezenas de pioneiros reconhecidos em projetos sustentáveis, o movimento para incrementar o impacto social e ambiental de edifícios. Na época, eu não conhecia a maioria deles, e ainda assim muitos relevaram voluntariamente histórias mesquinhas uns dos outros. Tão recente quanto o ano passado, um dos proponentes mais influentes da área intimidou uma jovem escritora que conheço após ela ter publicamente criticado (com razão) um de seus projetos. Em momentos como esse, tenho vergonha de ser arquiteto.

Na minha experiência, grandes líderes combinam visão, convicção, comunicação, humildade e empatia. Líderes de arquitetura frequentemente demonstram os três primeiros mas frequentemente lhes faltam os dois últimos. Isso já faz deles pessoas difíceis de digerir, mas é absolutamente inaceitável para aqueles que se vangloriam de promover o bem público. Como podemos respeitar o líder de um movimento social que não demonstra respeito pelas pessoas?

O confronto entre o ego pessoal e interesse público nos atrasa. Defensores das mudanças na indústria de arquitetura apenas podem ir longe se mudarem a forma como seus projetistas se comportam. Arquitetos podem definir um novo padrão, e aqueles de nós que estão trabalhando para melhorar o impacto de seus projetos têm uma responsabilidade urgente de defini-lo. 

Cita: Lance Hosey. "Por que os expoentes da arquitetura altruísta precisam abandonar seus egos" [Why Leaders in Altruistic Architecture Need to Drop the Ego] 31 Jul 2016. ArchDaily Brasil. (Trad. Santiago Pedrotti, Gabriel) Acessado . <https://www.archdaily.com.br/br/792143/por-que-os-expoentes-da-arquitetura-altruista-precisam-abandonar-seus-egos> ISSN 0719-8906